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17 de Outubro de 2019
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    Espírito Santo: corrupção, desordem e a bomba relógio da ira social

    Luiz Flávio Gomes, Político
    Publicado por Luiz Flávio Gomes
    há 3 anos

    A Lava Jato (tanto em primeiro grau como no STF) precisa acelerar seus passos, dentro do Estado de Direito, para rapidamente livrar o povo brasileiro dos donos corruptos do poder. Isso poderia impedir algumas tragédias anunciadas.

    A população desacreditada busca por esse mínimo de esperança, porque sabe que a bomba relógio (social) pode explodir (em qualquer momento) nacionalmente.

    Em 2017 já tivemos a eclosão da ira social em Manaus (Amazonas), Roraima e Rio Grande do Norte (a comoção transcendeu o ambiente dos macabros massacres nos presídios). Um susto enorme na população também ocorreu em Bauru (SP).

    Agora está em curso a tragédia do Espírito Santo (que pode estimular novas rebeliões por todo país, conforme o seu desfecho). A Polícia Militar do ES (ou parte dela) entende que os programas de ajuste fiscal do Estado esqueceram de valorizar o policial (esse foi o estopim). Para ela não houve reconhecimento efetivo dos direitos das pessoas trabalhadoras, que somente se tornam realidade quando as pessoas se organizam.

    Os policiais, diante dos bloqueios feitos pelos seus familiares, deixaram de ir para ruas (a greve das polícias, no entanto, segundo entendimento consolidado no STF, é proibida). As lojas foram saqueadas e os homicídios explodiram: de 3,2 por dia (essa é a média de 2016 – ver Veja) foram para mais de 100 em 6 dias.

    A população, vendo o colapso do serviço público, entrou em desespero (escolas sem aulas, falta de transporte público, postos de saúde fechados, repartições públicas com atendimento precário etc.).

    A grande mídia fica apenas na superfície desses levantes emblemáticos, como o do Espírito Santo.

    Ela não informa que a corrupção sistêmica (na casa dos bilhões, segundo a Lava Jato) dos governantes ladrões (cleptocratas) em conjunto com os barões ladrões plutocratas (saídos de setores das elites do mercado econômico e financeiro bem posicionadas dentro do Estado) impede o crescimento econômico, aprofunda a desigualdade e produz a bomba relógio da explosão da ira social.

    É a roda das tragédias sociais. As crises (econômica, política, ética) se transformaram em caos, o caos gera o colapso de alguns serviços públicos (segurança, por exemplo) e este constitui o estopim da explosão da ira social.

    O Brasil, em 2016, estava dentre os dez maiores riscos geopolíticos do planeta (ao lado inclusive do Estado Islâmico).

    As razões para isso, segundo o cientista político Ian Bremmer, fundador e presidente da Eurasia, principal consultoria de risco político do globo terrestre, são as seguintes: crise econômica, crise política e instabilidade gerada pela Lava Jato (ver M. Ninio, Folha, 31/5/16).

    Tony Judt (um dos mais importantes pensadores do século passado), no seu livro Pensar el siglo XX, escreveu: “o desafio da nossa geração não é escolher entre o capitalismo e o comunismo, entre o final da história (Fukuyama) ou o retorno da história, sim, entre a política de coesão social baseada em propósitos coletivos e a erosão da sociedade mediante a política do medo” (sublinhei).

    Coesão ou erosão (a escolha compete a cada país).

    As inúmeras crises (econômica, política, fiscal, hídrica, institucional) estão nos levando para o caos. Do caos ao colapso é um passo. A bomba relógio da implosão social é a consequência (possível, porém não necessária) de tudo isso.

    Todo brasileiro já percebeu que o Brasil caminha para a total falta de coesão social, sobretudo se não mudarem os rumos do atual governo, que é continuação do sistema político-empresarial corrupto.

    Salvo se surgirem várias cabeças pensantes bastante responsáveis que pensem nos interesses da nação (não nos seus particulares), a situação vai continuar se agravando, sobretudo com os atuais governantes que só querem sobreviver (na política e na impunidade).

    Sem uma interferência decisiva do povo nas ruas, nas redes sociais e nas medidas judiciais, as oligarquias nada mudarão (e vão fazer eclodir a bomba da falta de coesão social).

    Nas minhas redes sociais, muitas pessoas perguntam se sou a favor da intervenção militar. Aproveito para esclarecer: no meu modesto entendimento, intervenção militar só pode ocorrer justamente na forma que está acontecendo no ES.

    Como disse o Comandante do Exército, general Villas Bôas, ela só pode se dar nos termos dos artigos 136, 137 e 142 da Constituição, com o intuito e no sentido de manter a ordem e a paz social em momento de caos, o que é totalmente diferente de golpe ou ditadura militar, como aconteceu no Brasil nos chamados “anos de chumbo”.

    Em golpes militares (ou cívico-militares), os direitos individuais (inclusive o direito de discordar) ficam suprimidos, e o cidadão fica acuado, se sentindo constantemente ameaçado e reprimido.

    Se a intervenção nos termos do art. 142 não for suficiente, velhos institutos empoeirados talvez sejam desenterrados: Estado de Defesa (art. 136) e Estado de Sítio (CF, art. 137), que possibilitam restrições mais graves dos direitos fundamentais.

    As suspensões das democracias são momentos tristes da história. A democracia é o pior regime existente, com exceção dos demais (Churchill). Por isso que sou pela democracia (que deve ser aprimorada diariamente).

    Um quadro militarizado (em plena globalização) pode agravar a deteriorada situação econômica do país porque vai minguar, ainda mais, a credibilidade no Brasil (que de país emergente em ascensão – rumo a um power soft - pode ser desclassificado para país em desmoronamento social). Ele também afugenta os investidores (tal como no quadro de corrupção).

    É um erro supor que durante uma ditadura não haja corrupção. Os militares também são cercados de vigaristas e empresários parasitas. O caso Capemi, assassinato de Baumgarten, as falcatruas de filhos de generais (do Golbery, por exemplo), o caso Coroa-Brastel etc. Estão todos registrados na história.

    Desde a proclamação da República (1889) já vivemos 41 anos sob o regime ditatorial cívico-militar (1889-1894; 1930-1945; 1964-1985). Essa página está virada (diz o general Villas Bôas, Comandante do Exército). Ele foi explícito: não haverá golpe militar, apesar do agravamento da crise social, que é previsível (Estadão, 10/12/16). Se necessário, aplica-se o art. 142 da CF (ele concluiu).

    As maiores melhorias para a população (estabilidade da moeda, programas sociais de inclusão etc.) aconteceram nas últimas décadas democráticas, dos anos 90 até 2010 (veja Trajetória das desigualdades, org. Arretche).

    O que se lamenta é que tenham sido também uma época de muita corrupção (que é uma das causas das crises que estamos vivendo). Sem passar o Brasil a limpo não teremos nunca ordem e progresso sustentáveis.

    Esprito Santo corrupo desordem e a bomba relgio da ira social

    2 Comentários

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    Algumas medidas judiciais também são imorais, vide auxílio moradia para quem mora em sua própria casa.

    O Militar é proibido greve, fica bem claro na constituição (art. 142, § 3º, IV), talvez seja por isso que os Governadores não querem desmilitarizar a PM. Pois, tem leis especiais regulando e colocando sobre uma grande disciplinas e deveres com restrição de direitos.

    Colocar a culpa só nos políticos não dá, pois eles são nosso reflexos. Pegando carona na Teoria da Janelas Quebradas, quantas pessoas "do bem" sem "passagem" saquearam lojas no Espírito Santo?

    Maquiável também participa bem do nosso cenário, o Príncipe é bem utilizado, os fins justificam os meios. Não é apenas os "políticos"que utilizam, os protestos sejam eles de esquerda ou direita quando saem nas ruas com a bandeira da corrupção só seu inimigo é a mesma coisa. O fim é retirar ou enfraquecer seu inimigo, a bandeira da corrupção era o apenas o meio.

    A nossa "política" até o momento está mais para Palmeiras e Corinthians, no pejorativo mesmo, daqueles torcedores que não usam a razão, apenas a emoção.

    Sobre a Intervenção Militar, para quem defende, precisaria de algum exemplo de algum país que tenha um grau de corrupção e criminalidade baixo em função dos militares.

    Enquanto o cidadão não respeitar a Constituição é não exercer sua cidadania de verdade nada irá mudar. continuar lendo

    Quanto ao exemplo de país onde o índice de corrupção e criminalidade seja baixo, na gestão dos militares, acredito que não conhece o potencial de riquezas que nosso Brasil possui....Se fizer um levantamento de 1988 até os dias hoje, quantos políticos e magistrados forram condenados e presos? Demonstra claramente que o sistema representativo e esta constituição, está totalmente fora do contexto atual.Somos uma nação riquíssima com recursos imensuráveis e uma desigualdade efêmera e injusta.Qual país que gasta somente com o poder judiciário cerca de 1,8 % do PIB?Qual retorno deste investimento?Entendemos que os militares consegue diminuir altos índices de corrupção e posso afirmar, que com uma boa gestão e reforma na constituição, nosso país seria uma potência mundial continuar lendo