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17 de Outubro de 2019

85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bilhões de pobres no mundo

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 6 anos
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorLFG.com.br | Twitter: @professorLFG

Essa é a conclusão do relatório Governar para as Elites, Sequestro democrático e desigualdade econômica, que a ONG Oxfam Intermón publicou em 19/01/14. A desequilibrada concentração de renda nas mãos de poucos (típica do capitalismo retrógrado, exageradamente desigual) significa menos renda per capita para cada habitante e cada família do país. Mas isso não implica automaticamente mais violência (mais homicídios). Outros fatores devem ser considerados: escolaridade (sobretudo), emprego estável ou não, perspectiva de futuro, a racionalidade ou irracionalidade da política criminal adotada, religião, tradição, existência ou não do “tabu do sangue” (ninguém pode sangrar outra pessoa) etc.

O que sabemos? Que cruzando os dados objetivos do IDH (índice de desenvolvimento humano), Coeficiente Gini (distribuição da renda familiar), renda per capita e o número de homicídios temos uma tese: quanto mais elevado o IDH e menor o Gini menos desigualdade e menos violento é o país (e vice-versa: quanto mais baixo o IDH e mais alto o Gini, mais desigualdade e mais violência existe). Como regra geral essa premissa é bastante válida. As exceções confirmam a regra.

O que essa tese aconselha ao bom governo assim como às lúcidas classes burguesas dominantes? Que o incremento (a melhora substancial) dos fatores estruturadores do IDH (escolaridade, longevidade e renda per capita) e do Gini (distribuição da renda familiar) não pode ser desconsiderado como fator preventivo da violência. É de se chamar a atenção aqui, especialmente, para a educação. No lapso temporal de uma geração a Coréia do Sul se revolucionou completamente por meio da educação massiva de qualidade. Esse é o fator preventivo mais relevante de todos. Como já dizia Beccaria, em 1764: “Finalmente, o mais seguro, porém o mais difícil meio de evitar os delitos, é aperfeiçoar a educação” (Capítulo 45, do livro Dos delitos e das penas).

Os dez países de mais alto IDH do mundo são os menos violentos (1,8 homicídios para cada 100 mil) e ainda estão dentre os menos desiguais (veja o coeficiente Gini), com exceção dos EUA. Contam, ademais, com rendimento per capita muito alto e um excelente nível de alfabetização. O mais desigual neste grupo (EUA) é precisamente um dos mais violentos (conta com quase o triplo de homicídios da média dos 47 países de maior IDH, que é de 1,8 para cada 100 mil pessoas). Isso nos conduz a concluir que não devemos nunca considerar um único fator (IDH) para medir ou prognosticar a violência.

82 Comentários

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Os esquerdistas só conseguem enxergar um motivo para pobreza e desigualdade: a exploração da mão de obra.

Isto é claramente falso! Há muitos outros motivos para a pobreza, como calamidades naturais (terremotos, furações, maremotos, pestes, seca, enchentes, epidemias, endemias, pandemias etc), ou calamidades humanas (guerras, falhas humanas que causam acidentes, endividamento, falência etc), ou até mesmo a preguiça e comodidade ou vagabundagem do ser humano. Alguns têm ambição, empreendem, arriscam-se, investem. Outros não empreendem, não arriscam, não querem trabalhar.

Percebo que o professor Luiz Flávio Gomes tem um forte viés esquerdista em seus artigos.

Quanto aos 85 ricaços, há de se averiguar apenas a origem de sua fortuna. Há pessoas como Fidel Castro, que são podres de rica porque são ditadoras exploradores de um povo, o cubano, que é miserável.
Há outros que são ricos porque são herdeiros de impérios antigos, portanto são reis de uma terra qualquer.
Há outros que são ricos simplesmente porque empreenderam e foram bem sucedidos em suas iniciativas. Neste caso, nada há de errado com sua riqueza.
Como já provou Mises, nada há de racional no cálculo econômico do socialismo ou comunismo. É impossível calcular custos, preços e lucros numa economia planificada. Apenas o livre mercado é capaz de estabelecer os preços e valores das coisas. continuar lendo

Comentário com bom fundamento.

Mas devo alertar sobre um fato. As calamidades aí apresentadas podem ser um motivo para o "aumento" da pobreza, entretanto se for analisa-las, até mesmo as de ordem natural, podemos ver que é a pobreza que geram tais calamidades.

Doenças fazem parte de uma falha no acesso à saúde; (desigualdade social)
Alagamentos fazem parte de uma falha no processo de distribuição de terras. (desigualdade econômica e cultural)
Conflitos civis geralmente são causados por desigualdade social e ideológica.
Falta de empreendimento, em muitos casos, é resultado de uma nação que não educa o cidadão a praticar tal ato.

Enfim, percebe-se que a pobreza sempre tem raízes em desigualdades, seja capitalistas, políticas ou culturais. continuar lendo

Falou Tudo em poucas palavras! Parabéns pelas sábias palavras, concordo plenamente! continuar lendo

... Gostei muito do seu ponto de vista, mas você se esqueceu de que o texto questiona a grande disparidade na distribuição de renda e, não por que se tornaram ricos trabalhando etc, por serem tão ricos propriamente dito; A questão é que não importa se você é mais rico que aquele, mas por que as riquezas são concentradas. continuar lendo

Aos Comentaristas: O socialismo não é a solução para os defeitos do capitalismo. Isto já está mais que provado. Talvez um meio termo, uma social democracia, com melhor distribuição de renda, intervenção estatal onde realmente se faz necessária para corrigir distorções, talvez seja um caminho mais viável e efetivo.
Ao Professor LFG: Precisamos analisar melhor. Nos EUA os índices variam muito de estado para estado, assim como no Brasil, e a regra supra citada nem sempre se aplica. Se assim fosse o Piauí seria o mais violento e São Paulo o mais seguro, e esta não é a realidade. Falta educação dentro de casa, exemplo, ética, moral e um pouco mais de ambiente familiar saudável. continuar lendo

Parabéns pela colocação. É o que sempre digo: radicalismo não faz nem a ninguém. continuar lendo

Excelente comentário!. Eu diria que ambos - capitalismo e socialismo - tem seus defeitos e virtudes. Mais ainda: penso que o ser humano deveria cuidar mais de seu semelhante, até mesmo por questão de sobrevivência,
pois no dia em que meu vizinho sentir fome, vai investir contra aquele que está mais próximo ou mais fraco - eu. Vejo como alternativa o cooperativismo, e sugiro o estudo desse fenômeno e seus princípios básicos como alavanca para o desenvolvimento, já existente em vários países e em franco crescimento no Brasil, principalmente na região sul. continuar lendo

Argumentação perfeita. Considero que a educação é o fator mais importante de todos os fatores que proporcionam desenvolvimento em um país.
Se os governantes brasileiros se conscientizarem disso (digamos, QUANDO isso acontecer, e na medida em que isso venha a acontecer), teremos um país com paulatina redução da criminalidade e, consequentemente, da violência. continuar lendo

Exatamente, Daniel. Nenhum país pode pagar o preço de ter uma população ignorante. continuar lendo

O próprio caso citado dos Estados Unidos já invalida o raciocínio completamente. A questão da violência (e respeito, e corrupção …) está ligada essencialmente ao grau de inter-confiança entre os cidadãos. Populações pequenas, minimamente homogêneas, com back ground cultural similar tendem a ser menos violentas (e mais respeitosa e menos corruptas ..) O Estados Unidos é ponto fora da curva porque o raciocínio é inconsistente.
Outra coisa, índice de GINI não diz nada. O Haiti tem excelente índice de GINI. O que isso representa? Nada.
Outra falácia: educação como panacéia. Qual educação? A que prepara as pessoas para o mercado de trabalho como foi na Coreia? Ou a que cria uma geração de dependentes a berrar por direitos que sequer os conquistaram como a do Brasil?
As políticas que decorrem do raciocínio vem sendo aplicadas intensamente há pelo menos 2 décadas: distribuição de renda via estado e investimento financeiro em educação nos mesmos níveis dos países desenvolvidos.
É hora de sairmos do lugar comum e passarmos à pensar alternativas à esse modelo de socialismo moreno. continuar lendo