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16 de Agosto de 2022

Quem é mais corrupto: o Estado ou o mundo empresarial e financeiro?

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 7 anos

Quem mais corrupto o Estado ou o mundo empresarial e financeiro

Aviso aos internautas que queiram nos honrar com a leitura deste artigo: abomino todos os políticos profissionais desonestos assim como sou radicalmente contra a corrupção cleptocrata de todos os agentes públicos (e privados) que já governaram ou que governam o País, roubando o dinheiro público (PT, PMDB, PSDB, PP etc.). Todos os partidos e agentes comprovadamente envolvidos com a corrupção, além de ladrões, foram ou são fisiológicos (toma lá dá ca) e ultraconservadores dos interesses das oligarquias bem posicionadas dentro da sociedade e do Estado. Mais: fraudam a confiança dos tolos que cegamente confiam em corruptos e ainda os defende.

No período histórico que estamos chamando de República Velhaca (1985-2015), que coincide com a era da redemocratização, os agentes mais fortes da nossa corrupção cleptocrata (governo de ladrões) foram os poderosos do mercado (mundo empresarial e financeiro bem posicionado dentro do Estado: empreiteiras, bancos, setor automobilístico etc.) ou os funcionários públicos e representantes do poder político, que no trintênio foram dirigidos por Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma? Quem é o grande corrupto (a erva daninha mais nefasta da cleptocracia brasileira): o Estado (o poder público) ou o mercado economicamente poderoso e cartelizado?

Até o advento do mensalão (2005-2013), para o senso comum (e parte considerável da doutrina[1]) o Estado era considerado o preponderantemente corrupto. Com a Operação Lava Jato, será que se mantém esse pensamento?

Vejamos os números da Operação[2]: até 9/12/15, mais de 150 inquéritos já tinham sido abertos pela Polícia Federal, na maior investigação criminal sobre corrupção (Lava Jato) na História do Brasil: a vida de 494 empresas e 56 políticos (citados até aqui) está sendo detalhadamente vasculhada; 941 procedimentos foram instaurados, com 360 buscas e apreensões, 88 mandatos de condução coercitiva e 116 mandados de prisão cumpridos, sendo 61 prisões preventivas e 55 temporárias.

Na primeira instância foram solicitados 86 pedidos de cooperação internacional, sendo 76 pedidos ativos para 28 países e 9 pedidos passivos com 8 países; foram firmados 85 pedidos de colaboração premiada, por pessoas físicas, sendo que 25 estavam soltas; 4 acordos de leniência com empresas já foram concretizados; 173 pessoas em 35 processos responderam pelos crimes de corrupção, contra o sistema financeiro internacional, tráfico internacional de drogas, formação e organização criminosa e lavagem de ativos, dentre outros; 5 das acusações foram por improbidade administrativa contra 24 pessoas físicas envolvendo 13 empresas, pedindo-se o ressarcimento de R$ 14,5 bilhões. Segundo o MPF, os crimes já denunciados envolvem o pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões; R$ 1,8 bilhão já foi recuperado por acordos de colaboração; R$ 654 milhões se relacionam com o instituto da repatriação; R$ 2,4 bilhões em bens de réus já foram bloqueados.

Até o momento já são 75 condenações, contabilizando 262 anos, 5 meses e 15 dias de pena; 28 inquéritos foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), contra autoridades que contam com foro por prerrogativa de função. Tendo em vista as imunidades e prerrogativas dos políticos, não há dúvida que, até aqui, muito mais agentes do mercado (mundo empresarial e financeiro) foram investigados, presos, processados e condenados. Mas eles não são os únicos envolvidos na cleptocracia brasileira.

O fim do mito da corrupção apenas do Estado

A Operação Lava Jato, a maior investigação criminal sobre corrupção no Brasil, está derrubando, dentre tantos outros, um dos mitos mais aceitos pelo ingênuo senso comum: o de que os responsáveis pela corrupção são apenas os funcionários e agentes do demoníaco Estado, destacando-se os políticos.

Os números citados mostram que incontáveis players do (ilusoriamente ilibado) mercado (tanto econômico como financeiro) são tão ou mais corruptos (para os interesses da nação) que os funcionários e agentes públicos. Conclusão imediata: não é verdade que a corrupção esteja apenas dentro do demonizado Estado. Orbitam em torno dele inúmeros setores das oligarquias cleptocratas brasileiras, cujas fortunas emanam diretamente da posição privilegiada de que desfrutam.

Nunca na Justiça criminal brasileira houve tanta quebra de paradigmas. A Lava Jato está derrubando tradições (empresários ricos não vão para a cadeia, por exemplo), criando novos “heróis” no imaginário popular, recuperando muito dinheiro e aniquilando a lei mafiosa da “omertà” (silêncio), por meio das delações premiadas (que exigem provas de tudo que é delatado). Além disso, está evidenciando que a grande corrupção do Estado (funcionários e agentes, incluindo os políticos) está diretamente ligada ao mercado (mundo empresarial e financeiro).

A História do Brasil e a imagem que fazemos dos brasileiros estão repletas de equívocos (racistas) e interesses de dominação. Nunca nossos “intérpretes” (Freyre, Buarque de Holanda, DaMatta, Faoro, Celso Furtado etc.) foram tão questionados.[3] Um dos grandes “serviços” dos intelectuais brasileiros teria consistido na justificação de que os problemas socioeconômicos do Brasil não residem fundamentalmente na desigualdade e exclusão de milhões de pessoas, sim, na corrupção apenas do Estado. Esse pensamento conduz “a uma falsa oposição entre Estado demonizado e mercado – concentrado e superfaturado como é o mercado brasileiro -, como o reino da virtude e da eficiência”[4].

Os números e as provas da Operação Lava Jato, para além de hiperestrondosos (a nossa é uma cleptocracia megalomaníaca[5]), demonstram que muitas fortunas (ou boa parcela delas) foram construídas por força da compra de favores e privilégios junto ao poder público. Evidenciam, ademais, que a corrupção cleptocrata nacional jamais se tornaria sistemática (institucionalizada) nas proporções a que chegou sem a participação efetiva, a conivência e o estímulo dos agentes do mercado (econômico e financeiro).

Não há dúvida “que a presença de funcionários públicos nos escândalos políticos não pode ser descurada, mas com alguma frequência ela é apenas a ponta de um processo que transcende não apenas os limites do serviço público, mas também as fronteiras do Estado. Prestação atenção [apenas]à dimensão pública da corrupção pode levar a obscurecer o fato de que ela afeta igualmente os domínios privados. O funcionário corrupto é apenas uma parte de uma engrenagem que envolve atores privados, que representam interesses econômicos ou políticos que não são explicitados na esfera pública.”[6]

É praticamente impossível medir a proporção de efetividade de cada parte (Estado e mercado) na medonha corrupção brasileira. Como ideia preliminar talvez o melhor seja admitir que alguns setores elitizados de ambos os lados formaram (historicamente) um ambicioso clube mafioso cleptocrata, que drena, da nação, enormes quantidades dos seus recursos escassos. A cleptocracia brasileira se transformou num grande crime organizado que estamos chamando de P8, ou seja, é uma Parceria Público-Privada entre Poderosos, que une esforços para a Pilhagem do Patrimônio e do Poder Públicos.

[1] Ver GARCIA, Maria Cristina; Corrupção e perversidade do Estado e a nova ordem mundial. São Paulo: Edicon, 2006.

[2] Ver Ministério Público Federal (http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/resultados/a-lava-jato-em-numeros) e Jornal Folha de SP: (http://arte.folha.uol.com.br/poder/operacao-lava-jato/).

[3] Ver SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira. São Paulo: LeYa, 2015; CALDEIRA, Jorge. Nem céu nem inferno. São Paulo: Três Estrelas, 2015.

[4] Ver SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira. São Paulo: LeYa, 2015, p. 10.

[5] Ver AGUIRRE, Pedro Arturo. México: Penguin Randon House Grupo Editorial, 2014, p. 19 e ss.

[6] Ver AVRITZER et alii, organizadores, Corrupção. 2ª edição. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012, p. 13.

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197 Comentários

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Ambos são corruptos; a diferença é que o Estado utiliza a res pública e tutela os interesses da coletividade. As empresas, por sua vez, detêm capital próprio e os interesses são exclusivamente privados.
Embora errado, é crível que o âmbito privado tutele os próprios interesses em prol de lucro, afinal, é o próprio Estado que o massacra com intervencionismos e tributação. Mas quando o Estado faz isso (se corromper), ele perde a própria razão de ser: o interesse público.
Se o Estado não se corrompesse, o poder privado não teria a quem corromper. continuar lendo

Complementando o pensamento do Dr. Hyago, é bem simples e de saber público que para uma empresa poder trabalhar numa obra pública, melhor, prestar qualquer tipo de serviço ou fornecer insumos à União, Estados e Municipios, bem como as suas autarquias necessita realizar um pagamento de propina aos corruptos.

Então nessa esteira de pensamento, creio que o Estado é mais corrupto que os entes financeiros empresariais, já que esses além de não usar o poder público para outra finalidade, são muitas vezes obrigados a se corromper a fim de prosperar na sua respectiva atividade. continuar lendo

O Estado é o mais corrupto, pois a ele é dado a legitimidade em agir em prol dos interesses da população, e deveria ter o dever de zelar pelos bem públicos e pela regularidade da iniciativa privada. Portanto compreendo que a colocação do Hyago está mais correta. continuar lendo

Exatamente desse jeito que eu penso Hyago!
Não adianta transferir 100% da culpa para os empresários e as grandes empresas se, para que eles surrupiassem o dinheiro público com seus superfaturamentos, etc, algum político ou funcionário público de alto escalão se corrompesse primeiro. continuar lendo

Concordo com o Hyago. Só complementaria que o inverso também poderia ocorrer. Se o empresário não oferecesse/aceitasse esquemas ilícitos o Estado não teria como se corromper.

Um depende do outro. continuar lendo

Se corromperiam entre setores privados, com certeza e infelizmente, Hyago. continuar lendo

A questão é que há dois super conjuntos (esferas pública e privada) e estas são divididas em milhares de CNPJs públicos e privados. Por trás destes CNPJs estão outras centenas de milhares de pessoas físicas ocupando postos públicos e privados. Não que não haja pessoas honestas no serviço público, muito pelo contrário, a maior parte delas é com certeza é honesta e trabalhadora, mas aparentemente estas não duram muito em determinados cargos estratégicos necessários para a "colheita" do dinheiro de empresas corruptas.
No caso das empresas privadas envolvidas em corrupção, como empresário, falo pelas demais: fazemos votos que prendam a todos, doa a quem doer.
Em termos de licitações a primeira coisa que deveria ser eliminada é a figura do aditivo. Se o consumidor vai a uma concessionária, escolhe um modelo de carro que será montado ao seu gosto e de acordo com as opções oferecidas pelo fabricante, para ser entregue dentro de um mês e durante este período o dolar triplicar de valor, o preço do carro ainda é o negociado e que consta na nota fiscal de compra. Da mesma forma, se o empreiteiro "errou" o valor, ele que arque com isto.
Mais do que um simples "erro" de cálculo, o que parece acontecer é uma série de licitações ganhas por ninharias, e depois, quando já não há mais concorrência, vemos elas serem generosamente aditivadas. continuar lendo

O preço do serviço é X, mas se o Estado - através do funcionário público - resolve ganhar alguma coisa a mais, necessariamente o preço sobre. Não adianta as pessoas culparem as empresas privadas, não é possível um empresário meter o pé na porta de uma estatal e dizer "olha, só faço o serviço se você levar um por fora". A corrupção nasce, necessariamente, do Estado. O empresário que aceita é conivente, claro. Mas não é a origem. continuar lendo

E existência do Estado não massacra ninguém, são governos e instituições (no sentido amplo). O Estado é imprescindível para a proteção dos direitos coletivos em contraponto ao interesse privado, pois a desregulamentação não tenderá à igualdade. Misturar o liberalismo econômico com ideologias de Direito é um erro. Grande abraço! continuar lendo

Eric.

Me diga a lógica por trás de cobrar determinado preço para ortorgar o direito à alguém executar uma linha de ônibus, ou para implementar lotes de telefonia, por exemplo? Ramos onde não há nada investido e será tudo comprado pelo grupo empreendedor... Com a exceção de colocar dinheiro no caixa do governo para ser mal administrado e gasto em luxos e juros, não existe lógica na melhora da prestação de serviços, pelo contrário, tornará ainda mais caro ao consumidor final ou terá sua qualidade reduzida para compensar o valor pago por este direito.

Em uma passagem rodoviária paga-se uns 25% de impostos diretos num serviço reservado pelo estado como "público". Além disto o mesmo serviço é concedido a poucos, o que causa pouquissíma (ou nenhuma) concorrência no mercado.

Melhor seria que qualquer um pudesse abrir uma empresa, comprar uns ônibus e começar a executar tal serviço sem burocracia. Acredito que estando com a manutenção e o seguro dos passageiros em dia não existiriam grandes problemas. Mas e se o empresário usasse um ônibus velho? Teria de concorrer com o novo, mais econômico, e aliás, economia é a o equilibrio das virtudes e dos defeitos. Há casos em que o velho seria mais economico tanto na operação quanto ecologicamente, noutros o novo.

Mas e como ficariam os jogos de poder? E as prostitutas? Elas são caras! Ter uma frota de aeronaves à disposição das "autoridades" ao invés delas usarem o transporte público de forma comedida. Por isso é necessário manter o status quo do "estado protetor" detido por um grupo hegemônico cujos membros estabelecem conchavos entre si para ter todas essas benesses reservadas para eles e para os seus. continuar lendo

Milton Friedman, homem que provou a eficácia e a necessidade social do livre mercado, vencedor do Nóbel de Economia em 1976, sempre disse: "Os maiores inimigos da liberdade são os empresários (leia-se: os multi-bilionários) e os políticos". E por motivos que deveriam ser óbvios: ambos tem suas razões para fomentar o corporativismo, que nada tem a ver com liberdade econômica (e individual). Um Estado de Direito Republicano e Democrático de verdade pauta suas políticas públicas na luta contra o corporativismo e permite que o povo realize suas aspirações empreendedoras. continuar lendo

“Se o Estado não se corrompesse, o poder privado não teria a quem corromper.”

Corrupção não se dá somente contra o estado, mas também contra a sociedade, contra o sistema legal e até mesmo entre o próprio setor privado. Ou o senhor acredita que subornar um funcionário de uma empresa para obter dados sigilosos, ou então pagar para juizes de futebol para influenciar em uma partida, não é corrupção?

A corrupção do poder público vai se dar em maior ou menor grau de acordo com quanto à sociedade respeita o interesse público. E enquanto se aceitar que existam lobbies e bancadas de interesses privados, a corrupção estatal vai continuar correndo solta...

Concordo com o restante de sua opinião (como quase sempre)!

Abraços! continuar lendo

Só uma pergunta: Por que o setor privado confrontado com o pedido de propina não denuncia???????? Nos comentários se vê bem o que o texto tenta mostrar, há uma cultura de aceitar a corrupção , porque senão não consegue sobreviver as tributações, seria até verdade se os salários pagos nestas empresas a seus funcionários fosse 1/6 do que ganham os mandatários. Não é isto que acontece e nunca vi nenhum empresário falir como pessoa física, só como pessoa jurídica. Lembram daquela empresa em São Paulo de confecção que simplesmente fechou as portas do dia para noite??? Os donos continuaram como pessoas físicas muito ricas... continuar lendo

Sr. Eduardo Rocha, a corrupção nasce da tentativa de se impor uma supremacia do interesse privado ao interesse público, social, coletivo ou comum.

Em licitações é comum empresas procurarem os agentes estatais para subornar, ao invés do agente estatal procurar empresas para suborno. E mais: uma vez vencido, parte exclusivamente das empresas os entraves e desculpas para justificar acréscimo de valores (aditivo), além dos superfaturamentos, tudo para tirar dinheiro do estado. Isto porque a cabeça lá do empresário corrupto é: vou enriquecer à custa do povo!

A origem da corrupção é do interesse privado, independentemente de estado. Tanto é que existe corrupção sem interferência do poder público.

Um abraço! continuar lendo

Perfeito, Dr.
Satisfação em ler o comentário que, curto e objetivo, resumiu muito bem. continuar lendo

Engraçado dizer que o "Estado" é a essência ou o nascedouro de toda a corrupção, principalmente sob o argumento de que "o que tutela os interesses no âmbito privado é o lucro!"Vale dizer, a que custo!?!?!
Seria mais fácil (pra não dizer honesto) os fornecedores de produtos ou serviços não contratarem com a Administração Pública!!! Aliás, os "empresários" vivem reclamando que recebem atrasado (ou não recebem) da Administração Pública mas é só abrir um processo licitatório, ôpa, estão lá, os mesmos novamente!! Ou como disse a comentarista aqui, denunciassem as propinas!!! Já que se associam para participarem em vários processos licitatórios e depois dividirem a "fatura" (sistema useiro e vezeiro) deveriam fazer o mesmo para denunciarem os agentes públicos (políticos ou não) de tais práticas!! Na verdade, os comentários aqui me fazem lembrar da relação traficante x usuário, ou seja, estão umbilicalmente ligados, por necessidades recíprocas de existência!! Por óbvio, em relação àqueles que são usuários de drogas.... continuar lendo

Estamos no mesmo dilema de saber quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? O Estado tomou a iniciativa e exigiu a propina, ou a iniciativa foi do mundo privado que a ofereceu primeiro? Neste particular, portanto, é difícil de dizer quem é mais corrupto, dado que os entes passivo e o ativo são indissociáveis. Parece-me que a única situação de corrupção em que o Estado, em tese, é dissociado dela é no caso da sonegação de impostos. Nestes casos o mundo privado não usa capital próprio para obter seus lucros, mas detém a res pública que deixou de repassar ao Estado e dela aufere lucros em prejuízo de quem pagou. Por outro lado, a corrupção não está limitada aos entes Estado e setor privado unicamente. Uma empresa que espiona outra para saber sobre seus produtos e paga funcionários para obter informações corrompem-se entre si. A corrupção, pois, não pode ser vista unicamente do ângulo do Estado que precisa de serviços e seus agentes cobram para escolher quem vai prestá-los e do setor privado que paga aos agentes para ser escolhido. É uma questão muito mais ampla do que parece... continuar lendo

Resumo do artigo extenso e preponderantemente defensivo, Hyago disse tudo:

Se o Estado não se corrompesse, o poder privado não teria a quem corromper. continuar lendo

Gostaria de discorrer a respeito de muito do que foi dito. Mas não é necessário. Todos estão cobertos de razão. Mas resolvi entrar aqui para me manifestar a respeito de uma situação que pouco vi abordada.
Quem tenta fazer com que um policial de trânsito cancele uma multa oferecendo benefícios é tão equivocado quanto o policial que se suja por qualquer dez reais que o infrator tenha no bolso. Ora, não disse nada de novo. Vamos subir o nível.
Muita gente conhece o conluio proposto por vendedores ao comprador de empresas comerciais e de serviço. Outra: o convocador da seleção brasileira disse outro dia que chegou a ser ameaçado em função das escolhas que fez. Jornalistas já fizeram contas de jogadores convocados por um certo técnico, hoje na China, supondo que alguma vantagem ele recebia para assim agir.
Há algum tempo, um programa de tv noticiava que médicos recomendavam próteses e cobravam por sua colocação. O motivo - gratificação. Quem ainda não passou pela experiência de ter contato com dentista vendedor de aparelhos e próteses.
Mesmo que esteja na esfera do privado, é uma demonstração clara de que falta alguma coisa, tanto em quem oferece, quanto em quem recebe.
O que podemos esperar de um pretendente a cargo político que oferece lanches, roupas, vacas leiteiras, emprego, cargos, etc. para ser eleito. Se um comprador pouco se importa com a saúde financeira da empresa de onde ele tira seu sustento, como esperar de uma pessoa que ela imponha respeito ao que não é seu, principalmente se parte desse "bolo" pode virar seu.
Falta alguma coisa. E não está no campo do Direito, da Política, da Economia...
Moral, ética, bons modos, juízo, respeito, sei lá que expressão, mais nova ou mais antiga, devemos usar. Mas é a capacidade humana de pensar no coletivo, de pensar na sociedade e não no indivíduo. Não estaremos livres.
Paulo Francis já falava da Petrobrás. A CSN não dava lucro, veja só. As teles, com monopólio, não conseguiam investir em pesquisa e ampliar o atendimento de qualidade.
No outro dia meu sobrinho chegou em casa dizendo que o pessoal do clube pediu R$ 25 mil para que ele se tornasse profissional no futebol. Mesmo sendo ótimo jogador. Meu cunhado confirmou e disse que vai procurar um clube menor, onde fique mais barato.
Preciso falar mais? continuar lendo

Discordo, Hyago. No momento em que o empresário corrompe um agente público, aquele empresário está afetando a res pública da mesma forma que o agente corrompido.
E não, não é nenhum pouco crível que "o âmbito privado tutele os próprios interesses em prol de lucro, afinal, é o próprio Estado que o massacra com intervencionismos e tributação". Em outras palavras, o que você está defendendo é que a corrupção do setor privado e a sonegação de tributos é totalmente aceitável, já que o Estado é mau e corrupto, e empresa precisa "tutelar os próprios interesses". Essa posição é lamentável vindo de um operador do Direito.
E segundo a sua lógica, a seguinte premissa também é verdadeira: se o poder privado não corrompesse, não haveria a quem o Estado se corromper.
Finalizando, a sua análise serve somente para países com forte presença estatal. Conclui-se então que onde não há o "massacre de intervencionismos e tributação", não há corrupção? continuar lendo

Prezada Cristina Maria,

A tal confecção fechou as portas ou faliu? São duas coisas completamente diferentes.

O meu avô tinha um comércio em Apucarana, no norte do Paraná, e por uma questão de camaradagem, num tempo em que os funcionários públicos municipais não receberam os seus subsídios por conta de alguma questão de default da própria prefeitura, continuou vendendo para eles "fiado" até que o estoque inteiro - exceto quatro latas de leite - foi embora e nenhum dinheiro efetivamente entrou no caixa.
Alguns podem achar que foi idiotice, mas eram anos 60/70 e alguns, incluindo o meu avô, davam muito valor à palavra dada. Diante de tudo pago, mas sem capital algum para repor o estoque, e apenas as quatro latas de leite na estante, ele disse:

- Já que levaram tudo, estas quatro latas de leite vão para as irmãs do orfanato!

Não nutro nenhum respeito por quem fali propositalmente, principalmente quando este foge (já fui vítima de um desses) e é inclusive protegido pelo estado (a empresa do cara ainda está "ativa" na Receita Federal), ou mesmo quando este se esquiva de suas responsabilidades. Mas ao contrário do que prega certos setores da esquerda, simplesmente pagar tudo e fechar as portas não é nenhum crime. Empresa não é assistencialismo e emprego não é patrimônio do trabalhador, é um negócio, e os limites deste negócio estão em seu trabalho e seus haveres trabalhistas. continuar lendo

Certo, meu caro, mas no momento em que a empresa corrompe o agente público (não importa quem tem a iniciativa), ela colabora como co-autora, indissociavelmente, no processo de lapidação do patrimônio público. Claro, se o Estado não se corrompesse o interesse público estaria livre de corrupção, mas estado e empresas são movidos por pessoas. Ou seja, não adianta demonizar empresas ou Estado, enquanto pessoas jurídicas (instituições), o que se tem a fazer é responsabilizar as pessoas corruptas. continuar lendo

Caro Hyago de Souza Otto, com igual razão, podemos também afirmar que se o privado não procurasse corromper a res pública, o estado não seria corrompido. Acaba por ser a história da galinha e do ovo. E, na verdade, não é correto afirmar que o privado gere somente interesses exclusivamente privados. Isso é verdade para o pequeno negócio, mas não para o grande negócio. Grandes grupos econômicos, brasileiros e estrangeiros, fazem do seu modelo de negócio a corrupção da res pública para seu próprio benefício. Grandes multinacionais não negociam sem corromper a res pública, seja o caso da Alstom por esse mundo fora (nem me refiro ao caso do metrô de SP) ou o programa intitulado "sons and daughters" da J. P Morgan. Em resumo, corrupção é igual no público e no privado, não havendo uma mais nefasta do que a outra. Pelo menos é isso que se pode ver nos inúmeros exemplos existentes a nível internacional. continuar lendo

Eu poderia ler este artigo, e o farei depois, mas antes vou comentar só pelo título e por este seu comentário que refuta tal indagação.
Esta comparação não tem razão de ser e consequentemente o texto também não.
Esta comparação é totalmente tendenciosa, presumo de um petista, socialista, anticapitalista, cujo objetivo é manter acesa a chama dos idiotas úteis dos ideológicos igualitários, aqueles que vão pras ruas protestar e fazer quebra-quebra.
Como podem achar menos corruptos, aqueles cujo poder foi confiado pelo povo e que, segundo o ordenamento jurídico deve fazer somente o que a lei autoriza, e que deve defender o interesse comum e não os próprios, de repente não o faz.
Corrupção existe em todos os níveis da sociedade, mas quando parte de um ente eleito pelo povo, é, além de tudo traição.
O exemplo deve vir de cima. continuar lendo

A pergunta que intitula o texto do Ilustre Professor nada mais é que uma estratégia de defesa no sentido de colocar todos na mesma vala comum, banalizando a corrupção e consequentemente justificando os atos em foco.

Resposta clara e objetiva:
- quem protagoniza uma passagem histórica mundial sem precedentes é o PT! continuar lendo

Só existe um corrupto (aliás dois de acordo c/a presidente).....O ser humano, o homo sapiens e a mulher sapiens, o resto é consequência. continuar lendo

Se estudarmos detidamente a história, inclusive a do Brasil, veremos quem são os componentes dessa entidade abstrata a qual chamamos "Estado". Pessoas. Pessoas com poder suficiente para impor sua agenda econômica e política às demais. O Estado brasileiro nasce corrupto, ou melhor, nasce ideológico, corrompido. Apesar disso, e institucionalizada a estrutura do poder, é possível, tanto quanto improvável, construir a vida social tendo como finalidade o "interesse público" (como não poderia deixar de ser, um conceito aberto, indeterminado, refém das retóricas dos grupos sociais que disputam o poder).
Gostei bastante do texto de LFG, na medida em que ele afronta essa concepção simplista de que "o Estado se corrompe". A literatura que ele cita explicita, sociologicamente, essa história que constrói o "Estado", para além da ficção jurídica. continuar lendo

O inverso também se aplica:

- Se o setor privado não aceitasse a corrupção, o Estado não teria a quem corromper.

- Se não houvesse quem comprasse peças de carros roubadas não haveria "demanda" para o roubo, salvo a única demanda que para o próprio ladrão em usaria para si mesmo!

- Carteis são exemplos de grande participação do setor privado na corrupção.

A corrupção está na sociedade, apesar de não estudar, tenho uma leve percepção que no Japão tanto o Estado quanto o privado são bem menos corrupto, pois como ambos são formados por pessoas, por óbvio, ambos serão reflexo do conjunto dessa pessoa que forma o Estado e suas empresas privadas.

Portanto, discordo de você nesse ponto, corrupção do Estado ou privada é reflexo da população que o forma, a separação não é possível ocorrer. Acredito que o Japão seja um exemplo. continuar lendo

Quem é mais corrupto? Ambos e ao mesmo tempo nenhum dos dois, afinal corrupto e corruptor somos todos nós, o povo brasileiro. Um povo desprovido de conhecimento e de interesse pela política, não menos desonesto, aproveitador e interesseiro que quaisquer empresários ou políticos que temos. Afinal de onde saíram estes senão do nosso povo? De marte é que não foi. Na verdade a principal instituição que hoje se encontra falida e é a maior responsável por todas as mazelas que estamos vivenciando chama-se família. Apontar o dedo para os outros é muito fácil, difícil é reconhecermos o quanto somos falhos. continuar lendo

A corrupção envolve uma relação ativa e passiva. Na nossa economia prepondera a corrupção ativa por parte da iniciativa privada, pela formação de carteis, oligopólios, licitações públicas fraudadas, superfaturamento em contratos e adendos contratuais, sonegação fiscal, lavagem e evasão. O polo passivo geralmente se introduz no Estado, através das propinas a funcionários públicos e políticos. Em termos de valores e prejuízo à sociedade, a dimensão das propinas são um mero "troco", perto dos demais prejuízos econômicos decorrentes dos cateis, oligopólios, superfaturamento empresarial e licitações fraudadas, lavagem, sonegação e evasão fiscal. No capitalismo, o capital é o grande corruptor e nas economias estatizadas o grande corruptor é o Estado. No capitalismo, a força do capital naturalmente tende a fazer da corrupção estatal um mero adendo, ou, mero instrumento ao enriquecimento ilícito do capital. Portanto, saber qual é o mais corrupto diz respeito, primeiramente, a identificar qual o modo de produção econômica da sociedade (que na história foram basicamente três: escravidão, servidão, capitalismo e "comunismo", cada qual com o predomínio de suas forças corruptas). Já o grande desavio das democracias contemporâneas é o combate diuturno à corrupção, no capitalismo, por ser sua face deletéria, que tende a destruir a concessão do bem comum e da justiça social. Assim e que veremos o juiz Moro, especialista jurídico no combate à corrupção, infligir condenações criminais mais pesadas aos empresários (empreiteiros) do que aos funcionários públicos e políticos (ex: o vice presidente de uma das empreiteiras, por enquanto, já foi condenado a 18 anos de cadeia, a maior condenação até agora). Os políticos e funcionários públicos se alternam com o tempo, mas se a força corruptora do capital permanece, tudo fica no mesmo, ainda que mais disfarçado. continuar lendo

Trabalhei por anos na industria automobilística e era naquela época (isso a 35/40 anos atrás) de conhecimento geral que o setor de compras das empresas montadoras era absolutamente corrupto (não sei se haviam exceções).
Para ser fornecedor, era necessário pagar seu quinhão extra ao comprador. Eu mesmo, nos anos 80/90 tive esse impedimento para fornecer para uma grande montadora, mesmo tendo meu produto aceito e aprovado e ainda oferecer uma vantagem significativa de qualidade a essa montadora. Não forneci, me senti prejudicado mas sempre fui contra qualquer tipo de corrupção.
Mas todos sabiam e nada mudava. Não sei se mudou hoje, sei que não é mais tão escabroso como antes.
Claro que a corrupção não é exclusividade do estado, acho que até é decorrência da famigerada "Lei de Gerson", onde o "esperto" era aquele que sempre levava vantagem em tudo. Esse espírito subsiste, enraizou na cultura brasileira.
Os corruptos estão sempre cercados de amigos, porque cheiram a dinheiro, a vantagens, a oportunidades, ao "jeitinho brasileiro".
Quem nunca ouviu a frase: "Rouba, mas faz!"?
Ela é um dos marcos da conivência do brasileiro com a corrupção. O brasileiro aceita que alguém o roube, desde que sobre alguma coisa de bom pra ele. Aceita pagar 10 vezes mais pelo mesmo serviço. Paga propinas para agilizar órgãos públicos. O brasileiro (média nacional)é corrupto!
Daí só pode mesmo receber em troca, um estado corrupto, já que esse estado é formado pelo voto desse mesmo brasileiro, que tem preguiça de se informar sobre a idoneidade de um candidato, sua história e vota pegando um papelzinho no chão.
Tão irresponsável quem pega o papel, quanto o que lança. Se merecem!
Não é mercado, não é estado. É o povo!
E a corrupção vai estar, onde ele estiver, até que um dia, a cultura, a educação ajam como um pesticida e acabem com essa praga nacional. continuar lendo

Eu particularmente sou a favor de julgar, e obviamente punir, caso a caso, objetivamente e não no abstrato, por isso todo mundo é inocente até que se prove o contrário, mas uma vez provado, deve ser encaminhado a fogueira máxima da lei e não dar N brechas para o "esperto" fugir.

Mas é fato notório que esta corrupção que o José expõe existiu (e ainda deve existir) aos montes e não era apenas na área de compras, mas de vendas também. Ágio era propina paga pelo consumidor para ter o "privilégio" de ter uma carroça zero km. Na verdade isto é uma condição de miséria, miséria igual a ser "obrigado" a votar em determinado candidato para não ter o FIES supostamente cortado pelo outro.

FIES, aliás, é um financiamento onde o estudante paga por serviços "essenciais" que serão tributados (obviamente) devolvendo aos cofres públicos grande parte do montante ainda durante o curso na forma de impostos, para depois pagar pelos estudos (e consequentemente pelos impostos) com juros. No meu ver isto não é nenhum "favor estatal", mas um negócio e mesmo assim o Governo Federal conseguiu "quebrar a banca". No caso do ágio dos carros era a mesma coisa, a pessoa pagava 30% acima do preço de tabela para ter um carro porque o mercado era restrito.

Quando passou a ter mais players no mercado (importados, e outras montadoras que se estabeleceram) naturalmente ficou mais competitivo e é provável que os executivos foram forçados a enxugar a estrutura das empresas que comandam já que os preços agora são, teóricamente, forçados para baixo. No governo, infelizmente acontece o contrário, quando está insustentável procuram tentar aumentar a arrecadação aumentando impostos e causando mais recessão. continuar lendo

Julgar e punir, Silvio, é o que temos a fazer no curto e médio prazo, porque educar uma nação não é tarefa para poucos anos nem para pouca dedicação.. continuar lendo

Disse tudo José! Quem disser o contrário estará arrumando desculpa. continuar lendo

Eu era comprador chefe nessa época. Fui despedido, humilhado entre outras coisas, porque tudo que queria fazer era trabalhar honestamente e com isso gerava muitos cruzeiros de economia para as empresas. Tudo que estão dizendo é verdade, a máfia era grande e dispensava quem não era da panela. Diretores, gerentes, supervisores de todos os departamentos eram e são corruptos em todas as esferas. Isso foi ontem e ainda hoje continua. Pedi demissão muitas vezes mas nada adiantava. Em 92 saí e nunca mais procurei emprego. Vivo de um pequeno negócio mas, feliz por não roubar MEU PAÍS nem MEU POVO mesmo que estes não mereçam, porque SÃO CORRUPTOS pelos exemplos dos que dirigem esta nação. Primeiro poder: EMPRESÁRIOS (grande porte) Segundo poder: Os 3 PODERES com enfase ao Legislativo fazendo leis que facilitam a vida dos abastados e dificultam a vida dos menos favorecidos.
Os Empresários mandam, os 3 poderes obedecem (daí a corrupção) e castigam o povo. Vi tudo isso de perto, porque vivi lá no meio deles e sofri muito porque até meus filhos ficaram contra mim quando deixei bons salários por vida minguada e simples. continuar lendo

Respondendo sua pergunta, sem ler seu artigo:
As pessoas! continuar lendo

Exato! Não existe corrupção maior ou menor (apenas suas consequências). O que existe é defeito de caráter, massificado no famigerado "jeitinho brasileiro". continuar lendo

Leia o texto... vale a pena! continuar lendo

Bingo, Ivana! As pessoas e as certezas rasas. continuar lendo

Disse tudo, Ivana!!!
O que pensar sobre alguém que vota em ladrão por que ao menos ele faz alguma coisa? ("Rouba mas faz"..., daí para "estupra mas não mata" é um passo!)
Pertencemos a uma sociedade corrupta culturalmente.
Vejo nas ruas pessoas corruptas protestando contra a corrupção "DOS OUTROS".
Os gestores públicos e privados são pessoas extraídas da nossa sociedade culturalmente corrupta. Portanto irão reproduzir a corrupção onde estiverem.
A corrupção em nível cultural só pode ser combatida mediante investimento em educação de verdade. A educação leva à conscientização, não elimina a corrupção mas cria uma cultura anticorrupção. continuar lendo

' Falou tudo.
' Quem idealizou e construiu o Estado brasileiro?
' Quem monta empresas e faz negócios?
' Quem escolhe os políticos para colocar em Brasília?
' Sim, pessoas! Ou as pessoas mudam ou nada mudará, mesmo que tenha 1000000000000000000.... de operações lava-jato.
' Não importa o lado em que se encontre, partidos de direita ou esquerda, se do lado da coisa pública ou privada, se é rico ou pobre, se é branco, preto, azul, amarelo, etc.
' Infelizmente só guerras, tragédias pessoais ou coletivas conseguem trazer mudanças em grau considerável nas pessoas. A "lei de Gerson" está enraizada na sociedade, opa, caímos de novo nas pessoas...... continuar lendo

Mundo empresarial? São no máximo 15 a 20 empresas envolvidas nos escândalos de corrupção na Lava a Jato, é um grupelho que não tipifica o setor empresarial brasileiro, há muita gente séria querendo trabalhar mas depois de 12 anos de desmandos e falcatruas e a economia indo pro buraco a coisa pegou de tal forma que não dá pra entender como os empresários brasileiros não são malabaristas também. Um exemplo agora, é a maior empresa de amplificadores nacionais, marca registrada no mundo como um dos melhores amplificadores do mundo abriu falência, sim a STUDIO R faliu, o Knowhow tupinikim é respeitadíssimo lá fora mas aqui o empresário não ve retorno do trabalho, 17% de impostos, é um abuso contra quem trabalha, fora isso a política é uma empresa, falida que vive e se retroalimenta, que chega nas empresas que não podem ver seus empreendimentos irem pro buraco, daí as facilidades e venda de favores. Enfim, o problema é o ser humano, mas falar que as empresas e o setor empresarial é corrupto no Brasil é dar máscara a quem não tem. continuar lendo

Carlos, a menção "mundo empresarial" no texto tem tudo a ver com ideologia e nada com realidade.
Quando as pessoas não têm mais como negar a ineficácia do Estado gigante, preferem então culpar os empresários. continuar lendo

Discordo. Apesar de serem somente "15 ou 20 empresas" na Lava Jato, as 8000 contas em paraísos fiscais investigadas no escândalo do HSBC não são só de 15 ou 20 empresas. A enorme maioria é do empresariado brasileiro, principalmente dos grandes empresários, os mesmos que também estão sendo investigados na Zelotes (envolvendo mais de 70 empresas, algumas das maiores do país, e seus muitos sócios e acionistas). O mundo não é tão bonito, é necessário tirar do imaginário essa ideia que o "pobre" rico só se corrompeu por "necessidade". Esses coitados têm que se ater as leis de cada país que têm negócios, mas aposto que não cometem os mesmos "erros" morais em países com um forte controle estatal, mas também com uma seriedade tremenda e invejável em seus tribunais. continuar lendo

que ingenuidade, achar que só é corrupto quem foi denunciado continuar lendo

É preciso considerar que cada escândalo não envolve unicamente uma empresa e o Estado, mas também inúmeras outras empresas que disputam entre si.
A suposta existência de quinze a vinte envolvidas nos escândalos porque ganharam concorrências por vias criminosas não exclui perdedoras de também terem tentado ser escolhidas pela mesma via.
Evidente que o Estado não é inocente, mas não podemos acreditar que entre as empresas disputantes haja inocentes. Os corruptos do Estado apenas aguardam para ver, dentre os diversos corruptores, quem vai pagar mais. Assim, se houver mais preocupação das autoridades também com a forma tentada da corrupção, ativa ou passiva, o número certamente ultrapassará em muito de 15 a 20. continuar lendo