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21 de Novembro de 2017

Gilmar Mendes e a corrupção de Mato Grosso

Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 2 meses

▸O belo e pujante Estado de Mato Grosso, evidentemente, não é uma “monstruosidade”. Do ponto de vista do exercício emporcalhado do poder, no entanto, é um retrato miniaturizado da cleptocracia parasitária chamada Brasil, que não passa de uma democracia apenas formal (sem substância). Cleptos = ladrões; cracia = governo, poder. A Lava Jato está revelando que o Brasil é mesmo um governo de ladrões.

A delação do ex-governador Silval Barbosa, do PMDB (uma “monstruosidade”, disse o ministro Fux), descreve com perfeição como se exerce perversamente o poder numa cleptocracia parasitária (que não tem nada a ver com as verdadeiras democracias).

Para não atrapalharem a roubalheira generalizada do dinheiro público (praticada impiedosamente pelos ladrões invisíveis juntos com os visíveis), alguns deputados, prefeitos e conselheiros do Tribunal de Contas passaram a receber propinas mensais.

Alguns ladrões parasitas foram filmados. Nos seus rostos está estampado um prazer indescritível. A chefia da quadrilha, diz o Procurador-Geral, cabia a Blairo Maggi, que é ministro do governo ladrão de Temer, que não pode demiti-lo, sem antes assinar seu próprio pedido de demissão voluntária (PDV).

A delação do monstro Silval Barbosa (que confessou milhares de crimes) tem quatro volumes, 15 apensos e incontáveis gigabytes de cenas explícitas da corrupção desenfreada.

Quando a polícia entrou na casa do governador mato-grossense a reação de espanto do ministro Gilmar foi também monstruosa: “Que absurdo!”, “Meu Deus do céu!”. Tudo isso foi interceptado licitamente.

Como membro do aparato de proteção das grandes quadrilhas de delinquentes do dinheiro público, prometeu falar com o ministro relator do caso (repita-se: prometeu falar com o relator) e se despediu afetuosamente: “Um abraço aí de solidariedade”.

Só numa cleptocracia parasitária completamente degenerada um ministro da Corte Suprema se expõe prestando solidariedade a um mafioso delinquente do dinheiro público. Pelo imediato impeachment de Gilmar Mendes, que está envergonhando (mais ainda) a magistratura brasileira.

Mato Grosso (tanto quanto São Paulo, Brasília etc.) faz parte de uma estrutura parasitária de poder, que é dominada por ladrões invisíveis e governada por ladrões visíveis. Quem não faz parte da roubalheira, está pagando a conta. Ninguém escapa do “sistema”.

Na primeira categoria (invisíveis) estão setores do poder econômico e financeiro que financiam ou influenciam a governança; na segunda (visíveis) se acha o poder político-administrativo, leia-se Executivo e Legislativo, ressalvadas as honrosas exceções.

As carreiras criminosas desses ladrões invisíveis (os que dominam) assim como dos ladrões visíveis (os que governam) não teriam sucesso se não existisse o auxílio dos aparatos (1) operacional (Lúcio Funaro, por exemplo), (2) de proteção (policial e judicial, sobretudo), (3) de justificação (laboratórios de ideias, partidos, sindicatos etc.) e (4) de intimidação (ameaças, coerções e perseguições).

8 Comentários

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Nós de Mato Grosso estamos totalmente sem esperanças, cada dia uma decepção diferente, sentimento de impunidade e impotência tomando conta... continuar lendo

Todo o Brasil está assim, ai temos Lula de um lado Bolsonaro do outro e nada de novo, nenhum nome que realmente velha a pena militar, só os nomes dados pelos sistema partidário oligárquico que temos! continuar lendo

gilmar mendes é um dos piores bandidos corruptos de toga na história recente do Brasil.Um guerra civil ou ntervenção militar. continuar lendo

Eu até parei de buscar essas notícias, pois é cada dia uma loucura diferente, ética não temos há muito, honestidade nem se fala, cara de pau essa foi a ultima coisa que se perdeu e por fim temos um país em 2017 que vive nos anos 50, atrasado socialmente, culturalmente, economicamente e politicamente, é Brasil ame e deixe-o, pois não há outra alternativa, mas se for forte fique aqui e esqueça política, pois só dá desgostos! continuar lendo

Caro Roberto,

Um das saídas para frear de vez estas quadrilhas, seria uma Intervenção Militar temporária para colocar o pais nos eixos e prender e confiscar os bens de toda bandidagem travestida de políticos.Sabemos que não seria uma tarefa fácil, mas se começar pelo andar de cima do judiciário principalemnte este bandido togados gilmar mendes garanto que algo possa mudar.Caso permaneça com este ministro no STF, é enxugar gêlo e como elel mesmo intitula o Deus do olímpio do judiciário.Será que não tem "Homem" para colocar este cretino na cadeia com vendas de sentenças?.Chega não aguento mais tanto cinismo e descaso com nosso povo que não merece ser governado pelas quadrilhas do crime organizado. continuar lendo

Caro José Neto,

Intervenção militar nunca resolveu problema nem no Brasil, nem em qualquer outro lugar do mundo.

Pelo contrário, como vimos aqui (se analisar devidamente os registros do regime autoritário, oligárquico e que aqui se instalou nos anos 60, 70 e 80) se tornaram meios para ascensão como Odebrecht, Carmago Correa, Globo e tantos outras instituições que corrompem o Estado.

Militarismo no país só permitiu maior facilidade a coerção para tomada do público pelo privado.

(Sugiro leitura de https://www.brasildefato.com.br/node/29039/).

A corrupção está encrustada na população, seja no mais alto escalão do poder, seja nos pequenos atos do dia-a-dia.

Enquanto não houver investimento e uma "revolução" na educação brasileira, isto é, nas palavras de um professor de Harvard, "pararmos de usar como diretrizes a educação francesa do século XX", não haverá alteração.

(sugiro leitura https://www.cartacapital.com.br/blogs/vanguardas-do-conhecimento/claudia-costin-a-educacao-no-brasil-nao-ensina-a-pensar)

Poder nas mãos de autoritarismo militar ou oligarquias financeiras, econômicas e midiáticas, não alterarão a sociopatia cleptomaníaca e o clientelismo que já remonta 500 anos de existência do país.

Enquanto continuarmos nesse círculo vicioso, nada mudará. Enquanto sentarmos e reclamarmos, mas não vigiarmos nossos representantes e fazermos valer os interesses do coletivo, cuidarmos do público, estaremos fadados aos mesmos erros.

Ou como diz Edmund Burke, “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. continuar lendo

Desculpe José, mas não compro sua ideia, saída tem que ser democrática, voto, passeatas e manifestações, se somos letárgicos a tendência é continuar assim, sei que estamos em um momento difícil, mas a democracia é o caminho, não preciso nem de muitos argumentos quanto a isso, democracia sempre, estado de exceção jamais! continuar lendo

O que acontece no Brasil é uma pilhagem. Os poderosos arrancando lascas do Brasil, como se o País fosse acabar. E nós, pobres mortais, observamos incrédulos e pasmos. continuar lendo