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22 de Setembro de 2019
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    Crescimento econômico: o Brasil deu m**** (por ora)

    Luiz Flávio Gomes, Político
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 3 meses

    Nos últimos 40 anos (1981-2020) a renda per capita em dólar do brasileiro (ajustada pela PPC: Paridade de Poder de Compra) deu m****. Vai avançar apenas 0,8% (patamar de US$ 14.821). Em 2010, o Brasil ocupava a 77ª posição. Vai cair para o 85º lugar.

    Quem está nos passando? Montenegro, Tailândia, Ilhas Maldivas, Botsuana, Sérvia, Costa Rica, Iraque e República Dominicana (ver Dinheiro, 22/5/19); 84% dos 191 países monitorados pelo FMI devem crescer mais que o Brasil (levantamento do economista Balassiano, da FGV/Ibre, citado pela Dinheiro).

    Por força das decisões equivocadas das nossas elites dirigentes (oligarquias), o mundo avança enquanto o Brasil continua dando m**** (na desigualdade, na falta de educação, saúde, infraestrutura e por aí vai). Nossa agenda é do passado: corrupção, instabilidade econômica e política, desequilíbrio fiscal, excesso de gastos etc.

    Estamos caminhando para a década mais perdida de todos os tempos. Antes era a de 1981-1990, com crescimento médio do PIB de 1,7% a.a. Na década mais perdida (2011-2020) não vamos crescer mais que 0,9% a.a. (projeção do FMI). A América Latina no mesmo período deve crescer 1,7% em média. Os países emergentes, 4,9%. No item crescimento econômico, como se vê, indiscutivelmente, o Brasil deu m****.

    Na CCJ da Câmara dos Deputados, há poucos dias, eu disse que, se nada mudar urgentemente, a história vai registrar como governantes na década mais perdida nos últimos 120 anos três presidentes: Dilma, Temer e Bolsonaro.

    Na mesma hora os dilmistas protestaram: a culpa é do Temer e do Bolsonaro. Os bolsonaristas salientaram: a culpa é do passado, é da Dilma e do PT. Os temeristas afirmaram: a culpa é do passado (Dilma) e do presente (Bolsonaro). Nossa incapacidade intelectual de buscar soluções para nossos problemas está dando m****.

    Por quê? Porque o cérebro humano castigado, dilacerado, fadigado e desesperançado (isso significa quase 100% dos brasileiros) tem como preocupação exclusiva a busca de culpados. Não se fala do futuro, da construção de um Projeto de Nação. Falta-lhe a visão futurista (porque morreu a esperança). Nosso projeto de futuro está dando m**** novamente.

    Ocorre que sem um Projeto de País o Brasil continuará com crescimento ridículo, por não inspirar confiança (e sem ela o investimento não vem).

    De 2000 a 2017, a média anual do investimento público do Brasil foi de apenas 1,92% do PIB, o segundo mais baixo entre 42 países (Dinheiro, 22/5/19). O investimento público, como se vê, também está dando m****.

    Razões da nossa tragédia econômica: baixa produtividade, ambiente de negócios desfavorável (109ª posição, entre 190 países – fonte: Banco Mundial), pouca abertura comercial, burocracia no pagamento de impostos (184ª posição), brutal insegurança jurídica, carga tributária elevada em relação ao capital produtivo, baixa qualidade da mão de obra (por falta de educação e preparo) e uma medonha corrupção praticada pelos barões ladrões (oligarquias da rapinagem que nos governam e nos dominam), como salientei no meu artigo anterior.

    Já estamos há 40 anos no inferno do baixo crescimento. Dante Alighieri, na Divina Comédia, foi quem melhor estudou o inferno. Da sua obra extraímos uma boa e uma má notícia. A má notícia: o inferno tem nove camadas. Se você se julga no inferno (na m****), é bom saber em que camada você está.

    Qual a boa notícia? Se olharmos quem nos governou nesses 40 anos de baixo crescimento econômico médio temos: Figueiredo (1º inferno), Sarney (2º inferno), Collor (3º), Itamar (4º), FHC (5º), Lula (6º), Dilma (7º) e Temer (8º). Bolsonaro seria, até aqui, neste item do baixo crescimento, o 9º inferno.

    Leia-se: já estaríamos no último estágio de baixo crescimento (ufa!). Depois do inferno vem o Purgatório e o Paraíso só chegará no final. Sem perder a esperança, à luta companheiros de jornada! Temos que chegar o mais pronto possível no Paraíso (para esquecermos os tempos do Brasil navegando na m****).

    LUIZ FLÁVIO GOMES, professor, jurista e Deputado Federal Contra a Corrupção.

    3 Comentários

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    Deprimente. continuar lendo

    O Brasil para retomar o crescimento tem algumas medidas a serem tomadas já!. Criar uma taxa de juros de 0,50% a.m.Criar uma carga tributária que fique entre 0,5% a 2%,.
    Acabar com a mamata de 1% da população que são os ricos que sonegam 620 bi , por ano com lucros obtidos através de aplicações como Spread ,Selic, e outros formas de ganhos faraônicos sem pagar tributos dos mesmos. geram uma grande defasagem financeira nos Estados e Municípios.Quando os gestores precisam de verba para sanar os problemas vai tomar empréstimos de uma verba que já do povo,além de não receber os impostos ainda vai pagar altos juros do dinheiro que já é do povo.Ou seja é comprando do ladrão o objeto que foi roubado da sua casa. Não a balela da reforma da previdência que vai resolver,tão 500,00 anual do FGTS, e mais um engodo do presidente para desviar o foco do povo , com medo que esta verdade espalhe - se por todo pais é o que devemos orientar aos nossos irmãos Brasileiros e Brasileiras menos esclarecidos. continuar lendo

    Existe o mundo real e um outro que não é comumente denominado nem estudado, composto pelas mídias, rede social, jornal, radio, tv, fóruns, etc. em fim um mundo imaginário.
    No mudo real se percebe muita gente comprando, vendendo, negociando em toda parte, estão sempre cheios os supermercados, restaurantes, shopping, bares, cinema, escritórios, aeroportos, lojas etc. nos últimos 20 anos percebi aqui no interior de minas, muitas famílias antes muito pobres (talvez uns 98% deles, incluindo eu) tendo acesso à carro, moto, casa, curso superior, alimentação melhor, asfalto e rede de esgoto, eletrodomésticos, etc. ou seja um nível de prosperidade como nunca vi nos meus 30 anos de observação, e além da minha observação empírica, não ouvi dizer de outro tempo melhor em termos de prosperidade real.

    E as pesquisas mostram mesmo que nos últimos 20 anos, o IDH e a expectativa de vida da população no Brasil só aumentou, ou seja, os números da macroeconomia estão indo mal, mas a qualidade de vida das pessoas tem melhorado significativamente, e é isso que importa, então penso que não está tão ruim, talvez não estamos tão bem como gostaríamos mas estamos bem melhor do que estávamos.
    Acho que isso é algo para se estudar. continuar lendo