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29 de Setembro de 2020

Estado de direito e prisões de ativistas (HC libera 23)

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 6 anos

Que se entende por Estado de direito? De acordo com a doutrina de Norberto Bobbio (em Ferrajoli 2014: 789), o Estado de direito (no mundo ocidental) significa duas coisas: governo sub lege, ou seja, submetido às leis e governo per leges, isto é, governo pautado por leis gerais e abstratas. O Estado de direito é o modelo de Estado (mais civilizado que o humano já inventou) em que todos estão submetidos à lei (na verdade, ao direito, do qual a lei faz parte), incluindo tanto o indivíduo como o próprio Estado. Não existe verdadeiro Estado de direito sem normas (válidas) reguladoras da atividade pública e privada (normas que fixam direitos, deveres e que impõem limites), sem a separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) assim como sem a previsão de um conjunto de direitos fundamentais (seguindo a tradição do nosso direito –civil law -, esse conjunto normativo vem escrito ou positivado em várias fontes: leis, constituições e tratados internacionais). É inconcebível o Estado de direito com poderes desregulados e atos de poder sem controle. Todos os poderes são limitados por deveres jurídicos, relativos não somente à forma, mas também aos conteúdos do seu exercício, cuja violação é causa de invalidade judicial dos atos e, ao menos em teoria, de responsabilidade de seus autores (Ferrajoli: 2014: 790).

Os atos de vandalismo, sobretudo os praticados por meio de violência, de acordo com esse Estado de direito, são reprováveis (muitos deles, criminosos). Logo, não estão permitidos pelo ordenamento jurídico, porque vão muito além do direito de resistência e de manifestação que todos temos garantido pela Constituição (assim como pela tradição do estado liberal, desde Hobbes, Locke etc.). Mas não podemos punir os vândalos (e criminosos) de qualquer maneira, atrabiliariamente. O Estado de direito fixa a forma (e, nesse sentido, também a fôrma). Todo ato sancionador praticado por agentes do Estado que não respeita essa forma é ilegal e inconstitucional (para além de revelar nossa anomia crônica). Toda prisão desnecessária é tirania (já dizia Montesquieu, repetido por Beccaria). O crime de que os ativistas foram acusados (associação criminosa) é punido com pena de 1 a 3 anos de prisão. Quando armada a associação, a pena aumenta de metade (vai para um ano e meio a 4 anos e meio). No Brasil, toda pena até 4 anos (nos crimes não violentos) admite-se a substituição da prisão por penas alternativas. Logo, a chance de os ativistas serem presos, no final do processo, é remotíssima. Ora, se a pena final não implicará prisão, nenhum sentido tem a prisão preventiva, que é nula e irrita (gritando pela sua própria inconsistência), salvo por motivos cautelares genuínos (por exemplo: quando o réu ameaça uma testemunha).

Por força do Estado de direito, o que pode, pode, o que não pode, não pode. Todo ato inconstitucional e/ou ilegal, violador do Estado de direito, deve ser revogado. Ato que foge da forma (e da fôrma) é ato típico do Estado subterrâneo (quando se trata de uma prisão, ingressa-se na vertente subterrânea do Estado de polícia). O desembargador Siro Darlan, do TJRJ, cumprindo seu papel de “semáforo do ordenamento jurídico” (que está, a rigor, reservado a todos os juízes, consoante Zaffaroni), deu sinal vermelho para o ato ilegítimo do juiz e concedeu liberdade para todos eles. Ele disse: “Estou convicto de que não é necessária a prisão. Mas apliquei algumas medidas cautelares, como não se ausentar da cidade e comparecer regularmente à Justiça. Também mandei recolher os 23 passaportes” (Globo 24/7/14: 10). O juiz não teria individualizado a conduta de cada réu. Faltou, então, fundamentação legal idônea. Enquanto vigorar o Estado de direito no Brasil, o ato da prisão (em caso de extrema necessidade) não pode fugir dos estreitos limites impostos pelas leis, pela Constituição e pelos Tratados internacionais. Enquanto existirem juízes acolhedores do Estado de direito (enquanto existirem juízes em Berlim), não se justifica nenhum ato de “asilo” nas embaixadas ou consulados estrangeiros.

Grupos violentos (ou que pregam abertamente a violência: FIP, MEPR, “black blocs” etc. – que encaram o caminho legalista, parlamentar e pacifista como um caminho falido) devem ser devidamente investigados (com polícia de inteligência), processados e eventualmente condenados pelos seus abusos (típicos do estado de natureza, onde todos entram guerra contra todos, como dizia Hobbes). Porém, tudo dentro da legalidade e da razoabilidade. O “grampo” nos telefones dos advogados é de ilegalidade patente. O advogado tem direito ao sigilo nas suas comunicações com os clientes. Mais um ato nulo e irrito. Não tem nenhum valor jurídico a prova colhida a partir de um ato ilícito (prova ilícita). Já se disse que pior que os crimes dos criminosos são os crimes dos que atuam contra os criminosos. A linha divisória do Estado de direito para o Estado subterrâneo (de polícia) é muito tênue. O poder punitivo do Estado, portanto, deve ser manejado com extrema cautela e prudência (para não se enveredar para o mundo subterrâneo da ilicitude e/ou da inconstitucionalidade). Só podemos afirmar que o Brasil ainda conta com um Estado de direito (que não tem nenhuma eficácia frente a uma grande parcela da população: os desfavorecidos) quando os abusos são contidos (para eles tem que funcionar o semáforo vermelho, ou ingressaremos no caos total, já vivido pelos excluídos do Estado de direito).

172 Comentários

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Devemos observar com bastante cuidado e notar que estes atos de vandalismos, na sua maioria e contra a propriedade privada, principalmente as grandes corporações.
Exemplo (Bancos, agências de veículos, grandes empresas de serviços (McDonald e etc)).
É como se existisse um sentimento de inveja velado de "quem não tem" contra "quem tem", as pessoas tem vergonha de declarar seus verdadeiros sentimentos e então gritam aos 4 cantos que é uma luta contra o sistema.
Particularmente acho que não, afirmo com certeza porque quando estas pessoas tomam o poder cometem os mesmos vícios e muitas vezes é muito pior que o seu antecessor.

Sem apego a ideologias, estudem as grandes revoluções, pesquisem e sintam se não é o que eu afirmo. continuar lendo

Mestre em misturar o direito processual com o substantivo.
Tento explicar o meu ponto de vista, contrariando, com certeza.
A "cadeia", por exemplo, é tida pela cultura popular, influenciada pela mídia sensacionalista, como única forma de punir o indivíduo.
O réu solto, ainda que qualquer sanção penal alternativa "estrague" a sua vida, é considerada impunidade pelos justiceiros.
Da mesma forma, quando acusa inadvertidamente e a Justiça absolve.
Neste caso, o Poder Judiciário é quem ainda seria o vilão.
Se o indivíduo é mantido solto na fase "processual", como na maioria dos casos explorados nos textos, aparecem as teses sobre punição, que somente será conhecida na sentença, exatamente em respeito ao "Estado de Direito", o "substancial", com a devida vênia, desvirtuado. continuar lendo

São essas propriedades privadas,citados por você, quem financiam os políticos corruptos! Eles tentam levar a clarividência de que são os revolucionários proletariados que atacam a elite global (os Banqueiros),isso sempre foi uma arma do comunismo para tomar o poder pelo voto.Os bandido que hoje estão no poder,financiados pela KGB,fizeram muito pior pra consegui tomar o poder e não conseguiram Mudaram de tática e criaram as "Diretas Já!" Ativaram a lei da anistia ampla geral e irrestrita,diplomaram todos os bandidos e inocentaram os ativistas abomináveis comunistas. continuar lendo

Esses atos de ataques espoliativos a empresas bem sucedidas economicamente, mencionados pelo profundo analista Airton Barros, não acontecem somente na forma de vandalismo, mas também, usando a signa disfarçada de trabalhador. continuar lendo

Para o Joaquim Caldas:
Você deliberadamente, esta distorcendo os fatos, não tem KGB por traz desse movimento, talvez a CIA e não são os comunistas que querem derrubar o PT, talvez um bando de coxinhas, sim.
E outra: não são os russos que estão invadindo outros países, provocando guerras, matando crianças com drones e posando de xerife do mundo. continuar lendo

Quatro questões sobre o seu comentário:
1. Ainda bem que no passado a maioria não pensava assim e as revoluções foram feitas. Realmente o poder corrompe, quando a ética é fraca e muitos visam chegar ao poder para se vingar dos que lá estiveram. Mas nem por isso podemos deixar de lutar por mudanças. Se assim não fosse estaríamos ainda no feudalismo ou no absolutismo monarquista.
2. Sendo ruins os novos poderosos coloquemos freios e contrapesos e ditemos a alternância do poder, isso é o que impede a perpetuação do ruim.
3. O sistema realmente apresenta excluídos, então não é só inveja, mas ressentimento.
4. As grandes revoluções são atos humanos, então há coisas negativas, mas positivas, também, então não generalize. Sem elas você não teria a internet para se expressar e nem poderia se expressar, certamente. continuar lendo

Sr. Carlucio.
Não generalizei, o artigo comenta a respeito do comportamento isolado de algumas pessoas que participaram do protesto e sobre o tal comportamento fiz o meu comentário, o Sr. é vândalo? é invejoso? ou se sente excluído?
Quanto a revolução servir de empurrão para o desenvolvimento tecnológico, afirmo que não tem nada a ver pois é na calma e na paciência que as ideias se concatenam mais rápido.

O Sr. quer possuir uma empresa, correto? se não, não estaria querendo fazer a revolução ou apoiar tal ideia, o Sr. acha que ISTO vai parar depois que o Sr. conseguir a sua empresa?
Então quando o Sr. possuir a sua empresa e esta for depredada, apareça aqui no jusbrasil relatando o seguinte:
-Pessoal minha empresa foi saqueada ontem, achei bacana, que legal, quem manda eu ser egoísta, querer tudo só para mim.

Ironia? não.
Estou fazendo o Sr. se sentir no cerne da questão.

Eu acredito na revolução, MAS NA REVOLUÇÃO INTERIOR DE CADA SER, aquela que faz de você um homem verdadeiramente LIVRE. continuar lendo

´Também acho que existe um sentimento de inveja de "quem não tem" contra "quem tem e se utiliza de instrumentos jurídicos artificiais que modificam as leis naturais de mercado para assegurar a inexistência de concorrência, diminuir drasticamente a liberdade de iniciativa, e constituir sistemas de truste para facilitar a prática de dumping na defesa do mercado conquistado da maneira mais imoral, injusta (e estritamente legal), aqui na terra do CAPITALISMO DE COMPADRIO (conforme classificação da Porter, economista da Harvard)". continuar lendo

Henrique.
Eu não possuo nenhum bem, meu único bem é o emprego que tenho, mas nem por isso estou preocupado com políticas e teorias sobre o capitalismo. Note que tudo isso já existe há muito..... e muito..... tempo.
Meu comentário inicial pode ter parecido uma crítica, mas não é, apenas quis aguçar o poder de observação nas pessoas, temos que nos colocar no centro do assunto em questão, para quando tivermos a oportunidade de decidir pelo destino DOS MUITOS não incorrer nos mesmo erros os quais tínhamos criticado tanto antes de possuirmos nossas empresas ou termos assumido um cargo político.

Agora se pergunte, será que sendo você um grande magnata capitalista ou um presidente, teria você a vontade e a coragem de mudar todo o sistema?
ou não teria você as mesmas ideias dos seus antecessores?
Se os atos de protestos com o intuito de mudança forem pacíficos, apoio plenamente, se não, apenas lamento. continuar lendo

Tem também os que se utilizam de exemplos de exceção para atacar a regra que são os setores produtivos, os quais não há como negar a existência, porquanto sustentam o Brasil. continuar lendo

O difícil é distinguir o oportunista. continuar lendo

Ótimas colocações, Carlucio Ferreira Rodrigues.
Sem revoluções, o mundo não gira (nos dois sentidos). Mas para que deem certo, devem ser apoiadas pela maioria da população, o que não é o caso.
A mídia populista já conseguiu manchar a pretensão dos manifestos (como uma verdadeira Coreia do Norte). Mas infelizmente isso só ocorreu por que um bando de "vandâlos" quebrou algumas agências bancárias e concessionárias e colocam culpa no sistema vigente.
Portanto, nem os contra e nem os pró: são alguns dos manifestantes que se colocaram nessa situação, multiplicada pela mídia... continuar lendo

Em defesa dos "Black Blocs":

No livro "Sobre as revoluções", da Hannah Arendt, ela explica que é improvável, pra não dizer impossível, mudanças sociais estruturais sem que a violência seja usada. O filósofo Slavoj Zizek em livro recentemente publicado pela Editora Boitempo, sob nome "Violência", explica o conceito do termo e explica por que ela é necessária.

O Estado é protegido por seus aparelhos ideológicos (L. Althusser), dentre os mais macabros constituído pela Polícia, que usa de brutalidade - que, para Zizek, é diferente de violência. O psiquiatra francês Frantz Fanon defendia o uso da violência contra o colonialismo como uma afirmação da identidade das populações submetidas ao poder colonial.

Como disse Lenin, não se faz revolução com luvas de seda. Portanto é natural que, neste constante aprimoramento da nossa tão jovem democracia, vivamos momentos tensos como os que estamos a viver agora.

Contra os "Black Blocs":

Lutar contra as arbitrariedades do Estado destruindo patrimônio público e privado eu não vejo lá muito sentido. Qual mudança faremos quebrando os prédios do Bradesco ou barracas de revistas de cidadãos comuns que, assim como todos nós, lutam pra viver? continuar lendo

Entendo que nestes movimentos a desobediência civil seja algo aceitável, mas a violência, destruição, brutalidade de ambos os lados, manifestantes ou Estado, é inaceitável. continuar lendo

Wagner
Tolstoi já falava sobre o assunto contido no seu comentário no livro "O Reino de Deus está em Vós" . continuar lendo

Não são poucos os autores de renome mundial que sustentam, há séculos, que não haverá mudanças estruturais significativas no modelo sociopolítico atualmente imposto sem o uso da violência e agressividade.

É o relato, sem qualquer intenção de instigar o mal entre os leitores. continuar lendo

Pois é! justamente aí, na depredação da propriedade privada, que surge a desvalorização desses movimentos. Não há justificativa para o dano doloso ao patrimônio de quem trabalha. Lojas saqueadas, bancos destruídos, lanchonetes, etc. É inaceitável e injustificável. É o mesmo que, na guerra, atingir intencionalmente alvos civis; aliás, como estamos presenciando ultimamente no mundo. Isso não é democracia é anarquia, oposto da ditadura e, como os extremos são ruins, não podemos aceitar. continuar lendo

Os Black Blocs causaram tanta violência que os cidadãos de bem deixaram de participar de manifestações. Ou seja, os Black Blocs acabaram com as manifestações...não havia reinvidicação, só pancadaria. Quem tem interesse no fim das manifestações nas ruas? É a mesma pessoa que está dando apoio aos Black Blocs e por isso deixou que existissem. continuar lendo

Olá Wagner Francesco.

Se a explicação, tese, opinião de Hannah Arendt alguma vez foi verdadeira, talvez tenha sido em tempos passados.

"... mudanças sociais estruturais sem que a violência seja usada"

Há muitos exemplos de mudanças sociais estruturais e que não houve o uso da"violência", exceto, se o substantivo violência no contexto seja uma metáfora.

As tecnologias em vários segmentos sociais tem provocado mudanças sociais estruturais sem o uso da violência.

A educação e o conhecimento, provocaram muitas mais mudanças sociais estruturais do que o uso da violência.

A violência, a força, é o recurso último quando acabaram todos os recursos diplomáticos, intelectuais.

Ocorreram muitas transformações e mudanças sociais estruturais por meio da violência, e a história está ai e tem muitos registros: A religião cristã provocou mudanças sociais estruturais, depois de usarem violência contra os cristãos; muitos direitos sociais foram "concedidos", permitidos, adquiridos depois de eventos violentos.

Nem todas as "mudanças sociais estruturais" para ocorrerem é/foram necessário o uso da violência. continuar lendo

Ok amigos e mestre, creio que é importante recorremos à filosofia, à doutrina, ao passado... Enfim, acho legitimo buscarmos formas de compreendermos o que está acontecendo com a sociedade contemporânea, em especial, com a sociedade brasileira. Entretanto, defendo que além de “cheirar livros” e “ouvir historias” que olhemos e encaremos a realidade do nosso Estado. Não consigo entender o motivo de se querer fugir, inventar desculpas para não olhar e ignorar o outro (sociedade). No meu sentir pessoal, o quê está acontecendo com a sociedade brasileira é consequência principalmente da não efetivação do Estado de Direito. Atribuo, em síntese: (1) a violação da separação dos poderes; (2) a ausência de plano de carreira da magistratura; (3) ao 5º constitucional; (4) falta de acesso à justiça; (5) ensino jurídico precário; (6) a cultura da administração patrimonialista e burocrática. Nosso Estado Democrático é vazio e nosso Estado de Direito só é conveniente aos interesses políticos e socioeconômicos de um pequeno grupo. Nosso Sistema Jurídico se tornou tão néscio que chegou ao ponto de querer parlamentar a Justiça. Só gostaria que os eruditos explicassem como os especialistas em Estado delegaram à utopia partidária a administração do Executivo, Legislativo e Judiciário, sobretudo em se tratando de uma das utopias mais nefastas da historia da humanidade que é o comunismo. Como desgraça pouca é bobagem, foi só baixar a imunidade do Estado de Direito que a ordem fanática religiosa se mostrou à posta e à espreita... Se nada for feito, não vai demorar muito para entrarmos em guerra civil. continuar lendo

Qualquer revolução, inclusive com o uso da violência, somente assume caráter de legitimidade quando tiver respaldo de maioria da população (exemplo típico na Revolução Francesa). Os atos de violência, destruição ou simples "baderna" que temos presenciado, são perpetrados por uma minoria que sequer possui objetivos definidos. A população demonstra sua inconformidade com esses atos, tornando-os dessa forma, totalmente ilegítimos. Manifestar-se de forma contundente pela aprovação de um novo Plano Diretor, que atenda as necessidades de moradia da população é perfeitamente aceitável. A invasão de propriedade privada com o mesmo objetivo, se aceita, quebra o principio constitucional da defesa da propriedade, até o momento em que essa propriedade for definida (por critérios bem definidos) como necessária ao atendimento do interesse social. continuar lendo

A questão q realmente incomoda é q vivemos num regime CAPITALISTA, onde as coisas são muito mais importantes do q as pessoas e os seus direitos. Então é óbvio q a maioria se incomode de ter os seus bens ou alheios detonados, numa 'solidariedade ao objeto' e não, ao direito (não de quebrar, obviamente), mas de se manifestar.
Quanto maior a repressão, maior será a resposta violenta a isto, posto q se assemelha a uma prisão de pensamentos e expressão.
Não adianta ficar defendendo objetos, construções, pq elas não podem ser mais importantes do q as pessoas e é isto o q ocorre em todo e qq sistema capitalista. É simples assim, sim... Mas as pessoas não enxergam por estarem completamente minadas pela cultura capitalista. continuar lendo

Em relaçã aos Black Blocs

Lênin morreu e o socialismo não vai nada bem!

Esta tese da revolução violenta é conhecida e amplamente disseminada pelos partidários mais ferrenhos de um "mundo socialista".

Antes de mais nada, contra o que se luta? Contra a opressão de um sistema político, contra um governo, ou contra políticos? Qual é proposta Black Bloc. A mim parece-me mais que estejam a soldo do sistema, pois suas ações longe de criar ambiente para um novo sistema, tem ajudado a colocar a opinião pública a favor da repressão. Não é um grupo de pessoas oprimidas, não é um grupo que tem suas liberdades cassadas, nem eles próprios sabem o que são.

Todos se acham o novo Tche Guevara, esta figura mítica criada pela esquerda para capturar os sonhos de adolescentes sem inteligência suficiente para examinar mais a fundo o que acontece e o que aconteceu por onde estas "revoluções" aconteceram. Aqui ainda não é o Egito, Síria, Cuba ou qualquer lugar em que o sistema é opressivo e realmente precisa de ações fortes para mudar.

No Brasil o ParTido no poder, foi oposição durante muito tempo e sofreu alguma perseguição em tempos mais antigos. Insistindo em suas propostas (claro que não cumpre nenhuma, mas isto é outra história) foi galgando o poder.

Cadê a proposta! O vazio é preenchido! Se não há proposta, cada um dá o sentido que quer às manifestação desta turma.

Os países mudam somente diante de grandes crises, revoluções internas, guerras, etc., mas mudam em direção à quê?

Além do mais todos os instrumentos e aparelhos do governo sempre servirão ao estado e serão generosamente aplicados ao povo por qualquer um que chegue ao poder. Não precisa ser um ditador sanguinário ou havido por dinheiro, basta um tolo bem intencionado que teremos mais do mesmo, o Estado tentando, por sua natureza, perpetuar sua existência.

Antes de "lutar" quebrando tudo, que tal examinar porque nosso povo é tão passivo? Que tal entender o que o povo quer, ao invés de achar que o povo precisa disto ou daquilo? continuar lendo

Diego Brandão de Melo:

Sim é fato, mas em todos os casos , não se está trocando 6 por meia duzia, ou ainda pior? continuar lendo

Eliane Langer

Discordo de você, se estivéssemos em uma "cultura socialista" a destruição seria de patrimônio público e talvez fosse mais duramente combatida. Acredito que o que realmente incomoda é que não faz sentido quebrando vitrines carros ou qualquer coiso por um objetivo nada claro. Não me preocupo com uma vitrine quebra ou um banco depredado pois o seguro "capitalista" poderá ressarcir o dono. O que me preocupa que a indiferença ao direito, hoje se aplica à empresa. Qual garantia que esta mesma indiferença não se aplica amanhã ao cidadão?

Até hoje não vi da parte destes sujeitos, proposta que valide suas ações. Não acredito que as pessoas estejam incomodadas pelo quebra-quebra somente. Esta incomodadas pelo quebra-quebra sem sentido.

Quantas vezes vimo protesto nas ruas por contra de arbitrariedades como a morte de um inocente. Se nestas situações houvesse um carro incendiado um rua interrompida, o motivo é lógica e embora condenável, sente-se que há algum motivo por trás disto.

Exemplificando: Embora criado pela mídia o movimento Fora Collor levou milhares para as ruas. Se nestas manifestações a polícia tivesse exacerbado suas atribuições, agredindo ou prendendo pessoas sem motivo aparente, qualquer ação violenta por conta das massas seria esperado e até justificado. Não é o que acontece até agora. O que acontece é mais um grupo de jovens sem um sentido claro do que querem , destruindo um instrumento de pressão da sociedade, as manifestações. Com isto, o objetivo de mudar o mundo ou qualquer ideia deste naipe somente serviu para ajudar o governo levando a opinião pública a ficar contra eles. Grande feito!!! continuar lendo

Adao Braga

E muitas das revoluções violentas também não foram para melhor. continuar lendo

Eu apenas pergunto:
Quem são os depredadores do patrimônio privado, os ativistas ou os infiltrados no ativismos pelo poder?
Qual a melhor forma de desacreditar um movimento legítimo?
E, por fim, quem dos antigos ativistas contra a revolução (64), hoje no poder, não é um corrupto deslavado e safado?
As revoltas brasileiras sempre mantiveram o foco histórico de vencedor/vencido, jamais um movimento corrigiu o estado anterior! continuar lendo

Estão "quebrando" e "atacando" o alvo errado! Concordo! continuar lendo

Hans Ribentrop

Amigo, isso não tem nada a ver com SOCIALISMO. O problema é o Capitalismo de Compadrio (Michael Porter) que assola o país, e a insistência da elite Brasileira em querer preservar e expandir a "vocação agrícola" do país. Convenhamos, não há como haver distribuição de renda em um país agroindustrial.

O que todos anseiam é o estabelecimento de um capitalismo competitivo, fundamentado na educação capaz de produzir tecnologia de ponta nos setores industriais e de prestação de serviço para que a riqueza seja exponencialmente aumentada e distribuída conforme o mérito relativo à capacidade produtiva de cada agente.

No Brasil, atualmente (como sempre), existem poucos efetivamente produzindo, e estes poucos, que a duras penas alcançam um emprego, tem a função de sustentar a vida de seres absolutamente inúteis que ocupam cargos públicos e privados apenas por serem parentes de conhecidos políticos, ou donos de empresas que ganham licitações no sistema de revezamento.

A massante maioria dos revoltosos quer apenas a implementação de um capitalismo competitivo, ou seja, quer ter a chance de produzir (e GANHAR dinheiro com isso). continuar lendo

mas se não haver depredamento a polícia não reage. já é certo há algum tempo que revolução passiva sem a liderança de um gandhi não funciona na prática. ainda mais se tratando de um país coberto por analfabetos. temos que mostrar que a polícia deve respeito a uma maioria subestimada pela falta de formação escolar, cuja única resposta é a violência. enquanto haver índice de analfabetos a polícia, ou governo ou estado, tem que temer sim o cidadão, mais do que qualquer outra coisa. se tratando do brasil isto é normal e essencial. agora, aqueles vandalos do black blocs, todos eles acredito eu, tem educação com base, e estão lá para tomar e reclamar em nome dos que não tem estudo. a demanda é grande, a responsabilidade é grande, a pressão de defender uma maioria analfabeta e fraca é grande, imaginem o desespero deles, diante de um estado desses? nesse ponto eu concordo com eles, o brasileiro (ADMITAM ISSO) é uma pessoa inacreditável pelos seus costumes e insuportável pela sua avareza. diante desta realidade, eu não perderia tempo com o brigadiano que acha que eu sou analfabeto, e sairia quebrando tudo. continuar lendo

Perfeito, sensatez, só faltou acrescentar que , conforme o texto acima , o estado de direito também espera uma boa investigação, espera uma classificação adequada dentro das leis existentes. Não se pode condenar só pela intenção , em parte foram presos porque iriam queimar a câmara municipal, fato que não ocorreu, me lembrou o filme dos pré cogs... continuar lendo

Muito fácil ficar sentado em uma cadeira escrevendo artigos e ficar falando sobre ideologias, consequências, o certo ou o errado.
Mais fácil ainda é replicar artigos e réplicas com argumentos falaciosos baseados em egocentrismo.
Tudo isso não muda nada.
Queria ver é na rua cada um se colocando em seu lugar e cada um se colocando no lugar do outro. A mascara cai. continuar lendo

Excelente professor. Sou completamente contrário ao vandalismo, “black blocs” , etc. Seu texto está ótimo, perfeito. continuar lendo