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21 de Novembro de 2017

Maia no lugar de Temer: mais uma geração de degenerados

Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 4 meses

O “mercado” (mundo do dinheiro graúdo que manda na grande mídia e no Brasil) teria dado sinal verde para Rodrigo Maia (DEM) assumir a presidência da República no lugar do desgastado e degenerado Temer.

O “mercado” em 2014 quase emplacou o larápio-mor Aécio Neves (PSDB, o homem das quatro malas de R$ 500 mil cada uma); em 2016 conseguiu levar a quadrilha do Temer (“máfia do PMDB da Câmara”) ao poder, derrubando Dilma, que retratava a ala poste da máfia petista. Agora o ungido pelo “mercado” seria Rodrigo Maia.

Em países como o Brasil (cleptocrata = governo comandado por muitos ladrões, que surrupiam grande massa do dinheiro público para eles), que é conduzido por proto-mafiosos corruptos do mundo empresarial, político e financeiro (ou seja, pelas “famiglie” plutocratas, donas do poder e do dinheiro espoliado da nação), não se abrem espaços, particularmente no plano Executivo, para novas lideranças limpas e honestas.

No Legislativo há maior chance de renovação, mas nada se muda facilmente. Em 2014, 50% dos eleitos pertenciam a dinastias. Isso merece ruptura urgente.

Enquanto o clube dos mafiosos dominar o País, a presidência da República será (quase) sempre assumida por alguém que transmita confiança aos “negócios” dos grupos organizados que parasitam o poder.

Busca-se sempre alguém já inteirado das falcatruas, das trapaças, dos acessos livres ou subsidiados ao dinheiro público, alguém já financiado (azeitado) ilicitamente pelo mundo empresarial-bancário, alguém com a Lógica de Esparta, que treinava seus jovens nas destrezas necessárias para ter êxito no mundo do crime. Eles nunca eram punidos por roubar, e sim, quando fracassavam. O que se pune não é roubo, é o fracasso.

Rodrigo Maia (o “Botafogo”, de acordo com as planilhas da Odebrecht) já passou por várias experiências de roubalheiras do dinheiro público em sua vida. Até aqui, tudo bem sucedido (não tem condenação penal e seus inquéritos não terminam nunca; isso demonstra astúcia, que Temer e Aécio não tiveram, porque acabaram sendo gravados pela JBS e denunciados na Justiça).

Para o clube dos mafiosos que comanda o Brasil, o fracasso é um detalhe mortal. O que ele pune não é a roubalheira, repita-se, é o fracasso (é o ser pego pela polícia e pela Justiça). Temer e Aécio caíram em desgraça por isso.

Em 2005, Lula foi surpreendido na roubalheira do mensalão. Mas não fracassou. Daí não ter sido punido, nem sequer com impeachment. Quem rouba e não fracassa, continua no páreo. Se for pego pela Justiça, será carta fora do baralho (como Dilma reconheceu numa ocasião).

Os delatores dizem que Maia recebeu dinheiro da Odebrecht, via caixa dois, nas eleições de 2008, 2010 e 2012. R$ 1 milhão. Cinco delatores afirmaram a mesma coisa. Da OAS ele recebeu propina (em 2013) de também R$ 1 milhão. Teria ajudado a Braskem na MP 613/13 (benefícios fiscais). “Cláudio, tem como ajudar?” (disse Maia para o representante da Odebrecht). E a ajuda saiu (em troca de apoios legislativos). No celular de Léo Pinheiro (OAS) a polícia achou mensagens de Maia (pedindo dinheiro em troca de favores legais). Maia conhece bem os meandros de toda essa bandalheira na vida pública brasileira.

O clube dos mafiosos (que segue a Lógica de Esparta) acredita que a prosperidade na vida depende dos domínios das destrezas de um bom ladrão.

Enquanto os inescrupulosos proto-mafiosos estiverem no comando do Brasil, esse será o requisito principal deles para ser o primeiro mandatário. Eles exigem alguém que transmita confiança ao “mercado”. Maia, por força da nossa tradição, seguramente não será o último dos degenerados a presidir o Brasil.


Link: http://luizflaviogomes.com/maia-no-lugar-de-temer-mais-uma-geracao-de-degenerados/


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