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16 de Outubro de 2021

Brasil: campeão mundial na violência contra professores

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 7 anos

O Brasil que pegou o caminho errado (estamos falando do Brasil fundado na “filosofia” de Valesca Popuzuda: “tiro, porrada e bomba”) está levando os brasileiros a conhecerem as profundezas do inferno descrito por Dante, na Divina Comédia. Que falta nos faz um estadista com sentido moral, absolutamente comprometido com sua não reeleição, que promova mudanças estruturais radicais!

Pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econônico (OCDE) apontou o Brasil como o país com o maior número de casos de violência contra professores. O estudo, chamado Talis (Teaching and Learning International Survey), foi baseado em um questionário internacional de larga escala que focava as condições de trabalho dos professores e da aprendizagem nas escolas, com o objetivo de formular políticas públicas a respeito do tema. Foram entrevistados mais de 100 mil professores e diretores de escolas do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio em 34 países.

A pesquisa revelou que 12,5% dos professores entrevistados no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, ocupando a pior posição nessa área dentre todos os países pesquisados, que apresentam a média de 3,4%. Colados no Brasil estão a Estônia (11%) e a Austrália (9,7%). Coréia do Sul, Malásia e Romênia aprensentaram índice zero de violência contra os professores. O Brasil, com sua cultura de tolerância zero, se transformou no campeão mundial em violência contra professores; a Coreia do Sul tem violência zero. Por que somos tão diferentes?

Em 1964 o Brasil, por meio de um golpe de estado, tomava a decisão de mergulhar no inferno da política do “tiro, porrada e bomba”. Resultado: milhares de desaparecidos, centenas de mortos, estupros, tortura, exílios, 21 anos de regime militar, perda do poder aquisitivo do salário mínimo, aumento na concentração de renda e da desigualdade, freio nas liberdades, escolaridade baixíssima etc. Com a redemocratização do país (1985), os novos donos do poder se livraram da vida militarizada, mas a filosofia da violência não saiu de dentro deles. Resultado: não conseguimos sair do atraso socioeconômico e educacional: 95º lugar no IDH (computando a desigualdade), campeão mundial em homicídios (em números absolutos: 57 mil por ano), ¾ da população são de analfabetos funcionais, taxa de 29 assassinatos para cada 100 mil pessoas, aqui estão 16 das 50 cidades mais violentas do planeta, aqui acontecem 11% de todos os assassainatos do mundo etc.

No mesmo ano (1964) a Coreia do Sul (que tinha renda per capita muito inferior ao Brasil) tomava a decisão de colocar todo mundo nas escolas (desde o jardim da infância até às universidades). Aqui, “tiro, porrada e bomba”; lá, “civilização, conhecimento, tecnologia e cidadania”. Resultado: lá não existe violência contra os professores, 2/3 da população têm formação superior, renda per capita 3 vezes maior que a brasileira, 2 assassinatos para cada 100 mil pessoas, 15º no IDH etc.

Cada país tem sua história, é verdade, mas essa história não brota da terra como produto da natureza. Ela é construída pelas decisões de suas lideranças. Algumas são competentes e têm visão de futuro, outras não. Os resultados entre os vários países mostram as diferenças (os erros e acertos).

A pesquisa da OCDE ainda indicou que, apesar dos problemas, a grande maioria dos professores no mundo se diz satisfeita com o trabalho; eles são apoiados e reconhecidos pela institutição escolar assim como pela sociedade em geral. Com relação à satisfação dos professores brasileiros na carreira, apenas 12,6% acreditam que exista uma valorização da profissão pela sociedade. Nesse item estamos entre os dez últimos no ranking. A média global de satisfação dos professores é de 31%. A Eslováquia é a última: apenas 3,9% dos entrevistados acreditam serem respeitados pela sociedade, seguida de França e Suécia com 4,9%. Os professores brasileiros recebem 1,9 mil reais por mês, três vezes menos que a média total dos países da OCDE, de 5,7 mil reais. Entra governo e sai governo e os professores continuam mal pagos, maltratados, desestimulados e desesperançados.

Os donos do Brasil, invertendo a máxima de Pitágoras (grego, filósofo), preferem punir os adultos (sempre seletivamente) a educar as suas crianças. O que é isso? Falta de educação dos donos do país. Eles não sabem que “Educação é uma descoberta progressiva de nossa própria ignorância” (Voltaire, francês, filósofo).

51 Comentários

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Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor
Paulo Freire continuar lendo

É isso que acontece com os direitos proclamados pelo ECA; da filosofia "Pedagogia do Amor" e os professores sem autonomia alguma frente aos seus alunos. O mais grave disso tudo não é a violência em si dos alunos contra os professores, mas, sim, o governo reconhecer e simplesmente ficar indiferente às agressões aos professores. Ou seja, "pior cego é aquele que não quer ver", pois há atualmente uma inversão de valores na educação: alunos mandam; professores obedecem; governo proíbe "castigos" e expulsões e ainda "JAMAIS PODE-SE REPROVAR UM ALUNO". É o mundo de faz de conta no estudo brasileiro e quem paga por tudo isso não é são somente os professores, mas a nação. Assim se cria uma nação de medíocres, uma vez que a educação & violência somente servem de tema para promessas políticas falaciosas e sem interesse algum no bem-estar no povo. Essa notícia é consequência e não causa, porém, tende a perpetuar-se no sistema. continuar lendo

É uma pena, fui professor e passei boa parte de minha vida defendendo nossa profissão.
Toda vez que eu abria minha boca para defender meu ponto de vista, geralmente era barrado por professores que me julgavam, afirmando que era preciso gostar de ser professor.
O que eles não entendiam é que eu adorava ser professor... ...Ser professor!!!
Até hoje existem aqueles professores que, na intenção de pegar carona e se mostrar para a direção da escola, criticam quem defende a profissão.
Só haverá mudança na Educação quando essa mudança iniciar na cabeça desse tipo de professor. À partir do momento que estes mudarem suas posições e começarem a cobrar, de fato, uma posição satisfatória das autoridades, a situação tomará outro rumo.
Incrivelmente e infelizmente, eu não sou maioria.
Mas enfim, já que a Educação não mudou, eu mudei de profissão. continuar lendo

Tenho visto muito isso. Mas é inevitável, eu te pergunto: como o Estado poderia chamá-lo de volta ao magistério? O que ele deveria te oferecer? Quais poderes lhe deveriam ser atribuídos? Quanto você deveria ganhar e quanto você desejaria descansar?
Acho que a utopia de tratar o professor como o "sábio do imperador", vai deixá-lo de fora da profissão. Não é mesmo?
É o propósito do desgoverno: desestruturaram o poder militar e o cidadão. Não sobrou nada além de minorias idealistas que pelo seu patriotismo sofrem e vêem o Brasil se decompondo lentamente. continuar lendo

Marcos

E você não podia ter feito melhor. O que este povo quer é que um médico passe um remédio pra dor, mas não tiram o espinho, querem solução ao mal mantendo a causa.

Você foi sábio. Fiz isso também não só na área profissional, mas morava em rua de terra, vendi e comprei no asfalto. Estava infeliz com outras coisas e mudei. Cuidei de mim. Não espero nada de nado vindo do governo, só impostos.

Enquanto não mudar o sistema de ensino atual as coisas não mudarão jamais. Veja uns vídeos sobre o professor Jordenes no Youtube, basta digitar "professor Jordenes" que você vai ver que não é difícil mudar uma escola, é trabalhoso.

Não adianta um abandono maciço na profissão, não adianta o governo dar bolsa isso, aquilo nem aquiloutro, o que tem que mudar é o sistema de ensino. Temos inúmeros alunos e raros estudantes.

Conheçi uma grande empresa que convocou os empregados e ofereceu o 2º grau em suas dependências e quem não o fizesse estava na rua, ela não ofereceu opções, ou estudava ou rua.

Dai que um feliz empregado veio até mim amaldiçoando a empresa e dizia: "Onde já se viu eu ter que estudar com esta idade, eu nunca precisei de escola pra desenvolver meu ofício e blá, blá, blá..." e eu disse: "Fácil de resolver, aceita a demissão, ou veste a camisa e faz bonito..." O cara ganhava bem e aceitou, quando começou a estudar gostou e hoje é engenheiro.

Mas e se a empresa ficasse pedindo compreensão, suplicando consciência, implorando colaboração? Estaria até agora sem evoluir. E o que a Emp. fez? Ditou! Deu ordens claras e objetivas, ou estuda ou sai. Não é ditadura? Mas foi para o crescimento dos funcionários, agora se ela quisesse ditar em função de si ai a coisa seria outra e muito perniciosa.

Fizeste bem, não olhe para trás nem para os que ficam prostrados pelo caminho esperando que algum dia um santo anjo apareça e mude tudo. Isso não vai acontecer, pelo contrário vai piorar mais ainda até não ser possível suportar mais, ai vão pedir ajuda a quem hoje abominam. Isso é fato e certo, quem viver verá. continuar lendo

A herança dos acordos feitos após 1964 (MEC-USAID) implantados efetivamente após 1976 (lembra-se do Verdão = lei 5692/71), forraram os berços culturais desta nova classe de professores. Hoje não vejo como mudar essas mentalidades, nem nas gerações futuras orientadas que são pelas atuais. Infelizmente sou obrigado, pelas circunstancias, a orientar meus filhos e agora ao neto a aprender fora desta MxRxA de currículo atual. continuar lendo

Realmente é muito triste ter que abrir mão de uma profissão por falta de comprometimento de outros profissionais e governantes. continuar lendo

É de entrar em parafuso com esses números.
Claro, por serem números tem margens de credibilidade, aí geram-se dúvidas.
Mas quando se conhece um professor do ensino fundamental agredido em sala de aula, os números se solidificam.
É real a situação do magistério brasileiro.
São mais marginais que os próprios marginais, que vão para a aula para nada mais que bagunça, e, sendo repreendidos, ameaçam os professores de morte.
Ou depredam tudo, queimam ônibus, apedrejam viaturas, e demais horrores anexos a baixa dedicação do nosso desgoverno com o que é fundamental.
Os educadores do Brasil ainda não desistiram fisicamente, mas seus corações não aguentam mais.
Tudo vira um carnaval se não se dedicarem, e, se recusarem a se esforçar, o pouco que transmitem de conhecimento com sucesso, vai voltar a eles em forma de mais violência, corrupção e morte.
Será que um dia daremos o poder necessário ao professor para que desenvolva sem medo o cidadão de amanhã? continuar lendo

Rafael

Você já viu e ouviu os pais exortando os filhos sobre como tratar os professores? Eu já. E vejo muitos, pois lido com os pais e nem passo perto da área da educação.

Estes delinquentes tem origem no ninho. São corroborados pelo SISTEMA DE ENSINO (perdoe a letra maiúscula) falido, desorganizado, ultrapassado, permissivo cujos diretores de escola não estão nem ai literalmente.

Mas digite no Youtube "professor Jordenes" e em outra página "escolas administradas pela PM", sem as aspas e você vai ver que tem solução e que ela não está nem um pouco longe, porém é detestada, querem a carne, mas não querem cozê-la.

Esqueça os pais desta geração, eles jamais vão educar os filhos, genericamente falando. Concentre-se em ser eclético que você não vai pender nem pelo sistema atual nem será contra o militar, o que está dando certo e só está sendo solicitado por que os administradores de algumas escolas já viram o quanto precisamos respeitar nossa Polícia Militar (eu sou neutro, apenas vejo o que dá certo e o que não dá, nem passo perto de ser militar).

Seja eclético, aprenda com todos se não já o fazes.

A solução está descrita acima e os vídeos te mostrarão a razão das coisas, mas não espere que quem tem o poder vai permitir o Brasil de chegar lá.

O resto da população, mesmo a elite se borra de medo do militar por que querem fazer e acontecer sem restrições e o resultado se vê de olhos vendados, o modelo de ensino atual já era. continuar lendo

Obrigado, David da Silva Santos.
Assistirei os vídeos que comentou.
Realmente, vem do ninho.
Aliás, ninho nem deve ser usado como termo paralelo de família nesses casos, pois o cidadão que gera um delinquente, tem que substituir ninho por algo mais do gênero: "larguei no mundo, dou comida e teto, o resto, ele que se vire".
O que seria esse paralelo?
Tentei pensar em algo, mas está difícil no mundo animal ver algum "pai ou mãe" que se comporte desta maneira. continuar lendo

Os negros abraçaram a causa e hoje vemos a situação tomando outro rumo. Os homossexuais foram no mesmo caminho e estão ganhando espaço. Isso sim é dignidade. Ainda hoje, os negros e gays são tolerados, mas não respeitados, reconhecidos, entretanto, sabemos que daqui uns tempos, serão reconhecidos, como deveriam ter sido a vida toda. Portanto, não adianta fazermos sempre do mesmo jeito e esperar resultado diferente. continuar lendo