jusbrasil.com.br
17 de Outubro de 2019

Kátia Abreu joga vinho na cara de Serra: roubar o povo ou ofender sua honra gera ódio e desprezo ao Príncipe (Maquiavel)

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 4 anos

LEMBRETE aos internautas que queiram nos honrar com a leitura deste artigo: sou do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e abomino todos os políticos profissionais desonestos assim como sou radicalmente contra a corrupção cleptocrata de todos os agentes públicos (e privados) que já governaram ou que governam o País, roubando o dinheiro público (PT, PMDB, PSDB, PP etc.). Todos os partidos e agentes comprovadamente envolvidos com a corrupção, além de ladrões, foram ou são fisiológicos (toma lá dá ca) e ultraconservadores dos interesses das oligarquias bem posicionadas dentro da sociedade e do Estado. Mais: fraudam a confiança dos tolos que cegamente confiam em corruptos e ainda os defende.

Ktia Abreu joga vinho na cara de Serra roubar o povo ou ofender sua honra gera dio e desprezo ao Prncipe Maquiavel

O ano de 2015 está terminando com uma marca peculiar: é o primeiro na História do Brasil em que a corrupção passou a ser percebida como preocupação número um da população (Datafolha – nov/15). É claro que o Brasil conta com muitos outros problemas tão ou mais relevantes que a corrupção: desigualdade extremada, racismo, a saúde está na UTI, baixa escolaridade, infraestrutura precária, descontrole da inflação, desemprego em alta etc. Mas não deixa de ser auspiciosa a consciência coletiva de reprovar as roubalheiras decorrentes das indecorosas “parcerias público-privadas”, tais como as apuradas na Lava Jato.

Vendo a quantidade de empresários, empreiteiros, políticos, altos funcionários e banqueiros/financistas investigados, presos, processados e até condenados, também pela primeira vez estamos observando com clareza que o conceito de patrimonialismo está mal explicado, posto que ele não deve ser aplicado exclusivamente ao Estado: boa parcela do Mercado (econômico e financeiro), em simbiose íntima com o Estado, se vale das relações de “cordialidade” (Buarque de Holanda), para praticar todo tipo de trapaça com o propósito de incrementar ilicitamente seus ganhos primitivos. Buscar lucro num empreendimento é uma coisa muito válida, ser ladrão do dinheiro público, sobretudo em um contexto de um governo cleptocrata, é outra muito diferente.

A roubalheira cleptocrata do dinheiro público (promovida pelas oligarquias, partidos e corporações bem posicionados dentro do Estado por força do poder político, econômico e/ou financeiro) gera muito ódio e desprezo na população. Maquiavel[1] já dizia que todo Príncipe (todos os que exercem poderes), para evitar o desprezo e o ódio, “deve abster-se de praticar o que quer que o torne detestado ou desprezível; o que, acima de tudo, acarreta ódio ao príncipe é (…) roubar e/ou ofender a honra das pessoas”.

Não se toca “nos haveres e na honra” de ninguém. Disso o Príncipe deve se abster, para então só enfrentar a ambição [desabrida] das pessoas. O que o torna desprezível, ademais, é ser tido como volúvel, leviano, covarde e irresoluto. Isso deve ser evitado pelo Príncipe, “do mesmo modo que o navegante evita um rochedo. Deve ele fazer que em suas ações se reconheçam grandeza, coragem, gravidade e fortaleza e, quanto às ações particulares de seus súditos, deve fazer que a sua sentença seja irrevogável, portando-se de modo tal que ninguém pense enganá-lo ou fazê-lo mudar de ideia.”[2]

Código mínimo: não roubar nem ofender a honra das pessoas

Kátia Abreu (PMDB), Ministra da Agricultura, no dia 9/12/15, jogou uma taça de vinho na cara do senador José Serra (PSDB), depois que este disse que ela seria “namoradeira” (O Globo, G1 e Folha divulgaram esse fato). Ele teria pedido desculpas pela brincadeira “elogiosa” (emenda machista, disse a Ministra, pior que o soneto).

“Reagi à altura de uma mulher que preza sua honra. Todas as mulheres conhecem bem o eufemismo da expressão ‘namoradeira”, escreveu a ministra na rede social. “Fiz uma brincadeira elogiosa num clima de descontração, mas foi mal recebida. Pedi desculpas”, respondeu o senador, por meio de sua assessoria. No Twitter, Abreu classificou o ato de Serra de “infeliz, desrespeitoso, arrogante e machista”. “A reclamação de vários colegas senadores sobre suas piadas ofensivas são recorrentes”, concluiu a ministra na rede social.

A honra pessoal (individual) é um patrimônio muito sensível. Há muitos assassinatos por essa razão. E até guerras. Na mitologia grega, Helena (a mulher mais linda do mundo) era casada com Menelau (rei de Esparta). Quando parte para Creta, para um ritual fúnebre, Páris (de Troia) foge com Helena para o seu país. Menelau, Agamenon (seu irmão) e outros reis se juntaram para guerrear contra Troia e resgatar Helena. A guerra dura 10 anos e Heitor e Aquiles (os dois máximos guerreiros adversários) morreram. Os troianos, notando a ausência dos gregos, pensam que os adversários foram embora. Encontraram um cavalo imenso e o colocaram para dentro de Troia. À noite os saldados saíram de dentro dele e massacraram os troianos, vencendo a guerra. Tudo por causa da honra de Menelau (e dos interesses econômicos envolvidos). Muitos governantes perdem o poder por causa das suas ofensas à honra de alguém (disso já tinha se apercatado Maquiavel).

Até na máfia se pede desculpas

De outro lado, quando cometemos um equívoco, o melhor é reconhecer o erro (sem tentar justificá-lo). Muitas vezes realmente a emenda fica pior que o soneto. Até os mafiosos, quando erram, se desculpam.

Alphonse Gabriel Capone, conhecido como Al Capone (1899-1947), foi chefe da máfia em Chicago. Chegou, portanto, ao título de Don (que significa ter o poder sobre a vida e a morte de qualquer pessoa, bastando para isso um simples aceno da mão ou da cabeça). Al Capone ordenou o assassinato de muitas pessoas e ele mesmo se encarregou de dezenas. Mas não matou Galluch. Por quê?[3]

Em Nova York, na boite Harvard Inn, o jovem Al Capone viu Galluch com sua mulher e uma moça. Assediou escandalosamente esta última até que Galluch disse que era sua irmã, que não deveria ser importunada. Al Capone soberbamente insistiu e a partir daquela trágica noite passou a ser conhecido pelo resto da vida como “Cara Cortada” (Scarface). Galluch era um ás na navalha. Al Capone, surpreendentemente, mesmo se tornando chefe da máfia, não se vingou, porque sabia que tinha cometido um erro.

Al Capone não se transformou em chefe da máfia em Chicago (nos anos 20 e 30, século XX) por acaso. Tinha sabedoria. Perdoou Galluch e ainda o contratou como seu segurança nas viagens que fazia a Nova York. Temos dificuldade em admitir nossos erros. Negá-los, no entanto, quase sempre é o pior caminho (veja o que está ocorrendo com Eduardo Cunha, que nega ter mentido sobre suas contas secretas na Suíça). Admitir erros pode interferir (positivamente) no nosso crescimento pessoal. Só temos que ter o cuidado de não fazer da desculpa uma emenda que fique pior que o soneto.

[1] MAQUIAVEL, O Príncipe. Tradução de Ana Paula Pessoa. São Paulo: Jardim dos Livros, 2007, capítulo XIX.

[2] MAQUIAVEL, O Príncipe. Tradução de Ana Paula Pessoa. São Paulo: Jardim dos Livros, 2007, capítulo XIX.

[3] Ver FERRANTE, Louis. Aprenda de la máfia. Tradução Juan Castilla Plaza. Buenos Aires: Conecta, 2015, p. 110.

148 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Brilhante professor, ontem mesmo escrevi um breve artigo sobre o ser político ideal,
o ser político ideal deve acima de tudo ser um visionário diplomático, ser uma imagem forte que desperte respeito no povo. Um governante forte é capaz de estabilizar até a mais sangrenta das guerras, seja ela contemporânea ou não!
Gostaria de políticos fortes, leitores de Maquiavel e até mesmo, de o Poderoso Chefão. continuar lendo

Com toda certeza cara colega, é sabido também que por trás de todos os outros problemas que citou o prof. Luiz Flavio, esta a corrupção.
Deveria existir uma lei na CF/88, que: "é obrigatorio a todo politico ter vergonha na cara"... continuar lendo

Valdeci Lopes o que mais necessitaríamos ter na CF/88 é a possibilidade de revisão de 5 em 5 anos, talvez se tivéssemos isso poderíamos fazer uma faxina geral nela, ah tem-se tantas coisas para torná-la efetiva... e retirar penduricalhos e privilégios das castas de agentes políticos e públicos que a mesma autoriza vergonhosamente. Sem esquecer de mencionar alguns pontos que passaram da hora de ser remodelados: presunção de inocência atrelado ao trânsito em julgado da set. cond.(jabuticaba genuína); imunidade parlamentar e foro especial etc. continuar lendo

Prezada Amariole, me cite um governante forte que foi capaz de estabilizar até a mais sangrenta das guerras que eu te citarei dez que causaram morte e destruição nunca dantes vistas. Você é bem otimista, não é? continuar lendo

Incrível como colocam todos os políticos de todos os tempos, sem exceção, na mesma lama, banalizando a corrupção e aliviando o Governo PT, como se o assalto à Petrobrás, o maior da história do mundo, fosse um fato comum e sempre tivesse existido. continuar lendo

Caro Marcos Paiva, creio que todos devem ser colocados sim no "mesmo saco". Não vi e não lembro de ter acontecido de um deles ter, alguma vez na história deste País, ter se levantado e denunciado um colegas por mau uso do cargo.
Quem se omite, também é cúmplice.
Honestidade e Ética são princípios esquecidos por homens públicos.
"Diga-me com que andas que te direi quem és." continuar lendo

O autor principia o texto alertando em defesa própria abominar a corrupção, ladroagem e delitos outros, evidenciando não ser partidário da petralhada de plantão. Contudo, finaliza seus comentários com exemplo nefasto, citando o perdão dado pelo sanguinário criminoso al capone a um de seus algozes. Evidentemente paradoxal, poderia ele ter feito menção, v.g, ao perdão dado por jesus ao maior traidor da história, o judas, mantendo integral coerência com os seus princípios morais. continuar lendo

Não entendi muito bem a relação entre corrupção e a ênfase dada ao fato envolvendo o senador e a ministra. Também não sei se dá pra comparar, em termos de defesa da honra, a fuga da esposa, ou marido infiel, com outra pessoa, com o ato de chamar alguém de namoradeira, ou namorador. Imagino que o destempero não foi pelo que foi dito, mas por quem foi dito. Desculpas são sempre cabíveis, quando se percebe que outra pessoa se ofendeu, mesmo com brincadeira sem graça, mas se tornam desnecessárias com a reação de tal ordem; ademais, o vinho que eles consomem deve ser bem caro (não sei quem paga), então não deve ser desperdiçado. continuar lendo

Parabéns meu caro pelo comentário límpido e sensato!! continuar lendo

Depois do Romero e seu comentário sensato, um comentário insensato.
E desde quando uma brincadeira, uma piada, um chiste de mau gosto justifica um revide daquele calibre? O que é, voltamos a idadde da pedra? Se a cada cachorro, ie, serra, que nos late na rua, parássemos e latíssemos para ele, meu deus, que cacofonia! continuar lendo

Creio que um erro cometido no texto é quando se refere a HONRA. Poderia sugerir uma enquete para ver se o povo acha que político Brasileiro tem algum resquício de HONRA.
A Ministra que me desculpe mas, se tivesse reprimido o senador com educação, ninguém no Brasil saberia que ela é "namoradeira". Como diz o ditado: "Onde há fumaça, há fogo".
Podemos também considerar que o nível etílico acaba alterando a capacidade de organização mental, mas, quando falamos de uma reunião de Ministros, Senadores e Deputados brasileiros, podemos sim considerar que o nível é muito baixo e nenhum cidadão HONRADO frequentaria uma dessas reuniões. continuar lendo

Concordo.
No mínimo, a atitude destemperada de uma autoridade, que ainda quer ser justificada pela "defesa da sua honra", só serve para afrontar ainda mais os milhões de brasileiros.
Esses, que se fossem defender coisas muito mais RELEVANTES (não estou fazendo juízo de valor sobre importância), sairiam por aí distribuindo agressões das mais diversas, referendados pela atitude etílica da autoridade em questão.
A atitude foi pior que o comentário, que poderia ser ignorado, a não ser que o termo "namoradeira" não tenha se referido a vida amorosa da ministra, e sim a sua volúvel vida política. continuar lendo

É isso aí Cesar , difícil falar sobre respeito no "clube que eu não frequentaria se me aceitasse como sócio" (Groucho Marx).
Talvez o pecado tenha-se dado quando não foi feito o uso do "vossa Incelência" antes do namoradeira e do vinho na cara.
Uma coisa , creio eu , não se discute : nada mais brega do que fazer disto briguinha cibernética no país que acabou com as duas maiores empresas da AL recentemente, só na "mão grande" continuar lendo

A ministra agiu muito mal!
Devia ter jogado uma bigorna na cara dele!!! continuar lendo

A coisa mais lúcida que foi dita nesse fórum. continuar lendo

A questão é que não importa a vida pessoal da Ministra, e suas reflexões sobre haver fundamento ou não a afirmação do Senador são completamente machistas. Você não deveria reproduzi-las, já que não têm qualquer relevância para qualquer pessoa além da própria Ministra.

Não só na política, em qualquer lugar (na rua, família, trabalho), não se espera nada de nós além de aceitar, perdoar, relevar.....

A fala do Serra foi extremamente infeliz, machista, foi uma agressão, e não me surpreende o olhar dos vários homens privilegiados, que falam aqui, não identifiquem isso.

Serra esperava que a Ministra Kátia aceitasse, perdoasse, relevasse esse ataque feito a sua pessoa, em frente a vários outros homens, na intenção (provavelmente inconsciente e mecânica) de humilhá-la e reforçar seu posto de homem superior.

Enganou-se, pois - surpresa! - a mulher revidou, não relevou a agressão, não guardou para si, COMO DEVE SER, já que quem estava errado era o homem que acha q a vida pessoal de uma mulher, seu corpo, sua sexualidade, dizem respeito a ele de alguma forma.

Da mesma forma lhes digo: a vida amorosa da Ministra Kátia Abreu não existe para a especulação dos senhores. Nós, mulheres, seguiremos revidando. continuar lendo

Eu também concordo que a ministra poderia ter demonstrado mais sabedoria e menos ódio. O gesto dela não serve nem para simbolismo pois o episódio deixou bem claro que ela jogou o vinho no PSDB e não em José Serra. Vejamos que, dentro do partido dela talvez tenha machistas mais poderosos, corruptos sabemos que sim, e olhe que tem corruptos que mereciam um alambique inteiro de vinho na cara. O que a situação demonstra é a Ministra tratou de investir no que aquela situação podia trazer de proveito para ela, e foi exatamente isto que ocorreu.
Quanto ao Sr. José Serra, apesar de ser um político que tem todo o meu respeito, ele bem que poderia ser menos machista e riscar certas brincadeiras das suas falas. continuar lendo

Marina, me desculpe, mas há uma certa contradição em seu texto, por exemplo:
"Não só na política, em qualquer lugar (na rua, família, trabalho), não se espera nada de nós além de aceitar, perdoar, relevar....."
com
"Nós, mulheres, seguiremos revidando."

A nobre Ministra foi sim infeliz e incompetente frente ao Senador. Se tivesse a classe que deveria ter em virtude de sua posição social como Ministra e grande empresária do ramo pecuária, teria outro tipo de reação e não feito um circo e ainda, no dia seguinte, se expor em rede social.
Poderia por exemplo ter ido a Justiça e processado o Senador.
Para mim, a violência é uma atitude dos fracos e ignorantes. continuar lendo

Não há contradição César.

Todos esperavam que ela engolisse o desaforo, o que se traduz quando vocês dizem que ela deveria ter classe.
Ela não agiu conforme o esperado, o que, simbolicamente, expressa que não estamos mais engolindo sapo, estamos revidando. continuar lendo

Estados unidos é dividido em 48 Estados, tem 400 milhoes de habitantes, potência econômica e tem 250 (duzentos e cinquenta) DEPUTADOS, porque o Brasil, um pais pobre com 23 estado tem 513 deputados? continuar lendo

Porque "as tetas" de um País chamado Brasil são bem mais volumosas continuar lendo

Data máxima vênia.
1. Os Estados Unidos têm pouco mais de 300 milhões de habitantes.
2. O Brasil está entre os 10 países mais ricos do mundo (medido pelo PIB) continuar lendo

Veja a colocação de alguns países selecionados (ranking por PIB per capita):

1º Qatar: US$ 105.091,42
2º Luxemburgo: US$ 79.593,91
3º Cingapura: US$ 61.567,28
4º Noruega: US$ 56.663,47
5º Brunei: US$ 55.111,20
6º Hong Kong: US$ 53.432,23
7º Estados Unidos: US$ 51.248,21
8º Emirados Árabes Unidos: US$ 49.883,58
9º Suíça: US$ 46.474,95
10º Austrália: US$ 44.073,81
42º Grécia: US$ 23.930,22
49º Chile: US$ 19.474,74
51º Argentina: US$ 18.709,31
64º México: US$ 15.931,75
71º Venezuela: US$ 13.633,61
77º Brasil: US$ 12.340,18
90º China: US$ 10.011,48
130º Índia: US$ 4.060,22
184º República Democrática do Congo: US$ 394,25
Todos os números da pesquisa se referem ao ano de 2013. O estudo usou dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) continuar lendo

Porque a teta é grande e cheia. Na dúvida, podemos crer também, que todos estes políticos, foram desmamados precocemente. continuar lendo