jusbrasil.com.br
16 de Outubro de 2021

O “rolezinho” e os jovens sem futuro

Luiz Flávio Gomes, Político
Publicado por Luiz Flávio Gomes
há 8 anos

Por que a China (bem como vários outros países asiáticos) está crescendo e o Ocidente (incluindo o Brasil e os EUA) está estacionário? Porque o Ocidente está decadente. Os sintomas agudos dessa degeneração estão retratados não somente nas suas dívidas altíssimas (média de 110% do PIB na Europa e EUA; 34,5% no Brasil), nos bancos mal administrados (causa da grande fraude financeira de 2008), senão, sobretudo, nas desigualdades crescentes.

Em 1989, com a derrubada do muro de Berlim (que significou o fim do regime comunista em muitos países), Francis Fukuyama declarou a vitória do liberalismo econômico e político, ou seja, o triunfo do Ocidente. Naquele mesmo ano o PIB chinês representava apenas 8% do norte-americano; em 2016 passará a ser de, no mínimo, 60%. Em 1978, o rendimento anual do norte-americano era vinte vezes maior que o chinês; hoje, apenas cinco vezes.

“Não importa a cor do gato, desde que ele cace o rato”: com essa frase o líder chinês Deng Xiaoping justificava os benefícios da abertura econômica da China na década de 70, a despeito dos princípios do comunismo. Daí para ca, enquanto a China (e o Oriente) cresce, o Ocidente está estagnado. O que está ocorrendo com o Ocidente?

Um mal-estar institucional (Ferguson: 2013, p. 53), que está violando o verdadeiro contrato social, que é intergeracional (conforme Edmund Burke), ao deixar uma pesada carga de compromissos econômicos aos filhos e netos da atual geração. Os jovens das classes inferiorizadas, hoje, têm a sensação de que as classes dominantes estão arrebatando o seu presente (consumista) assim como o seu futuro (Ferguson: 2013, p. 61).

De que maneira? Basta passar os olhos nos “capitais” que definem as classes sociais. São eles, dentre outros: o econômico (dinheiro, patrimônio, ações, ganhos de capital, juros), o cultural (conhecimento adquirido), o social (relações sociais, prestígio, respeito social, privilégios), o emocional (autocontrole, prudência, perspectiva de futuro, visão prospectiva etc.), o moral/ético (perfeita noção de que devemos respeitar as demais pessoas, a natureza, os animais e o bom uso das tecnologias) e o familiar (família bem articulada, que transmite muita informação útil para o processo de socialização das crianças e adolescentes) etc. (veja Jessé Souza, Os batalhadores).

Vendo diariamente os desmandos concentradores praticados pelo capitalismo atrasado vigente no Brasil assim como o descalabro do Estado estacionário brasileiro, com suas instituições políticas, econômicas, jurídicas e sociais degeneradas, as classes dominadas (C e D) estão cada vez mais conscientes das suas condições precárias no mercado de trabalho, nos estudos e nos relacionamentos sociais, o que compromete o seu presente consumista assim como o seu futuro.

Tudo isso seria compensado com serviços públicos de qualidade, como saúde, educação e transportes. Mas esse definitivamente não é o caso do Brasil injusto e estacionário. Resultado: frustração, desesperança, ódio, sensação de impotência e indignação, que são os ingredientes necessários para desmoronar qualquer país decadente e socialmente retrocessivo, sobretudo depois da democratização do acesso às redes sociais.

LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorLFG. Com. Br

*Artigo para livre publicação.

230 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

É a maldita vitimização latino-americana em curso. Muitos dos jovens estão sem futuro por ficarem ouvindo essa lenga lenga de que estão condenados e que não irão prosperar; que a culpa é do capitalismo, da sociedade e outros quetais. Como caboclo do interior do Amazonas, do alto rio Purus, sou a prova viva de que o estudo e o trabalho duro podem sim mudar a vida de uma pessoa e proporcionar-lhe uma vida mais digna. Esse papo de vitimizar a juventude eu não engulo. Estudar e persistir no caminho do bem, trabalhando ninguém quer. Dar um rolé no SINE e na Escola, pra almejar uma faculdade, ninguém quer. Poupe-me. Não caio desse discurso demagógico. continuar lendo

Apoiadíssimo! Eu também vim de origem humilde e atualmente sou uma advogada! Já vendi comida em obras para pagar meus estudos e sustentar minha família! Graças a Deus comecei a vida pelo "alicerce"! Tens toda razão, Alex! continuar lendo

concordo plenamente Alex, ninguém quer fazer um "ROLEZINHO" para procurar serviço. continuar lendo

Exatamento o que penso. O outro lado da moeda é que se criou a cultura que toda pessoa que não se enquadre nas classes menos favorecidas é necessariamente corrupta, ninguém lembra do dono da loja que foi saqueada e depredada. continuar lendo

Perfeita explanação. Acredito que essa ideia foi imposta as classes mais pobres como uma forma de ficarem sempre dominadas e submissas as classes mais altas. continuar lendo

Não concordo totalmente. O padrão no Brasil é o trabalho sem resultar ascensão social alguma, nos casos sem heroísmos, especialmente nas classes C e D, como citou o autor. Classes mais baixas realmente estão com políticas sociais positivas e atrevo-me a dizer, com o tempo, eficazes, mas quem está financiando isso não é quem tem a maior parte dos recursos concentrados. continuar lendo

Alex e Márcia, não concordo com vocês porque acredito que a desigualdade é muito grande. Enquanto a Márcia vendia comida para pagar seus estudos e se sustentar, o filho do abastado descansava e estudava num colégio melhor que depois seus pais deduziam do Imposto de Renda ou seja o filho abastado estuda melhor e de graça enquanto o filho do pobre paga caro por estudo inferior e com grande dificuldade. Num país justo todos os cidadãos deveriam ter escola, saúde e segurança pagos pelo governo e a diferença ficaria por conta do talento de cada um e não da sua condição financeira. continuar lendo

Ana Lúcia, é justamente isto que o Alex e a Márcia propuseram como discussão.

Em que pese haja desigualdade, isto não serviu como pretexto para a "vitimalização" de suas realidades, de modo que pudessem recostar sobre uma "desculpite" para não lutar e alcançar seus objetivos.

Hoje também estou trilhando rumo ao sucesso profissional. Sou de família humilde e com muito custo conseguia dinheiro para chegar até a faculdade.

O grande centro da discussão é: alguns vêem as dificuldades como obstáculos a serem ultrapassados; outros, como verdadeiros óbices às conquistas. continuar lendo

Vocês precisam ler um pouco de Marx. continuar lendo

Também me identifico muito com o seu pensamento, Alex. E aproveito para lembrar que essa conversa de culpar o capitalismo é retrógrada. Puxa! Proclamaram a República Presidencialista para se libertar de um virtual jugo monarquista que "impedia" o país de prosperar. De lá prá ca aconteceu a decadência do ocidente com a presidência de países presidencialistas e comunistas. Agora, essa conversa é para dizer que nada vai dar certo no Brasil pq é preciso implantar o comunismo!... Em que pese o grande respeito pelo autor deste artigo, mas não deixa de ser uma versão falaciosa dos fatos. continuar lendo

Então Ana Lucia, conforme então seu pensamento de que a desigualdade, a sociedade deve ficar como está? Devemos ser passivos a tudo que acontece? Acho o exemplo do Sr. Alex e da Sra. Marcia muito validos, pois ja diria o grande Geraldo Vandré "Quem sabe faz a hora, Não espera acontecer", se ficarmos martirizando esses jovens do tal de "rolezinho", estamos aceitando nossa situação de Terceiro mundo. O problema do Brasil é o Brasileiro, pois só pensa nos Direitos e esquece dos Deveres, O problema é que continua sendo mais fácil GANHAR do que CONQUISTAR. continuar lendo

Ora, convenhamos, Alex, a pobreza de milhões de pessoas não pode ser vista pelo ângulo do êxito pessoal de alguns, como o senhor, que conseguiu vencer mediante "trabalho duro", afinal, se "trabalho duro" resolvesse o problema, então os pobres seriam em número muito menor, pois tambem trabalham duro para sustentar suas famílias, e nem por isso vencem na vida. Jovens pobres tem, sim, o direito de se divertir, ao contrário de alguns que acham que rolezinho é só para os filhos dos ricos. continuar lendo

Parabéns Alex. Você é exemplo de força-viva! Venho de família humilde e galguei pelos meus esforços, pelas madrugadas estudando, pelos estágios que me ajudaram nas despesas, o que sou e tenho hoje! Estudei em colégios públicos e particulares, e nestes, com bolsas integrais, após comprovar minhas notas. Assim, critico com muita veemência, os argumentos do tipo "falta de um país justo" ou de que "todos os cidadãos deveriam ter escola, saúde e segurança pagos pelo governo", pois isso é utopia. Não acredito, embora não perco a esperança. Sou esperançosa, mas não hipócrita. Não fico de braços cruzados e oriento meus filhos assim! Tenho 48 anos e NUNCA vi o meu Brasil com tais institutos. Mas, é a vida! Ela segue e devemos continuar lutando. Todo dia! Parabéns Alex! continuar lendo

Apoiado, Alex da Costa Mamed! Pobreza não é desculpa para fazer o que é errado. E se o país não oferece bons serviços públicos é mais um motivo para batalhar, estudando e trabalhando, e conseguir qualidade de vida sem esperar nada do governo. continuar lendo

Ana Lúcia, não concordo com seu pensamento pois não é prático nem realista. Se o filho do "abastado" tem condições de apenas estudar é porque, salvo exceções, seus pais trabalharam muito para dar-lhe estas condições. E não diga que o dinheiro veio da corrupção porque toda generalização é filha da ignorância. O mundo é feito de desigualdades, quem não vê isso vive de olhos fechados, e não é com reclamações sem ações concretas, atitudes de baixo valor moral como "rolezinhos" e depredações, e discursos em prol de gente que não luta por si mesma que as desigualdades vão ser reduzidas. Valor moral, ético e dignidade não custam dinheiro como o Alex e a Márcia provaram. Se a vida de uma pessoa não está como ela deseja cabe a ela trabalhar par mudar isso. Não é preciso ser "abastado" para ter caráter. Esperar por atitudes governamentais, ou que as diferenças econômico-sociais simplesmente desapareçam sozinhas, como que por mágica, para só então começar a busca por uma vida digna é o mesmo que esperar para ver os outros fazer o que é seu trabalho fazer, não existe mágica se você busca mudança, então faça acontecer. continuar lendo

Alex! O paradigma de 80-90 % de juventude, hoje é êsse: dar um rolé no SINE e na Escola para almejar uma faculdade ou seja, colocar um "canudo" debaixo do braço continuar lendo

Parabéns Alex! Concordo com você em todos os sentidos. O problema é a
"estagnação" das pessoas, muitas vezes fundamentada na falta de incentivo da própria família que se acostumou a esta vitimização! continuar lendo

Bem dito, Alex!
Se não fosse, no Brasil, por indivíduos valorosos que ousam desafiar a lógica do comportamento de massas, tudo seria Rede Globo, e a bagunça, nua e narcotizada, seria geral.
Conheço outras pessoas como você e valorizo extremamente suas iniciativas e seu comportamento na sociedade brasileira, já que, se é para haver alguma organização em nossa sociedade, ela sairá de pessoas determinadas, e não de quem se reveste do discurso de vítima.
Também penso que o nosso país devia tratar melhor seus filhos; e isso implica em, eficazmente, tratar da Segurança Pública. Enquanto o crime tiver aparência de coisa cometida com plena impunidade, o Direito Penal não cumprirá sua função educativa.
Há algo ruim nisso. É que os ideiais democráticos são colocados em difícil posição. Mas, se os valores que possibilitaram, uma vez, falar em liberdade, igualdade e fraternidade se traduzem em liberdade para cometer crimes, igualdade para lesar o próximo, e solidariedade apenas entre criminosos, a defesa da democracia torna-se paulatinamente impossível.
Será que é isso que se quer na (des-) ordem estabelecida? continuar lendo

Concordo com sua manifestação Sr. Mamed. Abaixo segue meu comentário. Atenciosamente, Aragão. continuar lendo

De fato, Alex, é um discurso demagógico. Por estes dias, algumas vezes, estive na biblioteca de minha cidade, havia poucos jovens por lá. Logo lembrei-me do tal rolezinho e indaguei ca comigo; Pq aqui ninguém vem fazer um rolezinho?? continuar lendo

está coberto de razão continuar lendo

Ahêê Alex. Com oito linhas vc matou uma cronica inteira. Arrasou! Parabéns. Seis meses daria para um Jurista qualquer ficar por lá. Pode até ser um tendencioso, relativista. Fica lá 6 meses acompanhando e estagiando um advogado de lá. Tentando arguir direitos humanos. Os mesmo do ocidente. Só que teria que ir junto outro cidadão daqui junto, pra ensinar e explicar o que é direito humano e cidadania, para ambos. continuar lendo

O principal motivo por que a China cresce mais é porque se encontra em um estado mais atrasado do desenvolvimento econômico-social do que Brasil e EUA. continuar lendo

também pensei nisso! Qual o significado do crescimento oriental? As notícias que temos são de trabalhadores escravizados, preconceito, suicídio. Crescer economicamente - tão só - não quer dizer muita coisa. Colocar mais dinheiro nas mãos destas classes C e D não vai representar melhoria no estado social. O que fazemos com nosso dinheiro, como investimos? O Brasil é um país riquíssimo...no entanto, veja só a realidade em que vivemos. continuar lendo

Haaa se nossos impostos tivessem a sua correta destinação... Quem sabe faríamos frente a alguns países asiáticos... continuar lendo

Muito boa sua visão.... a China tem um bilhão e um pouquinho de cidadãos... mas, inseridos economicamente somente 310 milhões..... Ou seja, meio milhão de pessoas no mínimo são escravos, trabalham para receberem o equivalente à um prato de comida.......ao dia....
A concorrência com os Chinas.... é impensável, lá o custo hora, do infeliz china é trinta centavos, no Brasil, no mínimo R$ 3,25 .... sacanagem...
Dependendo do prisma, a distorção pode aumentar... e muito... continuar lendo

O estágio em que a China se encontra é muito anterior ao do Brasil na escala econômico-social. Se você verificar as histórias do desenvolvimento dos países, elas se parecem muito, independente do modelo econômico e suas nuances, tais como capitalismo-liberal, capitalismo-estatal, socialismo, etc.

Se olharem para a natureza, a maioria das coisas são desta forma. Pegue, por exemplo, o desenvolvimento muscular de nosso corpo. Quando iniciamos na musculação, ganhar massa muscular no início é muito mais fácil do que na fase em que estamos muito mais desenvolvidos muscularmente. As coisas simplesmente são assim. A Teoria da Evolução tem uma explicação, mas não vou aprofundar aqui.

Se se notasse estas obviedades, as pessoas diminuiriam em muito discussões do nível: um Estado mais liberal é mais eficiente do que um mais Keynesiano, ou vice-versa. Não, temos bons exemplos de todos os lados (Cingapura x Suécia, EUA x China, guardadas as devidas diferenças em seus estágios históricos). continuar lendo

Sobre os rolezinhos. Entendo que não importa a classe social, (pobre, rico, classe média) não importa a cor (amarelo, branco, preto, marrom) o que importa é comportar-se de modo a não perturbar os demais. Não é o caso dos rolezinhos, que a pretexto de se divertirem causam tumulto, roubam, e não permitindo que os trabalhadores possam trabalhar. O importante é saber comportar-se socialmente, saber que o seu direito termina onde começa o do outro. O importante não é promover agitação, e sim ter postura para portar-se socialmente. Vivemos em grupos, logo tem regras a serem cumpridas. E estas regram incluem que a pessoa seja EDUCADA. São um bando de mal educados fazendo bagunça no horário em que deveriam ou estar trabalhando ou estar estudando. ONDE ESTÁ O ROLEZINHO PARA CONSEGUIR UM EMPREGO ? Pelo menos deixem trabalhar os que querem progredir , como os funcionários do shopping. E vão trabalhar também, se ocupar com coisas úteis e construtivas. Se querem um país melhor, comecem por cada um fazer a sua parte. Se cada um fizer a sua parte por um Brasil melhor, TODOS seremos beneficiados. ENTENDERAM, JOVENS SEM FUTURO? continuar lendo

Concordo plenamente com voce Vera Soares. Estes adolescentes são um bando de desocupados, fazendo baderna quando deveriam está estudando e trabalhando. Onde estão os pais? É verdade que a falta de oportunidades e as desigualdades são desumanas no Brasil, mas isso não justifica o fracasso de ninguém. Quem vencer, luta e consegue, independente da classe social a que pertença. continuar lendo

na verdade .. rolezinho pertuba quem está de alguma forma equilibrado social e economicamente... estes vândalos, pobres, e marginalizados da sociedade, sabem que são excluídos, rejeitados, então para tirarem um casquinha, porque não ir dar uma voltinha no shopping, chamando os coleguinhas mais próximo de sua própria realidade..... é isso... continuar lendo

Concordo integralmente com você Vera. O Brasil, através da sua mídia facciosa, quer legitimar qualquer absurdo como destruir, perturbar, furtar como se pudesse ser direito de alguém fazer tudo isso! O Brasil é um país desigual mas para quem tem vontade e quer realmente dar a volta existem muitas oportunidades... Eu não aguento mais viver num país que o errado está sendo valorizado! Os jovens não podem tudo e a pobreza não é desculpa para vandalismo. Tantos bons exemplos não são destacados... continuar lendo

Caro Sr. Osvaldo, quando diz "pobre" espero que seja "pobre de espírito", pois o verdadeiro "pobre" não está nesses "rolezinhos". Muitos dos "pobres de espírito" estão em rolezinhos, em universidades, na sociedade, na justiça e no congresso. Os verdadeiros pobres, estão a trabalhar, estudar ou a voltar as suas casas para poderem descansar para um novo dia. continuar lendo

Vera
Entendo que os pais estão terceirizando a educação dos filhos, por tal motivo, estamos assistindo a estes espetáculos deprimentes de jovens enfrentando a polícia, a sociedade e tudo o mais, sem pudor algum. Há muitos anos percebi a falta total de controle dos pais sobre os filhos e isto me fez desistir da profissão de professora e também de ter filhos.
Felizmente eu pude optar por outra profissão que sempre me deu prazer e uma vida tranquila. continuar lendo

O problema do "vão trabalhar" é que a lei que trata sobre o trabalho do menor atrapalha. Atrapalha porque pode trabalhar a partir dos 14 anos, como aprendiz, no máximo 6hrs caso esteja estudando. Nenhum empresário comum, do bairro, que conhece o menor e que poderia empregá-lo, terá interesse de contratá-lo com essa condição. Tem que deixar cumprir o horário normal, como um funcionário comum. E em casa os pais tem que cobrar bom rendimento nos estudos e no serviço, assim sobra menos tempo pra facebook, rolezinhos, vadiar pela rua etc. Faltam rédeas mais curtas para esses jovens. Nasci no começo dos anos 80, era ótima aluna e comecei a trabalhar aos 13 anos, inclusive aos domingos. Não perdi infância, não fiquei revoltada, nunca reprovei na escola. Precisamos de leis que funcionem na vida real e não leis feitas para atenderem algum padrão mundial imposto. Mais trabalho, mais estudos = menos tempo ocioso aprendendo o que não presta na rua. continuar lendo

O que mais me causou perplexidade foi a forma como os pais se manifestam a respeito das atividades dos filhos. Imagem é tudo disse um casal, trabalho duro para comprar roupa de grife para meu filho, disse outro. Estão aí as consequências, irresponsáveis, sem noção, soltos achando que o que são na internet aplica-se no local de trabalho e lazer das outras pessoas. continuar lendo

Texto interessante, Luiz Flávio Gomes, principalmente quando aborda os "capitais" existentes em nossa sociedade. No entanto, teria mais cautela ao abordar a China.
Até 2008, o total da dívida da China era 130% do PIB. Após esse ano, houve um incentivo ao consumo interno, o qual foi auxiliado pelos juros baixos do país. Em virtude dessa política, atualmente, o total da dívida chinesa equivale a 200% do PIB (O total da dívida brasileira corresponde a 50% do PIB). Para piorar, TODOS os grandes bancos são estatais, e parte da sua contabilidade não está claramente definida. (Governos autoritários costumam esconder informações). Além disso, a previsão de crescimento da China para este ano (7,4%) é a menor desde 1990. Por fim, não se pode ignorar a considerável quantidade de pobres no país.

A que preço cresce a China? continuar lendo

Embora o texto do Prof. Luiz Flávio, aborde temas nevrálgicos da realidade brasileira, ao aludir ao crescimento econômico da China de forma tão empolgante, se esqueceu de observar com mais cuidado as bases de tal crescimento. Ora, ao referir-se a frase: "“Não importa a cor do gato, desde que ele cace o rato”: com essa frase o líder chinês Deng Xiaoping justificava os benefícios da abertura econômica da China na década de 70..." , fazendo uma analogia pessoal (e posso estar errado), sabendo que para bom entendedor pingo é i, a tradução seria: "os fins justificam os meios" , como muito bem lembrou André Bastos ao encerrar seu comentário, "A que preço cresce a China ?". E me permito ao direito de lembrar ao autor deste artigo que a China cresce não somente ao custo de uma mão de obra que goza de pouquíssimos direitos trabalhistas, cresce também ao custo de uma concorrência desleal com outros países do mundo, pois, ao ofertar trabalhadores a um custo baixíssimo fez com que muitas empresas, inclusive brasileiras (http://www.pbc-china.com/pt-br/Diretório), investissem em unidades fabris naquele país para aumentarem competitividade e quiça os lucros, ou seja, deve valer muito a pena correr tal risco. Deste modo, os recursos que poderiam estar sendo investidos nos países de origem destas empresas estão migrando para China, para gerar empregos e dividendos lá, legando muito pouco ou quase nada ao país de onde procede.
Existem outros aspectos perturbadores na economia asiática, não somente a chinesa, a desvalorização forçada das moedas locais para favorecer as exportações e favorecer a balança comercial destes países tem preocupado o FMI e a OMC. Assim como iuan, o iene e o won também tem sido objeto de atenção quanto aos seus valores frente ao dólar e ao restante das moedas do mundo, essas diferenças cambiais tem alavancado de forma injusta as exportações de vários países asiáticos, conferindo uma competitividade maior aos seus produtos.
Este comentário sequer chega a riscar a superfície deste assunto, tal sua complexidade. Temos que reconhecer o sucesso econômico deste países e seus laureados progressos na saúde e na educação, no entanto, fazê-lo às custas do liberalismo econômico e de um aviltante capitalismo selvagem, chamado internacionalização, que não dá. Essa prática não é sustentável. Não sei quando, mas em algum momento haverá um colapso dessa estrutura econômica.

Para provocar, deixo outra pergunta no ar.

Até quando as economias dos países do mundo vão suportar isso? continuar lendo

Brilhantes discernimentos de ambos os comentaristas. Estou há tempo sustentando que qualquer país comprometido com direitos previdenciários e sociais do trabalhador e outros direitos trabalhista, com meio ambiente, com direitos culturais, sociais e econômicos da população, não pode livremente concorrer com a China. O emregado chinês trabalha escravizado sob chicote de desemprego e miséria, recebendo renumeração nas proximidades de mera subsistência e cumprindo jornada de 12-16 horas diárias, ao menos do que tange a mão de obra industrial de baixa e média qualificação. É de tamanha insensatez permitir mercado livre com países aberrantes de direitos sociais, trabalhista e ambientais e tal descaso inclusive freia desenvolvimento industrial, social e econômico do Brasil.

Aliás, os chineses já estão comprando o Brasil em decorrer de impiedosa destruição ambiental presente na Ásia. Na minha opinião, maioria dos produtos industriais asiáticos são frutos da conduta ilícita e mesmo criminosa, contra trabalhador e meio ambiente, segundo a lei brasileira, e como tais devem ser tratados. continuar lendo