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26 de Abril de 2018
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    Roubocracia e violência política

    Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 23 dias

    Foram os cruéis e medievais colonizadores (espanhóis, portugueses, franceses, holandeses) que implantaram a roubocracia na América Latina (roubocracia = governo ou poder regido pela roubalheira).

    Para cá eles vieram para roubar, estuprar, escravizar, queimar, aniquilar, extorquir, corromper, esquartejar, expropriar, espoliar, se apropriar, se enriquecer, devastar e destruir.

    Aqui a violência política (dos donos do poder) sempre foi uma realidade, porque irmã siamesa da roubocracia. A violência é empregada pelos donos corruptos do poder para manter as brutais desigualdades assim como para garantir a impunidade deles. Em algumas vezes a violência é o meio de execução da própria roubalheira.

    Nunca o Brasil, consequentemente, foi uma verdadeira democracia (governo eleito pelo povo e para o povo). As eleições e até mesmo os eleitos sempre foram comprados pelos donos do poder. Os políticos corruptos sempre se venderam, ou melhor, se alugaram (cada causa tem um preço). A nossa é, por conseguinte, uma democracia venal (simulacro de democracia).

    De outro lado, aqui não se governa para o povo (salvo raras exceções), sim, para os ladrões que dominam a nação. Ora de esquerda, ora de centro, ora de direita, mas ladrões.

    O roubo e a violência política são exercidos pelos mesmos grupos dominantes. Os atuais donos corruptos do poder (de esquerda, de centro ou de direita) são continuação dos primeiros colonizadores. Mesma tradição medieval perversa, regida pela ganância extrativista e espoliadora.

    Estão no poder para roubar, espoliar, sugar, parasitar, matar e eliminar quem se coloca como obstáculo aos seus desonestos propósitos.

    Marielle criticava o poder bárbaro dos milicianos no Rio de Janeiro. Fachin, cuja família está sendo ameaçada, é o ministro relator da Lava Jato (que está investigando os poderosos corruptos de todas as ideologias).

    Os donos corruptos e violentos do poder matam e ameaçam pessoas. A violência política, nesse caso, é empregada para a preservação do sistema corrupto (leia-se, da roubocracia), que só se detém quando uma força superior promove o império da lei. A Lava Jato não pode parar.

    A nova direita radical (NDR), usando os mesmos métodos populistas autoritários do esquerdismo revolucionário (revolução bolivariana, cidadã ou comunitária – Venezuela, Equador e Bolívia), aqui quer implantar um modelo regressivo de sociedade totalmente incivilizada (leia-se, uma sociedade civil totalmente incivil, onde prevaleça a guerra de todos contra todos, como afirmava Hobbes).

    Nem roubocracia (governos ou poderes regidos pela roubalheira) nem sociedades incivilizadas, reinadas pelo “estado de natureza” (ou seja, pela violência política bruta). As cabeças que pensam devem repudiá-las, porque destrutivas das nações.

    No princípio do século XX a democracia liberal foi duramente atacada por duas formas violentas de negação da própria democracia: pelo comunismo e pelo fascismo. Ambos, desde fora (do exterior), a derrotaram por um longo período.

    No Brasil a (sonhada) democracia liberal sempre foi aniquilada desde dentro, ou seja, por meio das eleições. Os donos corruptos e violentos do poder sempre manipularam e compraram muitos eleitores e, sobretudo, os eleitos, os parlamentares, os governantes. A nossa é (por natureza e tradição) uma democracia venal.

    No século XXI os novos bombardeios contra a enferma democracia liberal vêm do populismo autoritário (de esquerda ou da nova direita radical), que está conduzindo vários países para um tipo de ditadura democrática (ditadura eleita pelo povo para destruir o próprio povo). Autoflagelação inconcebível.

    Quem ainda tem dúvida sobre isso é só passar os olhos nas Filipinas, onde o ditador Rodrigo Duterte usa seu poder para matar dezenas de pessoas diariamente. E tudo isso com amplo apoio popular! Ele mesmo se encarrega de alguns assassinatos.

    Bertold Brecht (1898-1956) dizia que “a cadela do fascismo [leia-se, hoje, do populismo autoritário] está sempre no cio, pronta para parir filhotes”.

    No Brasil de 2018 o protagonismo da violência política (isto é, do ódio, da alterofagia, que é a destruição do outro) já é um filhote parido. A guerra já começou. Milicianos, policiais, forças paramilitares, militantes civis armados e odiosos e guerrilhas campais e na internet. É só ir computando os cadáveres, a partir de Marielle, por exemplo!

    Publicado originalmente no Estadão: https://goo.gl/6tCSzx

    19 Comentários

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    Uma realidade que a grande maioria do povo brasileiro desconhece ou sequer se importa em conhecer.
    Eterno país do futebol e do carnaval. Se melhorar um pouquinho para que o povo não precise se preocupar com política, todos ficam satisfeitos.
    O povo brasileiro é cevado com migalhas e com elas se alimenta politicamente.
    Não sei se sou pessimista ou realista, mas não acredito em mudanças. Talvez alguma reação pontual mas mudanças, realmente não acredito.
    Uma maquiagem na economia já faz Temer se imaginar reeleito. Claro que se o faz, é em cima de pesquisas de opinião. Conhece o cavalo que monta.
    Imagine que espécie de povo ainda votaria no Lula. Aqui, milhões o fariam ou farão.
    As esperanças restam nas vozes que se levantam, nas pequenas vitórias que deixam exemplos de que é possível, se existir união.
    Precisamos clamar por educação. É nosso elixir da dignidade, embora em doses homeopáticas, única chance real de cura. continuar lendo

    Faltou a disciplina da política em nosso currículo escolar, por isso hoje somos um povo que não entende, não gosta, não pensa e não quer saber de política, porque não aprendeu a gostar e o sistema educacional fez de propósito em não ensinar como funcionava e como funciona esta engrenagem dos poderes políticos. Quem conseguiu aprender foram os filhinhos de papai através de seus pais e que hoje são os poderosos que dominam o país de geração em geração. continuar lendo

    Na verdade, não havia interesse em politizar o povo brasileiro, porque povo educado sabe votar e exigir seus direitos, além claro de cumprir com seus deveres. continuar lendo

    Mais de 40 milhões de brasileiros habitam “residências” sem acesso a água potável, mesmo vivendo no país com as maiores reservas de água doce do mundo. No país da JBS, que mais produz proteína animal no mundo, quase 15% das crianças nordestinas sofrem de desnutrição.
    A concentração de poder econômico e político acaba por destruir o círculo virtuoso que une trabalho (população), capital (máquinas, terras, equipamentos) e tecnologia (educação). Soma-se a isso, ex-presidentes que utilizam todas as reservas cambiais, que deveriam voltar para os pagadores de impostos brasileiros, para financiar milhares de obras no exterior via contratos “sigilosos”. Qual país do mundo irá se desenvolver sem investimento em infra-estrutura, tecnologia e pesquisa? Onde está o retorno para os brasileiros dessas milhares de obras feitas no exterior, com dinheiro suado do próprio brasileiro?
    Enquanto a nossa educação for uma piada, nossos impostos uma forma de transferir renda dos pobres para os ricos, e boa parte dos nossos “políticos” meros capachos serviçais de grandes empresas, seguiremos firmes e fortes como o mais desigual país do mundo. continuar lendo

    Realmente, o BNDES é uma caixa de Pandora, que quando for aberto, vai gerar maiores dissabores que a lava jato, infelizmente, nos como povo, só temos a ranger os dentes, e graças a iniciativa popular hoje, com inúmeras ONGS e projetos que longe da mídia auxiliam grande parte da população carente do pais, teriamos um estado muito pior de coisas.

    Não sei quantas gerações terão que passar para que se mude a política, mas esse jeito político adotado por "todos" ou "quase todos os partidos" é um destruidor de sonhos e de vidas. continuar lendo

    Michel, daí a importância da Lava-Jato, uma luz no fim do túnel desse Brasil atual. Essencial retirar da vida pública todos os políticos fichas-sujas e, a partir daí, refundar o país. continuar lendo

    Texto maravilhoso. Resumiu em poucas palavras o que eu penso e nunca consegui explicar com tanta clareza de idéias. continuar lendo

    Brilhante artigo. Isso me faz pensar que no Brasil não temos apenas larápios mas também pessoas notáveis como o professor autor desse texto. Precisamos derrubar essa elite corrupta e colocar lá quem realmente quer fazer pelo país. continuar lendo