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18 de Agosto de 2018
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    Brasil já vive sua narcopolítica

    Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 6 meses

    Depois de uma devastadora recessão econômica e uma série de instabilidades políticas, vivemos uma ressaca dramática com um tipo de sociedade condenada ao fracasso eterno (em termos de crescimento econômico e desenvolvimento humano), se não fizermos uma revolução em favor da educação de qualidade para todos e se não for reprimida com firmeza a corrupção generalizada dos que exercem criminosamente o poder.

    Os donos corruptos do poder (de esquerda, de centro e de direita), com seus aparatos de proteção (judicial, midiática, intelectual e social), só pensam nos seus interesses, posto que apagaram das suas mentes a palavra ética. Não lutam por valores, e sim, por preços. Praticam a política do vale tudo para a conquista e preservação do sistema apodrecido (os fins justificam os meios, diria Maquiavel).

    Os políticos, em geral, tornaram-se dependentes do dinheiro para suas campanhas eleitorais. Alguns foram mais longe: criaram vínculos estreitos com o narcotráfico para se financiarem. Da soma do tráfico de drogas com a política nasceu a palavra narcopolítica, de onde deriva a narcodemocracia.

    Marcinho VP (prócer do Comando Vermelho), em recente entrevista publicada pela UOL, confirmou que “o narcotráfico financia campanhas eleitorais”. O ministro Gilmar Mendes vem denunciando isso faz tempo. O ministro da Justiça (Torquato Jardim) também colocou a boca no trombone (embora de forma generalizada). Até ministro de Estado estaria envolvido com a narcopolítica.

    Da conexão entre os narcoempresários (que comandam a narcoeconomia) e os políticos está nascendo uma confraria criminosa (a narcopolítica) que representa sério risco para a própria estrutura do Estado, com a corrosão das bases da democracia e o descrédito absoluto das instituições, que estão se evaporando.

    O sistema de segurança pública, por exemplo, disse o ministro da Defesa Jungmann, está “falido”. Ele acrescentou: “Quem controla o território controla o voto e conquista o poder de ocupar espaços na administração pública”.

    Ao lado ou mesmo dentro do Estado oficial já é nítida a presença dos grupos narcomafiosos, sendo emblemático o exemplo do Rio de Janeiro onde 850 favelas são dominadas pelo tráfico (D. Kramer), que vai conquistando espaços políticos e sociais, dominando não apenas as narcoeconomias locais, senão também as próprias comunidades, por meio do processo de clientelização (narcoclientelismo), que constitui uma nova base do processo eleitoral.

    Diante da erosão do Estado e da ineficácia das suas instituições, o velho clientelismo assistencialista em várias partes do território nacional vem se transformando em assistencialismo narcopolítico.

    O mundo científico está estudando o nível de alterofagia (destruição do outro) gerado pela criminalidade organizada, que está dizimando as indefesas e pouco escolarizadas sociedades, com destaque para o México e o Triângulo Norte (da morte), constituído por Guatemala, El Salvador e Honduras.

    É nítida a desintegração institucional do Estado, invadido tanto pelas organizações criminosas corruptas (protagonizadas pelos donos do poder) quanto pela narcopolítica. Calcula-se que 80% dos homicídios no Rio de Janeiro são praticados por traficantes e milicianos (O Globo), que se uniram e também financiam várias campanhas eleitorais.

    Há “cerca de 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro vivendo em um estado de exceção, sob o controle de bandidos, milicianos ou traficantes. Quem tem esse controle sobre o território, tem o controle político, é capaz de direcionar votos, de eleger seus representantes, fazer seus aliados, que se encontram na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa e mesmo no Congresso Nacional” (M. Pereira, O Globo).

    Somente a reunião de várias forças-tarefa (Polícia, Ministério Público, auditores fiscais, Forças Armadas etc.), com específico serviço de inteligência, pode retomar o Estado capturado pelo crime organizado da corrupção e do tráfico. Não precisamos de novas leis, e sim, da certeza do castigo.

    Publicado originalmente no Estadão: http://política.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/brasil-ja-vive-sua-narcopolitica/

    2 Comentários

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    Caríssimo doutor Luiz Flávio Gomes, vosso artigo é a realidade nua e crua do que se transformou o Brasil, penso que a trama dos desmontes da qualidade de ensino básico e fundamental e das próprias instituições de ensino superiores foram plantadas a décadas atrás, objetivando a "ignorância" do povo HOJE, que assim tornam-se presas fáceis de serem manobrados ou "enebriados", por caudilhos da política velhaca e da "Kleptocracia, referida por V. Excelência, e agora um novo mas apropriado termo a narcodemocracia, e o povo, ignorante sem formação escolar de qualidade, onde há 20 ou 30 anos atrás o ensino no final do mês fazia provas de conhecimentos e quem não fosse aprovado era porque não estudava e ia ficando para trás dependente de recuperação etc., hoje em no Estado de São Paulo, smj, os alunos passam de ano, sem serem submetidos a provas de conhecimento, ou seja não estudam e o Governo finge que esta tudo certo, e os Pais por falta de tempo ou por ignorância,"acham que tudo vai bem. Ai vem as eleições e a televisão se torna um desfile de criminosos, ladrões de Estado, pedindo votos, entre eles obviamente os narcotraficantes, infiltrados, mas a polícia, os partidos e a Justiça sabem quem são, mas pouco ou nada fazem. De outro lado doutor Luiz, temos a legislação penal arcaica, que precisa URGENTEMENTE ser revista, ou vamos afundas o Brasil, a bandidagem toma conta, mas qual bandidagem, há não falo somente do pequeno ladrão, mas sim de delinquentes que manobram nada mais nada menos do que o PIB do Brasil, se enriquecem aos bilhões de dólares, remetem dinheiro para o exterior, e voltam na TV prometendo, esgoto, água tratada, rodovias de qualidade, ensino cientifico nas escolas ", que nunca chegam", etc, assim ou o povo se rebela, ou continuará a ser tratado como lixo, como hoje, ontem e amanhã serão, por todos os partidos políticos! continuar lendo

    com essas leis não haverá milagre, a certeza da impunidade é a única coisa que não se tem duvida , e vamos prá quinta instância? continuar lendo