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22 de Abril de 2019
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    Bolsonaro – se meu filho errou, tem que pagar – quero governar pelo exemplo.

    Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 3 meses

    Bolsonaro, eu e tantos outros colegas de Parlamento fomos eleitos para combater a velha política, a corrupção e a bandidagem de quem quer que seja, de esquerda, de centro, de direita ou extrema-direita, promovendo-se o império da lei contra todos (“erga omnes”), com observância da presunção de inocência e do Estado de Direito.

    Bolsonaro sabe muito bem que não podemos ser moralistas sem moral. Sobre seu filho Flávio disse: “se meu filho errou, tem que pagar; quero governar pelo exemplo”.

    A sede do “Escritório do Crime”, que comanda a organização criminosa dos milicianos de Rio das Pedras, instalou-se no gabinete de Flávio Bolsonaro, via Queiroz. Bolsonaro, o presidente, tem vídeo de apoio às milícias.

    O fardo da moral e da ética é extremamente pesado, mas não há como não ser carregado. Ônus da carreira política de quem tem vergonha na cara. Quem não suporta o peso da ética e da moralidade exemplar, é melhor que não entre na política. E se já entrou, pede para sair e caia fora!

    “A vida do presidente [do príncipe] é a lei e o exemplo dos povos; faz-se necessário que os seus exemplos positivos sirvam de guia para todas as demais pessoas” (Baltasar de Castiglione).

    Se não for para Bolsonaro ser coerente com seu estilo moralista de fazer campanha (por causa disso é que conquistou a confiança de muita gente), o melhor é que renuncie logo, antes que sofra impeachment.

    Qualquer fraquejada do presidente é tudo o que quer o clube dos ladrões das elites do poder. É dessa maneira que eles renovam seus pactos de saqueamento e pilhagem da nação brasileira.

    Não podemos claudicar! Um deslize sério basta para mergulhar o político no mar de lama e na desconfiança. Mais: não basta falar, tem quer dar exemplos de moralidade e de aplicação da lei para todos. “Erga omnes”.

    Do contrário Bolsonaro fará a mesma coisa que os outros presidentes. Será mais do mesmo ou farinha do mesmo saco, sem registrar seu nome na história da honra e da exemplaridade e dos bons resultados para a população.

    Ele assumiu a presidência com a carga auto-imposta de ser um messias, em nome da “verdade”. Segundo São João (8:32), “só a verdade, uma vez conhecida, nos libertará”. Chegou a hora da verdade!

    O presidente tem que recordar o seguinte: por causa dos pactos oligárquicos que as elites do poder fazem para saquear a nação, não quiseram investigar nem punir Sarney logo no princípio do seu mandato (1985) e aí a roubalheira explodiu (porque “é dando que se recebe”).

    Não quiseram punir Collor logo nos primeiros sinais de bandidagem, depois foi preciso fazer o impeachment (1992), que é muito traumático. Não quiseram investigar a cumplicidade de FHC quando seu grupo “comprou” a emenda da reeleição (1997), a bandalheira na privatização do PSDB liderado por Aécio se generalizou.

    O que era para ser privatizado acabou sendo estatizado porque as privatizações aconteceram com o dinheiro público. Precisamos de verdadeiras privatizações de algumas empresas públicas, mas não de mais estelionatos das elites do poder.

    Não quiseram cassar Lula quando eclodiu o caso mensalão (2005), a Petrobras e toda credibilidade de várias empresas acabaram indo à falência: Lula, o PT e outros partidos, MDB, PP, assim como JBS, Odebrecht etc. aprofundaram a velha corrupção que acompanha o Brasil.

    Não investigaram Dilma pela sua conivência na quebra da Petrobrás, veio novo e traumático impeachment (2016).

    O TSE, quando presidido por Gilmar Mendes, não quis cassar a chapa Dilma-Temer (e isso foi feito por “excesso de provas”!) e o governo Temer do ponto de vista da moralidade deu no que deu. Ele encerrou seu mandato com várias denúncias criminais e incontáveis investigações pendentes.

    Uma coisa é o que os políticos fazem (usando os meios coativos da lei e da sua autoridade) e outra bem distinta é o que eles são (ou deveriam ser, pelos seus exemplos para toda população).

    Um dos aspectos positivos do aprendizado coletivo que o brasileiro vem experimentando com as redes sociais (também há muitos negativos) é o da intolerância coletiva com a corrupção, de que é exemplo a apropriação de dinheiro dos funcionários públicos.

    Os políticos governam produzindo leis assim como produzindo bons costumes, bons exemplos. E se seus exemplos são ruins, negativos? Eles destroem a coesão do grupo assim como a legitimidade do mandato.

    Diferentemente das demais pessoas, que não estão obrigadas a nada a não ser o que a lei prescreve, sendo-lhes lícito fazer tudo o que não está proibido pelas normas, dos políticos se exige que “observem, respeitem ou ao menos não contrariem o conjunto de valores e bens estimados pela sociedade a que dizem servir e que são fundamento do viver e do envelhecer juntos e em paz” (Javier Gomá, Ejemplaridad pública). O Brasil terá forças para superar mais uma tempestade?

    3 Comentários

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    Belo artigo, professor!

    Bolsonaro foi escolhido por falta de opção.

    Ele tem obrigação de fazer um bom governo, sob pena de colocar o país numa crise sem precedentes, pois o fracasso de seu governo será o combustível do retorno ao poder de uma esquerda raivosa e que acabará de destruir instituições que ainda seguem de pé.

    Há que se cortar na carne.

    Preocupa-me o fato de ter expoentes no governo pessoas que fizeram caixa dois e só pediram desculpas, bem como Ministros alinhados apenas com interesses dos grandes bancos, motivo pelo qual querem uma Reforma da Previdência só pra ferrar com o trabalhador e encher as burras dos bancos privados de dinheiro.

    Triste país! continuar lendo

    Prezado Professor, seja o nosso guardião da Lei lá em Brasília. Por um Brasil Ético!!! continuar lendo

    Professor Flavio parabéns por ser eleito! Só não votei em você porque seu partido é o PSB. Espero que você não se influencie pelo partido. continuar lendo