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1 de Abril de 2020

Sem união de todos nós não há saída

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 4 anos

Se o sistema político brasileiro é um cadáver em decomposição, como muitos reconhecem, todos nós temos a obrigação de reconstruí-lo. Os que avançaram o sinal vermelho em termos de corrupção devem ser devidamente investigados e, eventualmente, punidos pela Justiça, da qual se espera a máxima isenção assim como a firmeza necessária, sem nunca menoscabar o Estado de Direito.

Se a sensação generalizada é de que estamos diante de um sistema exaurido, por que ainda não foi colocado ponto final nele? Por incrível que pareça, esse sistema inteiramente corrupto só não foi ainda enterrado em virtude da luta aguerrida entre os chamados pejorativamente “coxinhas”, “petralhas” e “isentões”. Prestemos atenção: é bem provável que somos os últimos sustentáculos do modelo partidário que já se esgotou e que nada mais tem a oferecer de útil para os brasileiros.

Carregamos diariamente sobre nossos ombros verdadeiras urnas funerárias, como se elas pudessem milagrosamente se ressuscitar. Não vale a pena na breve vida de que dispomos lutar por quem pensa prioritariamente em seus interesses, esquecendo-se do mais importante, que é o bem comum, que está exigindo de todos nós agora uma decisão corajosa de propor algo construtivo, como por exemplo a diminuição pela metade do número de deputados federais, estaduais e vereadores. Quando os tempos exigem, devemos copiar William Gladstone, que foi primeiro-ministro na Inglaterra, na segunda metade do século XIX. Ele dizia que em tempos difíceis devemos “poupar tocos de vela e raspas de queijo pelo bem do país”.

A Nova República feneceu. É hora de superar o luto e de promovermos a maior reforma política e eleitoral da nossa História, impondo regras de barreira eleitoral (para diminuir o número de partidos políticos, facilitando o surgimento de novas forças robustas). Temos que restringir drasticamente o número de pessoas com direito ao foro especial por prerrogativa de função, que se torna mais nefasto para os interesses do país quando combinado com a nomeação pelo Executivo dos ministros dos Tribunais Superiores. Dois antigos privilégios da aristocracia que não combinam com o regime republicano.

Não nos compete dar relevância para um sistema político que tanta tragédia nos causou, jogando-nos ao abismo da desesperança. Seu ciclo acabou. Seu prazo de validade venceu. Está encerrado o tempo das lideranças carcomidas pelas próprias falcatruas. Deixemos a Justiça se encarregar da sua defenestração, abrindo espaço para o novo, para o moderno, para novas ideias condizentes com os tempos atuais (transparência, democracia direta na elaboração do orçamento público, responsabilidade etc.).

Vamos entregar as elites empavonadas, aristocráticas ou sindicalizadas, e, sobretudo, desonesta, para a Justiça criminal que, dentro da lei, deve impor os castigos devidos (fazendo-se a necessária profilaxia). Não podemos ter como profissão ou hobby o carregamento de urnas funerárias, onde jazem corpos fétidos e putrefatos. Não vale a pena suportar nas nossas costas pesos inúteis e caros, que sempre viveram do Brasil, não para o Brasil.

Que nunca mais alguém possa dizer que “Cunha é o bandido que eu mais gosto”. Isso foi externado por Roberto Jefferson, presidente (reassumido) do PTB, que foi delator do mensalão. Com essa forma de pensamento a política brasileira nunca experimentará qualquer tipo de mudança.

Se até Paulo Maluf está chocado com as “negociatas” de todos os lados, isso significa que as novas gerações têm uma enorme responsabilidade pela frente. Sejamos mais cuidadosos e mais críticos.

Um artista plástico holandês – Florentijn Hofman – vem afirmando que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) plagiou o seu pato, em sua campanha contra o aumento de impostos chamada “Não vou pagar o pato”. A obra Rubber Duck (ou pato de borracha), exposta em São Paulo em 2008, seria de sua autoria. Plágio e crimes contra os direitos autorais estariam por detrás das campanhas moralizantes da Fiesp.

Enquanto tudo não ficar esclarecido, não podemos protestar contra a corrupção e as bandalheiras do país na frente da Fiesp (Avenida Paulista, em São Paulo), louvando o pato plagiado. Mais: com camisa amarela onde se lê FIFA (símbolo da corrupção mundial). A Fiesp se beneficou do rebaixamento da tarifa de luz, feito irresponsavelmente pela Dilma. Hoje se sabe que isso também ajudou a afundar o país. Tudo isso tem que ser banido do futuro do país. Modificando pequenas coisas no nosso comportamento faremos grandes diferenças. O gigante brasileiro necessita da nossa união em torno de projetos coletivos comuns.

  • CAROS internautas que queiram nos honrar com a leitura deste artigo: sou do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e recrimino todos os políticos comprovadamente desonestos assim como sou radicalmente contra a corrupção cleptocrata de todos os agentes públicos (mancomunados com agentes privados) que já governaram ou que governam o País, roubando o dinheiro público. Todos os partidos e agentes inequivocamente envolvidos com a corrupção (PT, PMDB, PSDB, PP, PTB, DEM, Solidariedade, PSB etc.), além de ladrões, foram ou são fisiológicos (toma lá dá ca) e ultraconservadores não do bem, sim, dos interesses das oligarquias bem posicionadas dentro da sociedade e do Estado. Mais: fraudam a confiança dos tolos que cegamente confiam em corruptos e ainda imoralmente os defendem.

*Artigo Livre para Publicação em Sites, Revistas, Jornais e Blogs.

Sem unio de todos ns no h sada

38 Comentários

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Um dos motivos que frequento o JusBrasil são os textos como do nobre jurista Luiz Flávio Gomes.

Concordo plenamente! Sem união nada irá efetivamente evoluir. O problema é que para o povo se unir, o pensamento deveria ser o mesmo (e apesar de parecer, não é). Por exemplo:

Reforma Política URGENTE;
Poder judiciário ser apartidário e imparcial, punindo a todos os que já se tem farta evidências de corrupção (ou pelo menos, sendo inviável, que seja punido simbolicamente as principais figuras de cada partido dentre os corruptos);
Cobrança do Congresso pelas mudanças, além da Reforma Política;
Em 2018, para Governadores, deputados, senadores e presidente, Campanha firme pela não votação dos principais partidos envolvidos em corrupção, DEM, PSDB, PT e PMDB. continuar lendo

Partidos políticos no Brasil são iguais a times de futebol Todos querem jogar no time que está ganhando ou pagando melhor.
Sinceramente, na falta de ideologias partidárias eu prefiro selecionar pessoas. Diferenças ideológicas são sempre discutíveis e sua discussão pode sim levar a termos mais abrangentes de governabilidade. continuar lendo

Concordo plenamente com o seu comentário! continuar lendo

Concordo em parte, porém todos os partidos, sem exceção, tem envolvimento com a corrupção. Se não está numa lista, está em outra. Não devemos votar em nenhum deles. Mudar as urnas deveria ser bandeira de quem realmente quer mudar o país. De nada adianta mudar sistema eleitoral sem começar pelas urnas fraudulentas. E os partidos PP, PSC, PV e outros que perdi o controle das siglas. Basta de criar partidos para bancadas diversas quando é o povo que paga impostos sem ter retorno. Hora de união pelo povo e para o povo. Judiciário, papel lamentável em todo o processo que está acontecendo. Esqueceram a tripartição dos poderes. Ninguém respeita ninguém. Contudo ainda me preocupa a possibilidade de um golpe daqueles que tanto roubam e querem perpetuar no poder. E os grandes sonegadores? também não se comentam nada a respeito. Já perdoaram dívidas de planos de saúde. O que vem agora? perdoar dinheiro sonegado e desviado para fora do país? continuar lendo

Essa história de bandido preferido vem desde a época do Maluf, com o infame "rouba, mas faz".
É coisa de louco, que se fosse contada na Islândia iria fazer muita gente dar risada e duvidar de tamanho absurdo.

A melhor providência sugerida no texto foi esta:
"Temos que restringir drasticamente o número de pessoas com direito ao foro especial por prerrogativa de função".

Essa é a frase que tem ser um dos lemas na próxima Assembleia Constituinte.
Essa é a diretriz que pode fazer uma diferença tão grande quanto fez a Lava a Jato.

Se repudiamos o Direito Penal do Autor, não faz sentido convivermos com o "Juiz Natural do Autor".
Apenas mudaria de "reduzir drasticamente" para "reduzir a zero".

Existe coisa mais democrática do que o Presidente do STF ser julgado no Jecrim por um crime de trânsito?
Seria lindo demais....Não sei se o Brasil do "você sabe com quem está falando" está pronto para isso. continuar lendo

Consegui imaginar o Lewandowski tentando compor um acordo... continuar lendo

Está difícil.
Inclusive saber por onde começar quando a casa toda está desarrumada e não existe espaço para movimentação.
Reduzir o estado, uma sugestão a aplaudir. Acabar com os foros privilegiados e justiças inacessíveis, ou seja, a saída nunca pode ser única de modo que a justiça seja apenas opção de uma pessoa ou cargo.
O desmonte do atual governo não termina a limpeza e muito menos a arrumação. É preciso desinfetar os espaços, uma espécie de dedetização para que não se criem novas e resistentes espécie de ratos.
É preciso total independência entre os poderes e ferramentas para punir severa e rapidamente quem ousar descumprir essa determinação constitucional.
É preciso mudar e melhorar a constituição para dignifica-la e fazer dela a única bandeira hasteada da justiça.
É preciso entender que nem mil "Moro's" conseguirão desvendar esse mar de lama em tempo recorde. A limpeza terá de ser gradual e dirigida sempre às prioridades e o Brasil não pode ficar esperando para recomeçar.
É preciso acabar com o voto manipulável. Voto tem que ter a dignidade da consciência.
Sou a favor também na diminuição do estado que se reduzam drasticamente o número de municípios, verdadeiros ralos por onde escoam as riquezas do país. continuar lendo

Em quase tudo concordo com a sensatez do sr. Flávio, porém não consigo perceber lógica em falar mal de tudo e de todos sem se posicionar minimamente a favor da Democracia. Essa Democracia que não veio à toa, houve luta e lutadores, se há falhas nesse governo é porque é fruto dessa mesma Democracia e só nesse governo vemos a Justiça trabalhar, mesmo que contra o próprio governo. Achar que comungar com o Impedimento vai ajudar o país, é achar que não pode haver Democracia pois logo que outro entrar poderá ocorrer o mesmo e assim por diante. continuar lendo