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15 de Dezembro de 2018
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    Roubocracia e violência política

    Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 8 meses

    Foram os cruéis e medievais colonizadores (espanhóis, portugueses, franceses, holandeses) que implantaram a roubocracia na América Latina (roubocracia = governo ou poder regido pela roubalheira).

    Para cá eles vieram para roubar, estuprar, escravizar, queimar, aniquilar, extorquir, corromper, esquartejar, expropriar, espoliar, se apropriar, se enriquecer, devastar e destruir.

    Aqui a violência política (dos donos do poder) sempre foi uma realidade, porque irmã siamesa da roubocracia. A violência é empregada pelos donos corruptos do poder para manter as brutais desigualdades assim como para garantir a impunidade deles. Em algumas vezes a violência é o meio de execução da própria roubalheira.

    Nunca o Brasil, consequentemente, foi uma verdadeira democracia (governo eleito pelo povo e para o povo). As eleições e até mesmo os eleitos sempre foram comprados pelos donos do poder. Os políticos corruptos sempre se venderam, ou melhor, se alugaram (cada causa tem um preço). A nossa é, por conseguinte, uma democracia venal (simulacro de democracia).

    De outro lado, aqui não se governa para o povo (salvo raras exceções), sim, para os ladrões que dominam a nação. Ora de esquerda, ora de centro, ora de direita, mas ladrões.

    O roubo e a violência política são exercidos pelos mesmos grupos dominantes. Os atuais donos corruptos do poder (de esquerda, de centro ou de direita) são continuação dos primeiros colonizadores. Mesma tradição medieval perversa, regida pela ganância extrativista e espoliadora.

    Estão no poder para roubar, espoliar, sugar, parasitar, matar e eliminar quem se coloca como obstáculo aos seus desonestos propósitos.

    Marielle criticava o poder bárbaro dos milicianos no Rio de Janeiro. Fachin, cuja família está sendo ameaçada, é o ministro relator da Lava Jato (que está investigando os poderosos corruptos de todas as ideologias).

    Os donos corruptos e violentos do poder matam e ameaçam pessoas. A violência política, nesse caso, é empregada para a preservação do sistema corrupto (leia-se, da roubocracia), que só se detém quando uma força superior promove o império da lei. A Lava Jato não pode parar.

    A nova direita radical (NDR), usando os mesmos métodos populistas autoritários do esquerdismo revolucionário (revolução bolivariana, cidadã ou comunitária – Venezuela, Equador e Bolívia), aqui quer implantar um modelo regressivo de sociedade totalmente incivilizada (leia-se, uma sociedade civil totalmente incivil, onde prevaleça a guerra de todos contra todos, como afirmava Hobbes).

    Nem roubocracia (governos ou poderes regidos pela roubalheira) nem sociedades incivilizadas, reinadas pelo “estado de natureza” (ou seja, pela violência política bruta). As cabeças que pensam devem repudiá-las, porque destrutivas das nações.

    No princípio do século XX a democracia liberal foi duramente atacada por duas formas violentas de negação da própria democracia: pelo comunismo e pelo fascismo. Ambos, desde fora (do exterior), a derrotaram por um longo período.

    No Brasil a (sonhada) democracia liberal sempre foi aniquilada desde dentro, ou seja, por meio das eleições. Os donos corruptos e violentos do poder sempre manipularam e compraram muitos eleitores e, sobretudo, os eleitos, os parlamentares, os governantes. A nossa é (por natureza e tradição) uma democracia venal.

    No século XXI os novos bombardeios contra a enferma democracia liberal vêm do populismo autoritário (de esquerda ou da nova direita radical), que está conduzindo vários países para um tipo de ditadura democrática (ditadura eleita pelo povo para destruir o próprio povo). Autoflagelação inconcebível.

    Quem ainda tem dúvida sobre isso é só passar os olhos nas Filipinas, onde o ditador Rodrigo Duterte usa seu poder para matar dezenas de pessoas diariamente. E tudo isso com amplo apoio popular! Ele mesmo se encarrega de alguns assassinatos.

    Bertold Brecht (1898-1956) dizia que “a cadela do fascismo [leia-se, hoje, do populismo autoritário] está sempre no cio, pronta para parir filhotes”.

    No Brasil de 2018 o protagonismo da violência política (isto é, do ódio, da alterofagia, que é a destruição do outro) já é um filhote parido. A guerra já começou. Milicianos, policiais, forças paramilitares, militantes civis armados e odiosos e guerrilhas campais e na internet. É só ir computando os cadáveres, a partir de Marielle, por exemplo!

    Publicado originalmente no Estadão: https://goo.gl/6tCSzx

    27 Comentários

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    Uma realidade que a grande maioria do povo brasileiro desconhece ou sequer se importa em conhecer.
    Eterno país do futebol e do carnaval. Se melhorar um pouquinho para que o povo não precise se preocupar com política, todos ficam satisfeitos.
    O povo brasileiro é cevado com migalhas e com elas se alimenta politicamente.
    Não sei se sou pessimista ou realista, mas não acredito em mudanças. Talvez alguma reação pontual mas mudanças, realmente não acredito.
    Uma maquiagem na economia já faz Temer se imaginar reeleito. Claro que se o faz, é em cima de pesquisas de opinião. Conhece o cavalo que monta.
    Imagine que espécie de povo ainda votaria no Lula. Aqui, milhões o fariam ou farão.
    As esperanças restam nas vozes que se levantam, nas pequenas vitórias que deixam exemplos de que é possível, se existir união.
    Precisamos clamar por educação. É nosso elixir da dignidade, embora em doses homeopáticas, única chance real de cura. continuar lendo

    Faltou a disciplina da política em nosso currículo escolar, por isso hoje somos um povo que não entende, não gosta, não pensa e não quer saber de política, porque não aprendeu a gostar e o sistema educacional fez de propósito em não ensinar como funcionava e como funciona esta engrenagem dos poderes políticos. Quem conseguiu aprender foram os filhinhos de papai através de seus pais e que hoje são os poderosos que dominam o país de geração em geração. continuar lendo

    Na verdade, não havia interesse em politizar o povo brasileiro, porque povo educado sabe votar e exigir seus direitos, além claro de cumprir com seus deveres. continuar lendo

    Texto maravilhoso. Resumiu em poucas palavras o que eu penso e nunca consegui explicar com tanta clareza de idéias. continuar lendo

    Só não entendi que culpa têm os portugueses, os espanhóis, os holandeses, os franceses, etc., pelo fato de nós, brasileiros (não eles), enquanto eleitores, ainda (não mais no Séc. XVI) nos vendermos nas urnas ... nós, brasileiros (e não eles) enquanto governantes eleitos, ainda (não mais no Séc. XVI) nos corrompermos quando ocupamos o poder ... nós, Professor, não eles, ainda nos submetemos a isso ... se, de fato, nossa colonização não foi das mais louváveis (e nenhuma foi), isso foi a mais de 500 anos atrás ... já poderíamos ter virado esta página da história ... o Brasil está no estado em que está por culpa nossa, dos brasileiros, e de ninguém mais. continuar lendo

    É a etnia e ela transfere de geração em geração e perpetuando. Os ocupantes de o Brasil eram todos bandidos de gene ruim e imprestável, aventureiros porque o equador era tido como o inferno e para enfrentá-lo só diabos.
    Depois vieram os imigrantes que também na grande maioria eram miseráveis, e sem visão e iniciativas, excluídos em seus países.
    Um país que recebeu essas linhagens e suas hereditariedade perduram não pode sair do barbarismo.
    Você pode observar nos animais de criação e suas melhorias e aperfeiçoamentos.
    Hoje já possuem meios educacionais e científicos para melhorar e isolar os não compatíveis e o Brasil precisa urgentemente agir para não animalizar definitivamente. continuar lendo

    Parabéns pelo artigo. O povo e os detentores dos 3 poderes devem aprender a aplicar os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Devemos eliminar todos os tipos de fanatismos para não regredirmos ao tempo das ditaduras e da impunidade. continuar lendo