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24 de Agosto de 2019

A verdade sobre o PT, o PSDB e o PMDB depois de 30 anos

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 5 anos

Por: Leo Rosa de Andrade e Luiz Flávio Gomes

Certos segmentos da esquerda que atuaram durante a Ditadura Militar pretendiam-se os faróis do futuro. Eles fariam a revolução e conduziriam o povo à libertação do capitalismo. Sob o império dessas crenças salvacionistas, messiânicas, nasceu a redemocratização (1985) assim como a Constituição (1988), com o PT mais à esquerda e o MDB numa posição mais de centro. Este acabou bipartindo-se em PMDB (que ostenta conhecidos representantes da cleptocracia: Estado cogovernado por ladrões) e PSDB (com posicionamento ideológico mais de centro e discurso ético, refutando as práticas corruptas deploráveis de Orestes Quércia e tantos outros políticos do PMDB). Trinta anos depois da redemocratização, sabe-se que o PT “petrolou” e “mensalou” e que grande parcela do PSDB “metrolou” e também “mensalou”. O PMDB (assim como outros partidos menores, com raríssimas exceções), como sempre, cogovernando fisiologicamente o País (presidencialismo de coalizão), “cleptou”.

Centrando atenção no PT (que é o governante de plantão), infográfico elaborado pelo jornal Estadão (visitado em 14/2/15) mostra como ele e políticos ligados à legenda aparecem na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção e desvios na Petrobras. Vejamos:

Petrolar ou metrolar quem

Fonte: Estadão

Para opor combate aos opressores, os próceres do PT entenderam necessária uma disciplina determinada por sua hierarquia partidária. Três coisas fundavam a subordinação: a hierarquia que os vinculava era compreendida como centralismo democrático; a análise que faziam da História dava-lhes certeza de sucesso, pois seu método seria científico; cada militante se tinha como apóstolo de uma causa messiânica, salvadora dos povos oprimidos.

Suas ações eram fundadas em uma movediça justificativa. O que quer que fizessem era explicado por uma expressão à época fartamente usada: dialética da História. Ou seja: de uma aliança partidária qualquer a um assalto a banco, do apoio a um candidato corrupto a um sequestro, tudo era feito em nome dos meios para um fim.

O Golpe Militar de 1964 foi o fundo (o leitmotiv) de tudo isso. Os militares usurparam o poder, sequestraram, torturaram, mataram e fizeram desaparecer pessoas. Oportunistas, ingênuos e corajosos de esquerda viram nisso o “momento histórico” para a sua própria revolução. Começaram, então, a fazer as próprias tolices. Sem procuração de ninguém, foram messianicamente à salvação da pátria.

Bobagens à parte, esses grupos se organizaram, militaram e chegaram ao poder. Aí estão e aí estão (do ponto de vista formal) legitimamente (ou seja, de acordo com as regras eleitorais da redemocratização, que espelham o deplorávelsistema eleitoral brasileiro, “financiado” pelas grandes fortunas). Aí estão pelo voto e seus votos foram obtidos conforme a nossa pouco exemplar tradição (desde que se constituiu o primeiro partido político no Brasil): usaram muito dinheiro, foram financiados por empresas e empresários que sempre cobram o retorno do “investimento”, deram dentaduras (há caso documentado), fizeram tudo o que sempre se fez no País.

Então, todos os partidos são iguais? Não, não são. Há uma diferença. Não qualificamos a diferença de melhor ou pior. Mas o método da turma no poder é outro. Que as práticas políticas brasileiras sempre foram atravessadas por dinheiro, todo mundo sabe, mas era investimento privado. O que a esquerda no poder faz é corromper com dinheiro público. Isto é: o Estado foi “aparelhado”. Aparelhar o Estado é usá-lo para fins privados, para vantagens pessoais. “Aparelho” também era o nome dado aos grupos organizados de militância esquerdista. Aparelhar o Estado, na especialidade dos poderosos do momento, significa colocar um “companheiro” em cargos públicos importantes. Esse “companheiro” tem uma tarefa: ser “dialético”, ou seja, deve se virar e arranjar verba para a máquina partidária (porque a manutenção do poder exige muito dinheiro).

Podemos chamar isso de corrupção, que constitui o eixo da grande cleptocracia (Estado cogovernado por ladrões). Mas corrupção, dirá um esquerdista tipo “dialético”, é um ato burguês; corrupção, dirá um “companheiro”, é expropriação do Estado para fins privados. Roubar do Estado para fins de manter o poder e, no poder, salvar o povo, é pura “dialética”. É dizer, são meios ilícitos para fins justificados (consoante pregação quinhentista de Maquiavel).

Impõe-se abaixar a maldita Ditadura, sempre. Agora, ca pra nós, esse governo, “dialeticamente”, está nos roubando. Roubalheira política sempre houve. Roubalheira estruturalmente “dialética” é a primeira. A esquerda no poder nos aparelhou. Que pena! As novas lideranças nacionais, do seu jeito, fazem a mesma coisa ou até pior que as nefastas lideranças antigas. Juntas, transformaram o Brasil num grande antro de extração de dinheiro (como fazem os traficantes nos seus âmbitos territoriais). Todos nós, conservadores ou progressistas, continuamos vítimas das oligarquias criminais. Essas oligarquias, com jeitos novos ou nem tanto, estão nos chupando o sangue parasitariamente, crescentemente, diariamente.

Saiba mais

A Polícia Federal, contudo, não considera tal distinção (entre corrupção e dialética). A Polícia investiga e indicia: “Lista revela obras na mira do esquema. A maior preocupação dos policiais federais que atuam na Operação Lava-Jato já não se resume ao suborno pago a diretores da Petrobras para irrigar contas de partidos da base governamental; o alvo, agora, é uma planilha apreendida no escritório do doleiro Alberto Youssef – o maior operador de propinas oriundas da estatal de petróleo. O documento elenca 747 projetos que figuram entre as maiores obras em andamento no país. Vão de hidrelétricas a hidrovias e irrigação contra a seca, além de extração petrolífera”.

A planilha menciona mais de cem empreiteiras. Dos empreendimentos, “41% nada têm a ver com petróleo; as 34 páginas do documento mostram o cliente, o nome de um contato na firma, telefones, o cliente final, no que consiste o empreendimento, a data da proposta e um valor” (DC, 15dez14, editado). E isso tudo não é a coisa toda: “Gasto de estatais com publicidade sobe 65%. Empresas controladas pelo governo federal gastaram com propaganda R$ 16 bilhões no período entre 2000 e 2013. Petrobras, Caixa e Banco do Brasil gastaram 86% desse valor” (FSP, 17dez14). E ainda faltam, nesse rol de “aparelhamento”, as milhares ONGs. Nossas ONGs, salvo exceção, são financiadas por estatais. Em geral, são “aparelhinhos” que empregam “companheiros” militantes Brasil afora.

Estamos submetidos a uma troyka maligna composta de políticos e outros altos agentes públicos + agentes econômicos + agentes financeiros (bancos da “lavanderia”), que são ladrões da alta sociedade que dominam o poder e o mantêm, porque quando não estamos distraídos e exaustos pelo trabalho ou mesmo pelo entretenimento, preferimos não abordar seriamente temas cruciais como o descontrole da inflação e das contas públicas, os aumentos de impostos e da gasolina, a falta de água e de luz, a insegurança pública, a violência, o financiamento das campanhas eleitorais caríssimas, a reeleição dos corruptos, a educação de péssima qualidade, os serviços públicos de quinta categoria etc.

Adicionalmente, a triste verdade é que a maioria da população sabe que a criminalidade organizada de alto coturno (granfina) está nos roubando da forma mais suja e vergonhosa que se pode imaginar, surrupiando parcelas percentuais a cada dia, porém todos os dias, por meio de milhares de transações fundadas em letras pequenas, mas ignora, ao mesmo tempo, que toda essa roubalheira estrutural não passa de sinais de um gigantesco sistema, ou seja, de um imenso mecanismo social de dominação (e de exercício de poder – ver Taibbi, Cleptopía: 60-61), que a quase totalidade dos brasileiros não sabe nem sequer que existe. Essa é a triste verdade! É uma verdade triste conviver com isso.

P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (vejawww.fimdopoliticoprofissional.com.br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!

66 Comentários

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Realmente é uma triste verdade. O PSDB afirma que a roubalheira começou com o PT, este por sua vez diz que foi com o PSDB e, enquanto isto o PMDB que de bobo não tem nada segue mandando nos dois. Será que o fim da reeleição bastaria para dar um fim nisto ou é melhor que nosso Judiciário realmente se faça presente e dê um fim nesta roubalheira estrutural? continuar lendo

Eu não confio no Judiciário faz tempo. continuar lendo

Eles também mandam no Judiciário. continuar lendo

O Judiciário me parece também aparelhado. continuar lendo

Muito bom o texto prezado professor, faço apenas uma consideração:

"O Golpe Militar de 1964 foi o fundo (o leitmotiv) de tudo isso. Os militares usurparam o poder, sequestraram, torturaram, mataram e fizeram desaparecer pessoas. Oportunistas, ingênuos e corajosos de esquerda viram nisso o “momento histórico” para a sua própria revolução. Começaram, então, a fazer as próprias tolices. Sem procuração de ninguém, foram messianicamente à salvação da pátria."

A contra-revolução de 1964 não foi um golpe militar. Foi o congresso quem declarou vaga a presidência e quem elegeu o Gen Castelo Branco. Antes da junta que assumiu o governo em 9 de abril, o país foi governado por Ranieri Mazzili. Todo o movimento teve grande apoio popular. Se o senhor quiser chamar de golpe, que seja se golpe cívico-militar.

Realmente concordo que o efeito realmente não poderia ter sido melhor para os marxistas-lenilistas. Nem sei se eles mesmos não provocaram intencionalmente os fatos que serviram de propulsores para o "golpe". Afinal: uma população satisfeita não faz revolução; quem está em sua zona de conforto é naturalmente conservador. Todas as experiências de revoluções socialistas/comunistas anteriores tinham como bandeiras o enfrentamento de: governos tiranos (Czar Nicolau II, Fulgêncio Batista, ...); um mal exógeno ou grupo considerado intruso (Metrópole europeia "colônias africanas", judeus e Europa vitoriosa da 1ª GM "Alemanha"); ou um governo extremamento corrupto "China".

Sei que Castelo Branco revogou os quatro atos institucionais antes de passar o governo para Costa e Silva e que implantou alterações na carreira dos oficiais para dificultar que houvessem militares políticos (não sei sei se isto não teve haver com o seu acidente aéreo, afinal, o endurecimento do regime interessava tanto para quem tinha sede por poder nas FA como para quem queria a população mais descontente e mobilizável "guerrilheiros"). O Exército estava dividido entre o grupo castelista e o grupo linha-dura. continuar lendo

Perfeito.
Em entrevista sobre o assunto, os militares deixaram claro que a única coisa que deixaram passar foi a mídia, que enalteceu criminosos como heróis promovendo a esquerda e seus instigadores como salvação para o Brasil.
Vemos hoje na nossa conta de supermercado o que acontece quando pessoas sedentas de poder, e não sedentas de justiça, tomam posse de uma nação ingênua e ignorante. continuar lendo

Caro Rafael

O Sr teria o vínculo (link) dessa entrevista que citou?

Fiquei interessado em assisti-la. continuar lendo

Esta é a parte 1 de 4 blocos.
Eu acredito que devemos selecionar cada parte, e, muitas fazem sentido, quanto ao regime militar e a falha do regime em não se promover pela imprensa deixando a esquerda deitar e rolar:
https://www.youtube.com/watch?v=2GxYplOSuw4 continuar lendo

Contra-revolução? Outro ali dizendo que os militares deixaram passar a mídia e ela enalteceu criminosos?

De estudar história ninguém gosta, né? continuar lendo

Somente pra lembrar algumas coisas que aconteceram durante 1990 á 2015:

10-Máfia dos fiscais---------------18 milhões--------PSDB paulista.
09-Mensalão (em julgamento)---55 milhões---(PT).
08-Sanguesuga---------------------140 milhões-----PSDB.
07-Caso Sudan---------------------214 milhões-----PSDB.
06-Operação Navalha da carne--610 milhões-----DEM.
05-Anões do Oeçamento---------800 milhões------PMDB,PFL,PTB.
04-TRT de São Paulo-------------923 milhões-------PMDB.
03-Banco Marka-------------------1,8 BILHÕES------PSDB.
02-Vampiros da saúde------------2,4 BILHÔES------PSDB.
01-Banestado----------------------42 BILHÔES-------PSDB.
Isto é apenas uma pequena demonstração que jamais podemos esquecer e cobrar dos poderes (podres) públicos uma ação enérgica e rever todos estes processos em nome da nação.

Inclusive á mídia por notória tendencia ideológica- partidária. continuar lendo

Muito boa sua lembrança, e até para NÃO cair no esquecimento ai vai mais alguns escandalos:

1) Petrobrás
2) Operação Navalha.
3) Escandalo dos Dossiês- Aloprados.
4) Escandalo dos "Fundos de pensão".
5) Escandalo do BMG (Emp.Consignado)
6) Caso do caseiro Francenildo.
7) Escandalo Game-Corp x Telemar (Caso Lulinha).
8) Caso Toninho da Barcelona (Doleiro)
9) Dolares na Cueca (Assessor do irmão do Genoino).
10) MENSALÃO (Marcos Valério).
11) Escandalo do DENIT.
12) Caso Celso Daniel (Pref. de Sto.André).
13) Operação Anaconda.
14) Escandalo dos BINGOS.
15) Escandalo dos Correios.
Não estão em ordem de acontecimento e/ou deflagração.

Todos na era e no jeito do PT de governar.
Claro que existem mais de 100 casos de corrupção e roubo do dinheiro público, e isso, não é privilégio do PT e PSDB, mas de TODOS os partidos, salvando-se apenas uns poucos parlamentares honestos que militam em varios partidos, mas que são raridade. continuar lendo

A principal característica do PT não é corromper/praticar corrupção, mas negar com veemência qualquer irregularidade ou crime a ele imputado.

A reação invariável do PT é cada vez mais óbvia. Quando a oposição o denuncia por alguma ilicitude, o referido partido rapidamente se prontifica a rebater a denúncia com outra denúncia, em vez de apresentar uma defesa consistente. O PT reage tal qual uma versão intriguenta, ressentida e acuada do Ministério Público.

Alardear que "o Brasil saiu do Mapa da Fome" (o governo passou a adotar a seguinte classificação: faz parte da classe média quem aufere renda entre R$ 291 e R$ 1.019) é o mesmo que, em face da supressão do artigo 155 do Código Penal, cantarolar por aí o enredo "o Brasil saiu do Mapa do Furto".

Quando um petista retruca: "Os tucanos é que inauguraram o esquema de corrupção na Petrobras", ele pretende, destrambelhadamente, eximir o PT de responsabilidade (administrativa, penal, social e moral). Sustentar a defesa assim faz tanto sentido quanto um Charles Manson da vida fazer a estapafúrdia afirmação: "Mas quem começou com esse lance de homicídio foi Caim", na esperança de minorar a pena ou até mesmo — vá saber como funciona a cachola desses vigaristas e apedeutas... — obter absolvição completa.

Em uma hierarquia de valores, fatos (o PT arruinou/está arruinando o país, ponto final!) SEMPRE subjugam hipóteses (com o PSDB seria pior).

Quando não há argumentos para fundamentar a defesa resta acusar sem pudor. Acusar denuncia desespero patente e derrota iminente.

Petistaiada mambembe: culpar FHC pela origem da lambança na Petrobras soa clichê. Sugiro culpar Getúlio Vargas: o fundador da estatal.

Petistas ostentam o bom senso de uma planária e a perspicácia de um furúnculo acomodado nas adjacências do reto: quando se trata de compreender obviedades cataclísmicas como a presente conjuntura política, o caso é perdido, a esperança dantesca ("Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança..."). Por inapetência intelectual ou por alergia à moral. Ainda que se provasse por A + B que o PSDB é o partido mais corrupto do mundo, a agremiação mais sórdida da história da humanidade, nada justifica os mergulhos fundos do PT na esterqueira em que se meteu. "Ah, mas todos os partidos roubam". Enquanto tiverem essa mentalidade de conivência e resignação o Brasil continuará a ser uma estrumeira vista ao longe. Se o PT agora chafurda na caudalosa evacuação de enxurrilho que respinga em tudo e em todos, ele o fez por livre espontânea vontade, nenhum partido o coagiu a fazê-lo. Relinchar histericamente o mantra "tucanos são mais corruptos", mesmo que na posse de provas incontestáveis, não implica extinção da culpa de Dilma e súcia no cartório, ora! Petistas não se cansam de tonitruar "A corrupção começou antes, com o PSDB, na era FHC". Mal sabem eles que acabam de confessar o seguinte: o PT é um partícipe. Ou um coadjuvante que atua melhor que o suposto protagonista. Jamais uma vítima, um mero figurante.

Quando Dilma declara que a roubalheira começou com o PSDB ela age como uma típica criancinha flagrada "fazendo arte", cuja reação imediata é se justificar para a mãe com a seguinte exclamação, apontando o dedo para o irmão: "Mas foi ele que começou!". continuar lendo

SIM!!!!! Obrigada, posso compartilhar??? continuar lendo

Perfeito. Só inclua ai o professor deles todos. PMDB continuar lendo