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25 de Junho de 2022

Racismo “científico” (origens das teses racistas na modernidade)

Série Para não ser "idiótes"

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 7 anos

O tamanho do cérebro define as raças “inferiores”. É nessa estupidez “médica” (como veremos detalhadamente mais abaixo) que residem as origens do “racismo científico” (do princípio do século XIX). Se até hoje vemos manifestações racistas em todas as classes sociais no Brasil é porque existem idiótes herdeiros dessa tese absurda que nunca ficou (nem nunca seria) comprovada: que os europeus e os norte-americanos brancos (“os superiores”) teriam o cérebro maior que o das outras raças, “as inferiores”.

E se as redes sociais estão servindo de instrumento para os impulsos racistas (como os que ocorreram contra Taís Araújo) é porque, como disse o filósofo Umberto Eco, “elas deram voz [inclusive] aos imbecis”, que antes já eram preconceituosos, mas não tinham um alto-falante digital para gritar para o mundo suas crenças descabeladas e infundadas.

A razão central do racismo descansa numa utilidade econômica. No século XIX a Europa (Inglaterra, acima de tudo) se converteu no centro do capitalismo industrial nascente. No campo das ciências (e da tecnologia) os progressos eram tangíveis. James Hargreaves, Richard Arkwrigth e James Watt já tinham inventado suas máquinas de tear quando a Inglaterra deliberou (em virtude das suas vantagens econômicas e competitivas) ser a “dona do mundo”. Nesse mesmo período inúmeras ideias racistas já perturbavam as almas dos europeus. Incontáveis filósofos, cientistas e escritores desenvolveram ou apoiaram iniciativas ou pensamentos que procuravam legitimar a exploração em massa dos trabalhadores em geral e dos negros em particular, cujo status os tornavam vulneráveis à tortura, mutilação, encarceramento injusto e até mesmo ao extermínio (nos encontramos aqui com a doutrina do homo sacer, de Agamben[1], ou seja, pessoas que podem ser aniquiladas impunemente).

Todas essas teorias racistas tiveram desdobramentos ao longo do século XIX (quando milhões foram assassinados nos neocolonialismos promovidos por países europeus, especialmente na África e na Índia) assim como no século XX (culminando com o racismo nazista de Hitler e o holocausto de milhões de discriminados). As práticas racistas em pleno século XXI são herdeiras desses pensamentos torpes e infames, do princípio do século XIX. Vejamos.

Em 1820 destacou-se o médico Robert Knox, de Edimburgo (1791-1862), que foi um dos mais importantes cientistas raciais na Inglaterra[2]. Seus estudos preconceituosos de esqueletos, cadáveres e, sobretudo, de crânios, constituem as bases de um novo tipo de racismo (todos que não são europeus “superiores” possuem os crâneos menores, logo, menos cérebro, em consequência, menos inteligência – daí alguns acreditarem que poderiam ser “tutelados”, ou seja, escravizados, torturados, mutilados e exterminados).

Robert Knox comprava cadáveres, particularmente de alguns assassinos profissionais. Ele acabou se envolvendo num monstruoso escândalo de compra de esqueletos de uma dupla de assassinos, que se tornou “serial killer”. Essa dupla abastecia sua demanda. Em meados dos anos 1820 esses assassinos foram descobertos e presos; um aceitou fazer negociação com a Justiça (delação premiada), contando tudo que sabia. O que nada disse foi condenado e enforcado. Suas últimas palavras foram: “E o doutor? Nada vai acontecer com ele?”. O que fez acordo acabou morrendo na miséria. Robert Knox caiu em desgraça, nunca mais exerceu a medicina, trabalhou como jornalista e ficou na obscuridade por muito tempo.[3]

No seu livro The races of man (As raças humanas, de 1840) podem ser constatadas as seguintes afirmações[4]:

“…Que a raça decida de tudo nos negócios humanos é simplesmente um fato, o fato mais notável, mais geral que a filosofia jamais anunciou. A raça é tudo: a Literatura, a Ciência, a Arte [...] a civilização dela depende…”

“… As raças negras podem ser civilizadas? Eu devo dizer que não…”

“…Agora, esteja a Terra superpopulosa ou não, uma coisa é certa, os fortes sempre irão se apoderar das terras e das propriedades dos fracos. Estou convicto de que esta conduta não é, em absoluto, incompatível com a mais elevada moral e mesmo com o sentimento cristão…”

“…A raça saxônica jamais as tolerará, jamais se miscigenarão e jamais viverão em paz. É uma guerra de extermínio…” (As citações são de Robert Knox, The Races of Men Philadelphia, PA: Lea & Blanchard, 1850).

Falar em “raça saxônica” (sobretudo na sua suposta pureza), como a raça escolhida para o desfrute do Jardim Edênico da prosperidade, é, no mínimo, muito complicado, porque “ninguém sabe quem foram os saxões: no início do século V, três tribos germânicas invadiram e colonizaram o sul e o leste da Grã-Bretanha; há séculos os ingleses tentam encontrar provas de uma origem ‘nobre’, ‘heroica’ ‘uma raça superior’ ou um ‘berço nobre’ para os seus antepassados. O fato é que a ilha hoje chamada de Inglaterra foi invadida por todos os lados e por vários povos ao longo dos séculos. O principal povo invasor foram os romanos, que não só invadiram, mas colonizaram e se fixaram lá por mais de 400 anos. No século XXI, é no mínimo ridículo querer falar sobre raça pura na Inglaterra ou em todo o Reino Unido e no século XIX era igualmente ridículo”[5].

O racismo “científico” logo migrou para os Estados Unidos, onde o médico Samuel George Morton (1799-1851), com base nos seus estudos de anatomia e, particularmente, craniologia, afirmava “que os crânios das raças tinham vários tamanhos e que quanto maior o tamanho, maior o cérebro, quanto maior o cérebro maior a inteligência e a capacidade de evolução, sobrevivência, liderança etc. Só que eles achavam os crânios europeus e americanos sempre maiores que os crânios africanos, tasmanianos, malaios, mongóis e índios americanos”[6]. Se os negros pertencem às “raças inferiores” eles, então, poderiam ser escravizados, torturados, mutilados, encarcerados arbitrariamente e exterminados.

A Guerra Civil dos Estados Unidos (Guerra de Secessão – 1861 a 1865), que deixou mais de 700 mil mortos (620 mil soldados e 75 mil civis)[7], desencadeada a partir da negativa do sul escravagista (13 Estados Confederados) de acabar com a escravidão (que constituía a base da economia dos senhores latifundiários, particularmente a algodoeira), tem como pano de fundo o racismo “científico” (“as raças negras são inferiores”, porque “teriam crânios menores”). Após a vitória do Partido Republicano antiescravagista (Abraham Lincoln) os estados do sul se insurgiram fortemente.

A Guerra Civil americana pode ser definida como uma guerra entre duas visões opostas: uma nacionalista e conservadora (formada pelos protestantes brancos anglo-saxões) e outra fundada na igualdade entre todos os humanos (visão mais progressista e humanista), que acabou sendo retratada nas Emendas 14 e 15, que concediam plena cidadania e igual proteção diante da lei para os antigos escravos. Outra mudança fundamental foi que os Estados (que antes tinham total autonomia) passaram a se sujeitar à Carta de Direitos federal (o que significou profundas restrições na independência das elites locais).[8] Poucas décadas após o florescimento do “racismo científico” outras teses e teorias racistas surgiram (como veremos na próxima postagem).

Racismo cientfico origens das teses racistas na modernidade

[1] AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer. Tradução de Antonio Gimeno Cuspinera. Torino: Giulio Einaudi editore, 2013, p. 11 (“O humano moderno é um animal em cuja política está suspensa sua vida de ser vivente” Foucault).

[2] Cf. http://orescator.blogspot.com.br/2012/12/eugeniaoracismo-cientifico.html

[3] Cf. http://orescator.blogspot.com.br/2012/12/eugeniaoracismo-cientifico.html

[4] Todas as transcrições que seguem foram extraídas de http://orescator.blogspot.com.br/2012/12/eugeniaoracismo-cientifico.html

[5] Cf. http://orescator.blogspot.com.br/2012/12/eugeniaoracismo-cientifico.html

[6] Cf. http://orescator.blogspot.com.br/2012/12/eugeniaoracismo-cientifico.html

[7] WHITE, Matthew. El libro negro de la humanidade. Tradução Rosa María Salleras Puig e Silvia Furió. Buenos Aires: Crítica, 2012, p. 420 e ss.

[8] WHITE, Matthew. El libro negro de la humanidade. Tradução Rosa María Salleras Puig e Silvia Furió. Buenos Aires: Crítica, 2012, p. 422.

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51 Comentários

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"Racismo descansa em uma utilidade econômica"... não acredito que li isso. O autor estuda ou estudou um pouco a história da humanidade?

Na história dos judeus (exemplo, isso séculos antes de cristo) eles foram escravizados pelos egípcios por serem judeus, e os judeus, por sua vez, escravizaram outros povos depois de libertos, simplesmente por serem outros povos.

Romanos, Sumérios, Persas, Medos, Egípcios, Gregos, Chineses, Hindus... escravizavam com base em práticas de superioridade racial outros povos e a si mesmos (castas sociais), isso a milhares de anos antes de cristo... e o autor do texto põe a culpa em elementos do capitalismo europeu como a gênese disto??

Racismo, preconceito, opressão acompanham a história da humanidade. Não é um produto moderno.

Odiamos as liberdades sociais europeias como se houvessem outros países com liberdades sociais melhores, odiamos a democracia norte-americana, como se houvesse outras nações com um sistema democrático mais aprimorado, odiamos o nosso sistema econômico como se as experiências soviéticas, chinesas, norte-coreanas fossem melhores...

Que existem problemas a corrigir em nossa sociedade, sim existe. E devem ser corrigidos. Mas que discurso é esse que passa a ideia de que somos o pior que existe no mundo, como causa de tudo que dá errado.

Às vezes me pergunto, o que existe no ocidente que desperta o ódio do seu povo contra sua própria sociedade.

Talvez o ocidente mereça ruir, como querem seus intelectuais. Deixem vim as ditaduras ao estilo de 1984 (livro de George Orwell) comunistas - como é hoje na China, Coreia do Norte e Cuba - , afinal, são revoluções contra a opressão, assim rezam nossos intelectuais, deixem vim a Teocracia Iraniana (que apedreja mulheres e homossexuais, mas mesmo assim para nossos intelectuais são melhores que Israel), deixem vim os grupos radicais do EI.

Que nojo eu sinto, às vezes, do nosso povo. Francamente... continuar lendo

Caros Guilherme, concordo com as suas análises. O articulista é um dos mais expressivos juristas da atualidade no estudo do Direito Penal. Porém, tentar escrever sobre tudo e todos, é tarefa, somente, para Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. continuar lendo

Com todo respeito, a ideia de superioridade racial está sempre atrelada a utilidade econômica.

Mesmo Hitler, um dos maiores líderes xenófobos da história, utilizou durante muito tempo a glosa de que os semitas seriam a raiz dos problemas alemães.

No fundo, entretanto, seus interesses eram bem mais simplórios: uma justificativa para desapropriar um grupo conhecidamente abastado (não falamos aqui que todos que professavam o judaísmo seriam ricos) para financiar sua política de desenvolvimento acelerado.

Aliás, os próprios romanos a quem você citou, utilizaram da escravidão para manter seu sistema econômico funcionando (sendo, inclusive, o arrefecimento das guerras - com a consequente queda no número de escravos capturados - um dos principais motivos para o decaimento do império romano do ocidente), já que as principais formas de imposição da escravidão eram dívidas e as provenientes de guerras (quando povos eram conquistados e escravizados).

Seguindo esse pensamento, os romanos não escravizavam por racismo: eles o faziam para manter funcionando a máquina que criaram. Obviamente, com o passar do tempo e o desenvolvimento da cultura e a sociedade, determinadas "raças" alienígenas e nichos sociais eram inferiorizadas por aquelas que se encontravam no poder (o que podemos, claramente, verificar no pensamento pejorativo dos romanos com relação aos chamados "bárbaros").

Dessa forma, a teoria do autor de que eles serviram de exemplo de povos que segregavam com base em superioridade racial, também cai por terra. Ocorre que mesmo os discursos mais racistas possuem em sua raiz fundamental um interesse escuso econômico - no entanto, a cultura, a religião, os costumes e o tempo muitas vezes tratam de mascarar essa realidade.

E por fim, devo dizer que não vejo concisão alguma entre o que escreveu o professor e sua visão de que a sociedade ocidental tem tendências a autopiedade. Mesmo que coubesse este argumento, (o que a meu ver não cabe, uma vez que sou totalmente a favor de discutirmos criticamente nossa realidade para que deixemos nossa estagnação) o mesmo não tem relação alguma com o tema "Racismo Científico" aqui discutido. continuar lendo

Não foi motivo econômico? O que vc tá falando cara? Primeiramente os egipicios escravizaram o povo hebreu pois temiam do povo hebreu se tornar a população mais roca do Egito então o escravizaram. Logo após serem libertos não escravizaram ngm da forma que vc está dizendo já que a Torah proíbe a escravidão desta forma. E quando os nazistas oprimiram o povo judeu , o motivo óbvio foi que os judeu eram a elite financeira global então foram postos como o bode expiatório da incompetência das potências centrais durante a Primeira Guerra continuar lendo

Dúvida: quando se institui cotas através de Lei, não é um racismo? Ou este tipo pode? continuar lendo

Não é racismo! Aptidão semântica: para qual o uso se está fazendo da palavra? Racismo é o processo de opressão social e preconceito! Políticas de inclusão e promoção da igualdade não são racismo! continuar lendo

Falácia: fazer perguntas que induzem a pessoa a crer que a resposta está pronta, aceita e validada... "esse tipo pode"? Ora, cotas não são racismo, são o combate ao racismo! continuar lendo

Qual seria o critério objetivo para isto? Precisa ser definido em Lei, não é isto? continuar lendo

O critério objetivo é explicitar o objetivo do uso da palavra racismo: se você fala de racismo para designar a inegável tragédia social deste país (e de outros) de segregação, o termo racismo está sendo empregado para um fim para o qual ele é "apto" - ele se presta a essa função designativa. Mas para falar de um programa de inclusão social de um povo que está "expulso" da universidade (USP = 7%), a palavra "racismo" é inapta, não se presta a designar o programa, pois o programa é antagônico à segregação, seus objetivos são inconciliáveis com os objetivos do racismo. Portanto, não tente igualar os contrários usando essa falácia do "nome", o nome "racismo" não serve para classificar as cotas. continuar lendo

Thiago Venco, esse é o problema...

Racismo: processo de opressão social e preconceito.
Cotas: Políticas de inclusão e promoção de igualdade.

Isso me lembra a Revolução dos Bichos, romance de George Orwell, quando os porcos falam: "Existem animais mais iguais que os outros". Tenho certeza que os sul africanos achariam definições "bonitas" para o apartheid, talvez, "políticas de preservação e incentivo cultural" e os nazistas igualmente para o holocausto, talvez, "políticas de segurança de integridade nacional", mas não muda o fato que é racismo/opressão/crime.

As cotas é uma forma de racismo/opressão/crime. Na medida que literalmente "toma" a vaga de um para dar para outro. E é curioso, apesar da população ser majoritariamente miscigenada (existem poucos "brancos" e mais poucos ainda "negros" de verdade) cada um adota o "eu sou branco" ou "eu sou negro" conforme a conveniência e oportunidade...

Racismo existe. Mas não é privilégio do branco com o negro, existe também do negro para com o branco. E do magro para com o gordo. Do homem contra a mulher e vice-versa. Do estrangeiro contra o nativo e do nativo contra o estrangeiro... continuar lendo

É relativa essa acepção. Não é por que está disposto em lei que não é uma medida discriminatória. O racismo legal é uma coisa, o que as pessoas chamam de racismo é outra.

O "mimimi" de sempre quer dizer que não há negros na Universidade e no serviço público. A verdade é que não há pobres nessas posições.

E como corrigir isso? Melhorando educação básica? Distribuindo renda? Não, colocamos somente os negros, criamos o bode expiatório do homem branco, rico, racista, machista, etc. e ignoramos todos os outros prejudicados, brancos e indios pobres. Cria-se um curral eleitoral imenso e garante-se na próxima eleição.

Simples assim.

Implantar um sistema de cotas raciais, num país onde o grau de mestiçagem é altíssimo, como o Brasil, é ilógico. Aqui não é Estados Unidos. É só verificar o caso emblemático dos irmãos gêmeos, em que um foi considerado negro e o outro não pela Unb.

A solução, agora, é um tribunal racial, onde terceiros irão definir a tua raça? É isso que já está acontecendo em âmbito estadual e federal. Quer dizer, você pode se achar pardo, mas se no dia da entrevista estiver mais pálido de nervoso, ou mesmo alguém não for com a tua cara, você poderá ser "sentenciado" como branco?

Essa tal "comissão de verificação com relação à autodeclaração" parece aqueles órgãos nazistas que verificavam o fenótipo de supostos judeus! É absurdo. E quem disse isso não fui eu, mas o Procurador Cabeleira, que usou esse mesmo exemplo.

E os casos em que a família inteira é negra/parda e o filho nasce branco? Quer dizer, a pessoa teve todas as condições sociais de uma família negra, todavia, não poderia, em tese, concorrer às vagas.

O ideal seria um critério puramente social, onde a inclusão de mais pessoas negras e pardas, que realmente não tiveram condições de estudos, seriam automaticamente beneficiadas.

Pelo sistema atual, na questão de inclusão racial, somente os negros e pardos com condições sociais melhores têm oportunidade. O pobre, independente da raça, será excluído.

Nivela por cima, não inclui os mais pobres. É mudar para continuar tudo igual.
Em suma, o sistema não inclui satisfatoriamente, haja vista casos como o do Itamaraty, negros e pardos, não inclui pobres, não funciona. continuar lendo

Na minha concepção, as cotas representam o racismo institucionalizado. continuar lendo

Mentira e racismo

Para “existir racismo” num país basta que ali haja racistas, mesmo tímidos e indolentes, mesmo raros e esparsos, mesmo sem poder ou militância, mesmo refugiados no mais fundo do esquecimento e da marginalidade. Nesse sentido, não há um só país do mundo, nem mesmo o Brasil, que possa se dizer totalmente isento de racismo. Um país assim só existe na Terra do Nunca. Mas para um país “ser racista” é preciso que o racismo seja ali uma ideologia operante, ativa, inspiradora de movimentos, partidos e associações. Para um país “ser racista” é preciso que o racismo nele seja crença amplamente aceita por uma parcela significativa da opinião pública e fortemente inscrita nas leis, nos costumes, na cultura popular e erudita.

É claro que no Brasil há pessoas racistas, mas não há um só grupo racista organizado, exceto, por ironia, os grupos negros que, ludibriados pela fraude estrangeira, começaram recentemente a desenvolver um ódio irracional aos brancos e já o expressam em suas letras de “rap”. Pelos frutos os conhecereis: durante quase dois séculos, a música popular brasileira deu testemunho da nossa integração racial, da nossa cultura miscigenada e da cura progressiva e irrefreável das feridas da escravidão. De uns anos para ca, pela primeira vez o ódio racial, trazido de fora por ONGs e empresas milionárias a pretexto de “affirmative action”, fez seu ingresso no nosso repertório musical.

Fraude comparável é a das estatísticas de opinião que, da crença geral na existência de uma coisa, deduzem a realidade objetiva dessa coisa e não a simples existência da opinião mesma como fato social. A moda foi lançada, creio que em 1998, pela revista IstoÉ, que se destaca das demais publicações semanais pelo seu sectarismo cínico. De uma sondagem de opinião na qual oitenta e tantos por cento dos entrevistados afirmavam haver racismo no Brasil, a revista concluía, em manchete espetaculosa, que havia encontrado “a prova definitiva” do racismo brasileiro. Mas a estatística, obviamente, provava o contrário. Os oitenta e tantos por cento que denunciavam a existência de racismo faziam isso precisamente porque eram anti-racistas. Anti-racista, igualmente, era a parcela minoritária que, julgando defender a boa imagem do Brasil, negava a existência de racismo no país. Somadas as duas parcelas, os racistas, se algum sobrava, só poderiam ser pinçados no número residual dos indecisos e desinformados, descontando-se, evidentemente, os autenticamente indecisos e desinformados. Vender revistas com a manchete “Racismo: a prova definitiva”, em tais circunstâncias, foi evidentemente propaganda fraudulenta. Se eu fosse assinante dessa porcaria impressa, teria levado o caso à Delegacia do Consumidor.

Olavo de Carvalho continuar lendo

Convido o doutor a estudar o conceito de discriminação positiva ou igualdade material. continuar lendo

Eu também já me peguei pensando sobre isso várias vezes. Agora veio à minha mente que a maioria dos presidiários são pretos ou pardos, eles podem pensar/achar que essa é uma boa forma de amenizar a violência hoje em dia porque sabemos que somente a educação de qualidade traz sonhos novamente a uma pessoa. continuar lendo

Tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, é a máxima do princípio da isonomia na nossa Constituição Federal.

O que definitivamente acontece, é que há uma grande pluralidade de interpretações quanto ao nome, que necessariamente deveria ser legislado como "cota social", já que sua verdadeira finalidade é atingir uma grande parte da população carecedora de recursos governamentais, independente da cor da sua pele, e sim, sua condição social/financeira, pois não existe apenas negros "pobres", por mais que sua maioria seja notória.

Vale lembrar aos colegas também, que desde a abolição da escravatura, até um tempinho atrás, pra não soar muito longe (década de 20), nenhum negro poderia cursar o ensino superior no Brasil. Isso mesmo.

É fácil nascer numa geração onde tudo parece estar estabilizado, difícil é arranjar um tempinho pra conhecer suas causas e efeitos. continuar lendo

Quanto às cotas no ensino superior, digo que também tenho ca minhas ressalvas. Prefiro a recompensa pelo mérito, não pela mera condição.
Mas é preciso ressaltar que as cotas pretendem, não "contemplar" os negros, mas sim ajustar a desigualdade estabelecida no acesso ao ensino superior.
A maioria sabe, mas acho que não custa repetir.
Seria muito melhor que todos os jovens, brancos, negros, etc, tivessem excelentes escolhas primárias e secundárias. Assim não haveria necessidade de cotas.
Mas não é essa a realidade que vivemos. E não seria justo esperar pelas décadas à frente, necessárias para colocar o ensino brasileiro no nível adequado e uniformemente acessível.
É notório, também, que principalmente nas faculdades públicas, e nos cursos mais concorridos, só passam pelo vestibular os alunos mais ricos, vindos de escolas melhores, cujos familiares podem bancar cursinhos de preparação e que não precisam dividir seu tempo entre estudo e trabalho.
As contas, na minha opinião, não são a melhor solução. Mas é, possivelmente, a melhor que temos disponível, nesse momento, para reduzir essa desigualdade.

O problema que tenho observado é que as cotas viraram "moda".
Começamos a ter cotas para tudo e para todos.
Regimes que impõem desigualdade de oportunidade, mesmo à pretexto de promover a igualdade, precisam ser avaliados e implantados com imenso rigor e cuidado. continuar lendo

A minha dúvida permanece: Como definir quem é negro para cotas? Critérios objetivos, não subjetivos. continuar lendo

John Doe, concordo apenas em parte com você, afinal mesmo que sejam necessários 30 ou 40 anos para melhorar definitivamente o ensino básico no Brasil, esse tempo não é nada para um país que está mergulhado na ignorância há mais de 500 anos. O grande problema é que político é imediatista, quer soluções que funcionem antes das próximas eleições, para que possa buscar sua reeleição como o Salvador da Pátria. Não há interesse político em qualquer projeto que só dê frutos em décadas, pois enquanto a sociedade não usufruir de seus benefícios, os políticos não poderão utilizar o mesmo como "vitrine" em palanque eleitoral. É muito melhor, por exemplo, inaugurar um estádio de futebol. Dá mais voto. continuar lendo

Caro Eduardo Rocha

O regime de cotas adotado no Brasil, visa equilibrar a balança entre brancos e negros, porém, acredito que de forma errada, explico:

O correto seria o Estado promover a educação de forma igualitária, universal e de qualidade de modo que todos pudessem concorrer com as mesmas chances independente de raça, cor, credo, opção sexual etc...

Ocorre que a esquerda que se apoderou do sistema, e isso, desde as universidades em geral até o mais alto posto do organismo estatal, com tal ocupação, conseguiu e condicionou as pessoas a pensarem que sofreram injustiças sociais ao longo dos séculos e que uma forma de reparação seriam as cotas, ao invés de nivelarem por cima o fazem por baixo e porque?

Mais uma forma de dominação através da gratidão, ao me fazerem pensar que sou inferior e ainda assim poderei ascender socialmente como um "branco", em tese, superior a mim, crio uma gratidão ao sistema afinal, antes nada era feito, agora, pelo menos nos deram uma chance!!

Isso possibilita adesão à causa uma vez que como dito, antes nada era feito, antes eramos invisíveis e agora, conseguimos pelas cotas, alguma visibilidade!

Há ainda a questão de que a universalização da educação e a melhoria da qualidade implica primordialmente em investimentos na educação, e isso, é mais caro que cotas!

Penso que o sistema adotado, não é o correto, nem o ideal, entretanto leva muito tempo antes que se mude o raciocínio e a forma de pensar de uma nação, como mudar alguém que foi criado sua vida inteira, sendo doutrinado a acreditar que é inferior? Como mudar a mente de alguém que aprendeu que o bonito é ser branco de olhos claros? Como mudar a mentalidade de alguém que aprendeu que até a escrava da novela que seria mestiça, na verdade era branca e não mulata? Ou seja, fomos ensinados a ser sub raça e agora, as cotas (embora eu discorde) abrem uma possibilidade para que alguns ascendam socialmente e quem sabe possam mudar o conceito em outros e assim mudar o raciocínio e a visão de que em nada somos inferiores, somos apenas diferentes e essa diferença é apenas na cor da pele pois raça, é a mesma, a raça humana! continuar lendo

Em meu modo de ver cota não e racismo, sendo eu Negro e não faço uso da mesma, muitos questionam as cotas.? Eu posso afirmar o preconceito em nosso Brasil contra os negros e gritante, Dou exemplo faculdade particular onde curso Direito na primeira fase eram quase 160 alunos onde apenas quatro eram negros ?Cota e´compensação pelos anos de escravidão para alavancar esse pais , onde negros foram tratados como lixo. continuar lendo

O curioso quando se fala de escravidão é que ignoram que o próprio Zumbi fez escravos. Ignoram também a origem, onde na África negros já faziam outros negros de escravos. continuar lendo

Antes que apareçam os argumentos que tentam desfazer o debate dizendo que "raça não existe", vamos acabar de vez com essa falácia, aplicando a ideia de APTIDÃO SEMÂNTICA: na filosofia e na ciência, as palavras mudam seu significado conforme avançam as pesquisas (vide o antes indivisível "átomo"). Sim, a discussão sobre a pertinência da palavra raça existe e seu objetivo é aprofundar o entendimento de processos evolutivos - No entanto, o objetivo de usar a palavra "racismo" é totalmente diverso. Poderíamos chamar de "bláblázismo", contanto que o objetivo fosse o mesmo, que é apontar o preconceito, opressão e abuso de um povo. A aptidão semântica nos faz ver que "raça" pode ser um termo inapto para a biologia moderna, mas "racismo" é um termo totalmente apto para designar o grave problema social que vivemos. Em tempo: igualitarismo é objetivo, é ideal, é projeto, para o qual temos que trilhar um longuíssimo caminho de correção de desigualdade. Portanto, negadores do racismo, mudem de discurso pois esse não procede. continuar lendo

É exatamente este tipo de sofismo que estou aqui desmontando, essa ideia absurda que o racismo (a opressão grave e disseminada) seja criado por quem diz que ele existe! Esse seu esforço de idealizar a discussão e separá-la de objetivos concretos (acabar com o racismo) é inaceitável. O que importa é acabar com a violência contra uma população de milhões de pessoas neste país - eu vou sempre antagonizar com objetivos de quem quer sustentar o preconceito, de quem quer negar o problema, de quem quer desautorizar quem combate o racismo com falácias e ataques pessoais. continuar lendo

Interessante ponto. Ainda que o nome seja incorreto, é o termo que consagramos. Há quem queira ressignificar termos, o que às vezes funciona, às vezes não. Mas levar a discussão para esse lado é uma espécie de cortina de fumaça que atrasa a discussão mais relevante. continuar lendo

As palavras têm poder. Conta-se que os nomes dos judeus são nomes dados para exaltar ao máximo aquela criatura (baseado na idéia de superioridade étnica) e que esse "orgulho" pessoal e nacional foram determinantes para que Israel vencesse a Guerra dos Seis Dias contra vários inimigos alta e belicamente poderosos na região (conflito armado que opôs Israel a uma frente de países árabes - Egito, Jordânia e Síria, apoiados pelo Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão). Não só Israel venceu a guerra como também aumentou seu território em 6 vezes. Sim há outros fatores que explicariam essa vitória, inclusive o reforço religioso de David contra Golias, mas não dá pra descartar o poder das palavras. Ainda que o nome seja incorretamente usado e mesmo assim consagrado, ele consagra o quê, exatamente? O que queremos erradicar! continuar lendo

Apenas ressaltando uma coisa importante para quem associa o termo "progressista" a ideologias socialistas:

"Após a vitória do Partido Republicano antiescravagista (Abraham Lincoln) os estados do sul se insurgiram fortemente.

A Guerra Civil americana pode ser definida como uma guerra entre duas visões opostas: uma nacionalista e conservadora (formada pelos protestantes brancos anglo-saxões) e outra fundada na igualdade entre todos os humanos (visão mais progressista e humanista),"

O nos EUA o Partido Republicano é o partido das pessoas politicamente conservadoras e economicamente liberais. O Partido Democrata concentra os "Liberals", social-democratas, aqui conhecidos como progressistas. Ou seja, o texto do Prof LFG aponta que os abolicionistas é que eram abolicionistas e que o verbete progressista tem sido tomado pelos liberals apenas como propaganda.

Lembro que as primeiras mulheres politicamente poderosas vieram de segmentos conservadores: a monarquia (Rainha Elizabeth) e o partido conservador britânico (Sra Tatcher). continuar lendo