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18 de Agosto de 2018

Mortes no trânsito: Brasil é o 4º do mundo

Em termos absolutos, o Brasil é 4º país do mundo com maior número de mortes no trânsito, ficando atrás somente da China, Índia e Nigéria.

Luiz Flávio Gomes, Professor de Direito do Ensino Superior
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 4 anos

O Instituto Avante Brasil realizou um levantamento mundial sobre mortes no trânsito em 2010, estruturando um ranking comparativo dos dez países mais violentos. O levantamento, inédito, teve por base o relatório “Global Status Report on Road Safety 2013”, da Organização das Nações Unidas, que mostra o número de mortes de 183 países. Em relação aos que não disponibilizaram dados recentes, o total de mortos foi estimado por meio de uma análise regressiva, o que viabilizou com confiança a comparação entre eles.

Em termos absolutos, o Brasil é 4º país do mundo com maior número de mortes no trânsito, ficando atrás somente da China, Índia e Nigéria. É possível notar que essas mortes também estão intimamente conectadas ao IDH (índice de desenvolvimento humano), que, por sua vez, tem por base a educação, a longevidade e a renda per capita. Dentre os 10 países mais violentos do planeta não aparece nenhum do grupo do capitalismo evoluído e distributivo, fundado na educação de qualidade para todos, na difusão da ética e no império da lei e do devido processo legal e proporcional (Dinamarca, Suécia, Suíça, Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Áustria etc.).

Nenhum dos 10 países comparados está no grupo dos que contam com mais elevado IDH (47, no total), com exceção dos Estados Unidos, que é responsável pela maior frota de veículos do grupo e do mundo. Apresenta, de qualquer modo, o menor número de mortes por 100 mil pessoas (11,4, contra 22 do Brasil). Vejamos:

Mortes no trnsito Brasil o 4 do mundo

Segundo o Datasus, em 2010, foram registradas 42.844 mortes no trânsito do Brasil. Esse número, atualizado em 2011, chegou a 43.256 mortes (o ranking, no entanto, foi feito com base nos números de 2010 de todos os países). Em 2014, de acordo com projeção feita pelo Instituto Avante Brasil, o número de mortes no trânsito estimado é de 48.349. Sendo assim, este ano, estima-se que ocorram 4.029 mortes por mês, 132 mortes por dia e 6 mortes por hora, ou seja, uma a cada 10 minutos. Com a chegada do Carnaval esse número pode ser ainda maior. Em 2013, só nas estradas federais, ocorreram 157 mortes nesse período. Com o aumento da frota assim como do fluxo viário, os acidentes e mortes podem ter incremento.

O Brasil somente deixará de ser um país pobre, ignorante, corrupto e violento (também no trânsito) quando suas instituições essenciais (Estado/democracia, sistema capitalista, império da lei e do devido processo e a sociedade civil) deixarem de seguir a lógica do capitalismo selvagem, extrativista e concentrador, para se alinhar aos países do capitalismo evoluído e distributivo (Áustria, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Canadá, Alemanha, Coreia do Sul etc.), que contam em média com 5/6 mortes para cada 100 mil habitantes.

LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorLFG. Com. Br – Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.

65 Comentários

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Essa é uma realidade que perdura no decorrer do tempo, não temos estradas boas, porem pagamos IPVA, Seguro obrigatório e ainda PEDÁGIO. As estradas privadas são melhores, o que nos traz a falsa impressão que o melhor é privatizar as estradas, porem o governo esta delegando suas responsabilidades e nós usuários pagamos cada vez mais.
Pagamos o pedágio e não temos redução nos impostos relativos aos veículos automotores. Em contra partida, temos verdadeiros criminosos no volante, pessoas despreparadas que não poderiam estar dirigindo e o DETRAN os habilita pelo simples fato que no dia da prova o camarada foi instruído pela autoescola a forma de dirigir. Esta na hora de responsabilizar a autoescola, subsidiariamente, uma vez que é o responsável pela formação do condutor e tem autorização estatal para tanto.
Leis mais justas no trânsito URGENTE. continuar lendo

Essa baixa do IPI facilita sobremaneira que pessoas emergentes adquiram um carro sem o mínimo de capacidade de guiá-lo. Muitas pessoas humildes, vindas do interior, e sem o bom senso de uma cidade grande muitas vezes causando acidentes pela imperícia. Muitos outros pela falta de manutenção nos carros, tendo em vista que hoje não é muito difícil comprar um carro, muitas lojas aceitam até moto de entrada, só que com o passar do tempo o povo pena pra pagá-lo e consequentemente não proporciona a devida atenção na manutenção do veículo. É claro que isso não é uma regra. Não estou tendo uma visão discriminatória aos cidadãos de baixa renda que adquirem imóvel, mas é uma ótica que muita gente não analisa. continuar lendo

Sr André, discordo com o seu discurso pois existem muitos acidentes causados por pessoas de classe media e alta que dirigem seus carrões sem se importar com o que vê pela frente e muitas vezes atropela e vai embora sem prestart socorro às vítimas. Acho que os acidentes são causados unicamente pela impridência dos motoristas, sejam eles ricos, pobres...
Os que tem maior poder aquisitivo são os mais imprudentes e na maioria dos casos os que não cumprem penas pelos crimes no trânsito. Essa é a minha opinião. continuar lendo

Sr. André, "Carli o Degolador" era bem pobrezinho quando assassinou duas pessoas a 190km/h, certo? Tem gente que ganha a vida de carro, tem gente que arranca algumas da terra de Civic, Corolla, Passat, Grand Cherokee e sai ileso, com a cara apática de quem não fez nada. Quando quiser anunciar que ganhou um carrão da mamãe e arrotar este preconceito em um meio de comunicação deste porte, vá a algum meio medíocre, onde anunciar que tem um poder aquisitivo que te dá acesso a um carrão e fazer manutenções abusivas nas concessionárias sem reclamar do preço, esteja livre para isso. continuar lendo

Tenho 53 anos, moro ha 18 nos Estados Unidos e percebo que as noticias são as mesmas de quando eu tinha dez anos, ou seja, passaram-se 40 anos e o Brasil nao evoluiu. continuar lendo

e se viver mais 53 vai continuar ouvindo, infelizmente continuar lendo

Pela chamada pensei que era um cálculo proporcional... Dr Flávio poderia ser menos ctrl+c ctrl+v e analisar melhor os dados. continuar lendo

Marcos, também realizamos as pesquisas em termos proporcionais (por 100 mil habitantes e por 1 mil veículos), em breve disponibilizaremos artigos indicativos. Obrigado pela leitura. Avante. continuar lendo

Trabalho com trânsito em uma cidade do interior do Tocantins, aqui vejo bem essa triste realidade vez que os motoristas dirigem imprudentemente, sinto que falta educação para quer possamos amenizar os números dessa luta constante, triste saber que famílias se desfazer por acidentes muitas vezes evitáveis pela simples prudência. continuar lendo